<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894</id><updated>2012-01-23T14:33:17.373-08:00</updated><category term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>Contos da Guerra Colonial</title><subtitle type='html'>Não deixe de ler o Conto: "O Turra Mussolé", publicado no dia 7 de Setembro de 2008, o qual, ao cabo de 34 anos da chamada "Revolução dos Cravos" sofreu CENSURA por parte do Ministério da Defesa Nacional, levando-me a deixar de escrever no Jornal da APOIAR - Associação de Apoio aos Ex-Combatentes Vítimas de Stresse de Guerra.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>37</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-1031759308705579503</id><published>2011-03-24T09:36:00.000-07:00</published><updated>2011-03-24T09:41:34.591-07:00</updated><title type='text'>"CONDECORAÇÃO"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-j95GPgvjraI/TYt0LA66mAI/AAAAAAAADOE/fyity_udDEI/s1600/Imagem%2B155.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 352px; height: 288px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-j95GPgvjraI/TYt0LA66mAI/AAAAAAAADOE/fyity_udDEI/s400/Imagem%2B155.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5587687495257724930" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: center; font-weight: bold;"&gt;Não teria, decerto, para mim – quer acreditem ou não – significado mais importante a atribuição pelo Presidente da República dum qualquer galardão hipócrita, como teve a festa-surpresa no dia do meu aniversário no Café NI KOFFEE, onde, para além dos seus proprietários, tenho vindo a grangear a amizade (palavra na qual já não acreditava) por parte das pessoas que me têm acarinhado tanto. Para não correr o risco de a minha mente cansada esquecer alguém, deixo aqui expressa a minha gratidão na pessoa dum amigo graduado fuzileiro naval, o PAULO TOMÉ, que me “condecorou”, oferecendo-me uma miniatura da boina que representa a sua unidade militar, a qual vai ficar religiosamente guardada junto aos meus pertences simbólicos da Guerra Colonial, na qual participei de 1970 a 1973.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-1031759308705579503?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/1031759308705579503/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=1031759308705579503' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/1031759308705579503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/1031759308705579503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2011/03/condecoracao.html' title='&quot;CONDECORAÇÃO&quot;'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-j95GPgvjraI/TYt0LA66mAI/AAAAAAAADOE/fyity_udDEI/s72-c/Imagem%2B155.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-2707946308751801143</id><published>2009-11-30T13:43:00.000-08:00</published><updated>2009-11-30T15:12:01.462-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>EM JEITO DE PREFÁCIO E OS PRIMEIROS COMENTÁRIOS</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Esta publicação, seguida de vários Contos, é  dedicada a uma mulher extraordinária que me quer a escrever: cada vez mais e melhor.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Muito obrigado pela força, Maria Isabel Lassuta Monteverde.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;António Pais&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Escreva tudo o que sabe sobre a Guerra Colonial. &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fiquei deslumbrada com as descrições que faz sobre os episódios relatados. O António escreve maravilhosamente em prosa, de forma simples mas cuidada e acessível a todos os níveis culturais. Faz uma descrição exacta, ao pormenor, transmitindo ao leitor uma noção realista das ocorrências, mesmo que nada tenha a ver com a Guerra Colonial. E fá-lo duma forma poética, ao descrever acontecimentos trágicos, porventura chocantes.&lt;br /&gt;Por ser filha de um ex-combatente, Oficial Superior do Exército, e ter herdado do meu pai um espírito militarista; por guardar religiosamente os aerogramas que ele me escrevia em tempos de comissão de serviço; por haver vivido uma infância com o pai sempre ausente e por nunca ter compreendido a razão daquela tão arrastada guerra, só sei que me fazia muita impressão pensar que o meu pai andava no meio da mata e no meio da guerrilha, em combate.&lt;br /&gt;Ao ler o que escreveu sobre algumas das suas experiências relacionadas com a Guerra Colonial pareceu-me encontrar, finalmente, uma luz ao fundo do túnel, ou seja, entender o sem-sentido daquela guerra. Por tudo o que atrás relatei quero incentivá-lo a escrever mais. Continue, assim, a escrever todos os episódios que a sua memória permitiu guardar, da forma maravilhosa como fez com aqueles que, vorazmente, acabei de ler.&lt;br /&gt;É importante que os jovens tomem conhecimento e compreendam minimamente o que foi a Guerra Colonial.&lt;br /&gt;Orgulho-me de ser filha de um ex-combatente, com louvores por acção em combate. Um desses louvores proporcionou-me uma Bolsa de Estudo em qualquer Universidade do País.&lt;br /&gt;Ao meu pai, enquanto Oficial do Exército, não lhe competiam determinadas tarefas, contudo era ele quem variadas vezes ia buscar os pedaços dos seus subordinados que ficavam despedaçados pelas minas e granadas, carregando-os às costas, pois os seus camaradas não tinham coragem. Depois, a tarefa de tentar identificar os pedaços desses corpos, para os compôr e serem, assim, enviados para os seus familiares na Metrópole. Somente os mais idosos lembram com nostalgia a voz do saudoso Adriano Correia de Oliveira quando cantava : “Desta vez o soldadinho / Vem numa caixa de pinho...”&lt;br /&gt;Senti tudo isto retratado nos seus escritos sobre a Guerra Colonial. E este é o meu melhor elogio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                             Maria João Machado Aires dos Santos &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Comecei a publicar os meus Contos da Guerra Colonial e, não passando de dois ou três, suspendi essas publicações. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;São contraditórias as opiniões dos comentadores. Uns diziam-me que deveria continuar a publicar; outros, opinavam que devia esquecer, eliminá-los da minha memória. Mas como, se estive lá? Como, se contraí doenças psicossomáticas? Como, se a minha saudosa mãe me contava que, ela e o meu pai, com dois filhos na guerra, à hora da refeição, ficavam a olhar para os pratos e sentiam um nó na garganta enquanto as lágrimas, teimosas e salgadas lhes escorriam, misturando-se com os alimentos... E os camaradas mortos e feridos em combate ou acidentalmente?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma comentadora chamou-me a atenção - com alguma razão - para o facto de a nossa História do Estado Novo e da Guerra Colonial que a eles serviu - só poder ser contada daqui a uns cinquenta anos. Porquê? Porque passámos por tanta privação e provação em consequência daqueles - alguns nossos camaradas - que tiraram partido da situação. Roubaram-nos descaradamente. E ainda estão vivos os outros que cometeram ou participaram em massacres e, como é sabido, os crimes de guerra são imprescritíveis?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi muito, muito complexa, a minha luta interior para tomar esta decisão. E, se os incentivos continuarem a surgir gostaria imenso de partir para o "romance de guerra", de forma mais elaborada, contra tudo e contra todos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para uns e para outros (respeito todas as opiniões) o meu agradecimento. Porque não me satisfaz apenas o facto de relatar contos duma forma aligeirada, mas que reconheçam que o sei fazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;COMENTÁRIOS:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antonio, meu caro, a riqueza da sua criação é tão grande, que este blog, por exemplo, eu nem conhecia.Vou começar a freqüentá-lo, bem como aos outros, pois há muito o que se aprender por aqui.Abraços sinceros do seu admirador.&lt;br /&gt;Não sou jornalista nem escritor. Se quer escrevo bem. Sou aposentado. Meu imposto de renda é retido na fonte pelo INSS. Já nosso querido apedeuta tem sua receita de INSS como anistiado político acima do teto do INSS livre de IR.Minha forma de lutar contra os desmandados implantados por este governo corrupto no Brasil é através de um blog .Gostaria de contar com a presença e dos comentários das pessoas de bem que não se conformam com a desonestidade, a falta de ética e a corrupção em nosso governo.Um grande abraço&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Bom dia.Por favor, não suspenda o blogue. Necessitamos que sejam contadas estas e outras histórias, reais ou parcialmente ficcionadas. Não sei se a ficção será assim tão grande... que se passaram verdadeiras atrocidades nessa altura é bem verdade... o pior é que hoje em dia continuam a passar-se e ficam impunes. Os grandes "comandantes" controlam e amordassam os "soldados rasos". A escrita será sempre um meio de liberdade de expressão. Os "putos" que não viveram essa realidade precisam de saber o que se passou na Guerra Colonial que será o mesmo que dizer... em todas as guerras. Isso da guerra cirúrgica é só "tretas". Eu próprio já nasci com a liberdade (uma semana depois!) mas tive pais que me despertaram e ensinaram a nossa história.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olá António.obrigada pela dedicatória.Não me admirei por esta história ter sido censurada. Muitas vezes (ou a maioria das vezes) a ignorância mantém o espírito quieto.Um abraço...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;António, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltei. Achei que ainda não tinha dito tudo sobre este conto:Digamos que fiquei chocada sem o ficar. Já conhecia histórias de guerra semelhantes e durante a tese construi à minha volta uma "capa" que me defende psicologicamente destas descrições (tive que a construir de outra maneira não conseguiria ser isenta), mas fazem-nos questionar sempre o bom e o mau que há em todos nós. Fazem-nos questionar em que momentos é que cada um deles se revelam. Em que momentos é que eu serei boa. Em que momentos é que eu serei má...e será que existe meio-termo?Um abraço.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olá António,Este seu post é fortíssimo! É do conhecimento geral que em tempo de guerra se passaram muitas atrocidades mas as coisas descritas desta forma, por alguém que viveu e assistiu a tudo, falando de pessoas concretas, torna tudo mais cruel. Entende-se porque foi sensurada! Admiro a sua coragem e discernimento para a conseguir escrever apesar da loucura que se vivia. Doi-me só imaginar as situações e é degrandante perceber o que o homem pode fazer ao seu semelhante.O nativo de Peixes é um eterno sonhador e um sofredor também, sofre por si e pelos outros. Espero que tenha conseguido aprender a viver com todas estas memórias e acho que faz muito bem em deitar tudo cá para fora.Um abraço,.Olá AntónioAinda não tinha vindo a este seu lugar das realidades mais desumanas em tempo de guerra. O pior de tudo é que estas atrocidades continuam presentes no nosso século. Não sei se em situação normal estes seres serão capazes de proceder com tanta falta de humanidade, mas o mal não se desculpa, não tem perdão. As consciências destes energúmenos ninguém as pode ler. Eu acredito que quem mata, seja quem for, com esse sangue frio sabe muito bem que está a praticar o mal e matar uma criança ou violar uma mulher merece...nem quero dizer mais porque sou contra a pena de morte, mas fico tão empaticamente ligada ao sofrimento que a revolta é inevitável..Não vejo motivos para censuras.Um abraço.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poderia muito escrever&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No papel vago da desolação,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poderia meu pensamento submeter&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;À lei da evasão&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E por momentos ver&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os desígnios da ocasião.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas não o faço por temer&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ser muito vaga, sem determinação,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por não saber o que foi viver&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqueles dias de guerra e desolação,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dias que teimaram em ser&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desgraça e violação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Forte este texto. Definitivamente, ninguém fica indiferente às frases desenhadas em "O "Turra Mussolé".Cumprimentos poéticos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Finalmente leio alguma coisa sua que realmente me toca, fortissimas nao sao as suas palavras, porque palavras sao só palavras, forte é o sentimento que nos devora ao ler esta historia e o facto de ser real, tenho um bom amigo que também combateu na guerra colonial, e por vezes conta pequenos contos a mesa do jantar que nos faz perder o apetite... contudo nao deve ser censurado, pelo contrario ate deveria ser documentado, falado e exposto, porque a realidade dos factos,a miseria que assumbra o continente africano deve se sobretudo a ganancia, ira e desdem do homem branco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Eras negra cativa&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;espaço de deleito e pecado&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;tua pele santa e tentadora, de mulher.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;teu corpo estilhaçado&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;num colchao de palha tombado&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;pronto a satisfazer&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tinhas os olhos cerrados&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;esses diamantes raros,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;nunca mais avistaram a luz&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;tinhas a alma cadavérica,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;gritando por libertaçao&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;enquanto o pensamento voava&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;tal e qual uma borboleta&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;junto ao rio pousava&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;na tua mão de mãe, de filha, de neta&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;de alguém, na tua mão de menina&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Escorriam-te dos olhos as gotas da fobia&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;suores frios e trémulos, apoderaram-se de ti&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;tinhas um crucifixo pendente do peito&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;a boca manchada se sal e fel&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;enquanto gotas de sangue caiam&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;das tuas mãos apertadas&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;da tua boca cerrada&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;do teu útero de mulher&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vieram do nada, de terras malditas&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;aqueles seres uivantes, sedentes de desejo&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;aqueles seres rastejantes, arfado imundície.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;esfregando a pele sebosa e dita cristã&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;roçando testículos cheiro a escremento&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ejaculando vermes de desalento&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;em teu corpo pequenino, em teu corpo indefeso&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;salivavam nas tuas ancas que nem cães&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;agarrados a um osso...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;puxavam-te os cabelos, arranhavam-te os braços&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;pendestes no chão...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Teu seio amoroso, rasgado, dentes em lava&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;teu seio virgem, despedaçado...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;olhos semi-cerrados, espumantes de prazer&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;olhos esbugalhados vertendo delirios&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;olhos verde água, olhos dum branco...cheio de tesão&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;olhos dum branco sem escrupulos, nem coração&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sentiste cada movimento, em ventre...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;cada brutalidade viril dum macho nojento&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;tinhas as pernas bambas descaidas&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;tinhas os braços tombados, ja sem vida&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;morreste antes da navalha te degulhar&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;e o sangue quente jorrar&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;do teu pescoço de gazela...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;morreste... e ninguém estava para velar&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;a tua morte... ninguém quis saber o teu nome&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ninguém sabia quem tu eras...&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(poema-comentário duma jovem quanto talentosa poetisa madeirense, referindo-se à violação e assassínio duma negra encontrada na mata durante uma operação militar narrada num dos meus Contos)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Olá António,Eu quero comentar... mas as palavras não me saiem, estou chocada e arrepiada com este relato, algumas frases custaram-me até a ler, como é possível tamanha crueldade?Mas apesar do meu pouco conhecimento sobre o assunto, em duas coisas tenho a certeza:1º Atrocidades como estas não devem ser escondidas do mundo e os seus autores devem ser denunciados e julgados pelos seus crimes.Um blog como este deveria ser traduzido em várias línguas até.2º Estes crimes só foram cometidos, porque os seus autores detinham o poder e a força, e porque a época assim o permitiu.Provavelmente todos os que tiveram conhecimento destes e de outros crimes, das duas uma:- Ou eram uns zé ninguém, e as suas palavras nunca seriam levadas a sério, se é que conseguissem sequer viver para falar,- ou até tinham poder para fazer algo, mas quiçá eram como os criminosos, ou então desculpavam-nos porque os coitados já estavam a sofrer, longe de casa, etc e tal...Pena não terem sido denunciados e julgados, podia ser que depois de uma estadia na cadeia a serem usados umas catorze vezes por dia mudassem as suas mentes cuéis e nojentas.&lt;br /&gt;Simplesmente magnífico! Belo texto. Muito duro de ler e difícil sequer de imaginar certos acontecimentos descritos... Foi pena não dizer, no seu encontro da Rua Augusta, ao ex-cabo enfermeiro que imaginasse a sua mulher ou as suas duas lindas meninas na situação daquela negra brutalmente violada. No entanto, percebo perfeitamente a sua decisão. Os meus sinceros Parabéns.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Quem esteve na guerra e presenciou as atrocidades, tem que as contar como as sentiu. Beijos.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dolorosos tempos, tempos esses que vivi em Moçambique.Um relato muito bem construído,relatando factos verídicos,parabéns..&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Amigo António,não foi fácil,nada fácil mesmo conseguir ler o texto até ao fim, mas consegui, e ,questiono-me em relação à censura!Porquê censurado? porque a vivência que relatou é a VERDADEIRA VERDADE?Saltem muitos cá para fora como este,para que nós que não fomos à guerra, e os jovens de hoje conheçam a VERDADE!Eu, pessoalmente nem numa situação de guerra consigo compreender actos tão BÁRBAROS!Será que estavam loucos?será que a guerra serve de desculpa para que o homem cuspa toda a sua raiva sobre inocentes?É asqueroso, é nojento, é...eu nem sei como classificar esse cabo-enfermeiro!!!!Devia ser julgado, condenado,por todos os crimes de guerra.Será que esse DESGRAÇADO dorme tranquilamente sabendo e tendo consciência do todo o horror que deixou para trás?!Que pena não ter sido eu a cruzar-me com ele na Rua Augusta...naquele momento,mulher e filhas ficavam com a certeza do MONSTRO que as acompanhava...Não tenho capacidade de perdoar esse tipo de...CANALHAS!!!NUNCA!!!!...Essas editoras que mandem mas é cá para fora esse livro.Eu não posso esperar 50 anos...PS:Outra coincidência:Sou natural de Moçambique(Beira)-Distrito de Manica e Sofala...isto foi só para desanuviar um pouco...Beijinhos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vim ao seu blog, depois de andar por aí...Cheguei ao seu conto, quis ver porque teria sido censurado...É um relato muito forte. De tal modo bem escrito e descrito que me transportou ao local, ao cheiro, à cor, às vozes...Parabéns! Continue a escrever! Eu virei ler com tempo e atenção, porque o merece!Abraço terno&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Por um acaso, descobri o seu fantástico blogue.São actos como os praticados por esse cabo-enfermeiro que envergonham e enlameiam todo um exército. Estava a ler o seu (belo e terrível) relato sobre essa bela negra e ansiava que no fim tudo fosse diferente. Mas não. Angustiante...Vou ler todos os seus contos.Abraço!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;António,apesar de saber tantas histórias que se passaram, esta contada por ti que as vivenciaste, que lidaste com esta gente, chocou-me muito.Era muito importante que toda a gente pudesse ler o que realmente se passou para puder entender o sentimento de quem viveu aquela guerra.Tomara que algum dia consigas publicar o livro. As verdades são para ser ditas!Fazes bem em evidenciar as diferenças entre os militares que estiveram na guerra colonial. Esse homem é um sádico e um assassino. Não consigo desculpabilizar também os que participaram em violações por mais perturbados que estivessem.Guerra é lutar com armas contra pessoas armadas!Um beijo grande.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Gosto muito da forma como escreve.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Ainda não tinha lido este seu poema:Quando a dor é assim tão grande não há vontade de regressar, mas o regresso quando acontece traz muito para dar.Grande beijo, muito grande&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Nem sei porque parei aqui.A sua guerra foi em Angola e a minha na Guiné.Desperou-me uma curiosidade muito grande juntamente com o desejo de saber porque fomos nós os mártires desta guerra sem nome nem rosto.Depois o seu estilo leve e ao mesmo tempo misterioso fez-me seguir em frente e acabar por conhecer o sofrimento alheio.Não consigo entender.Não quero perceber nem tão pouco continuar neste sofrimento.Sofreram os pretos e sofremos nós.Afinal a quem aproveitaram todas as vidas destruidas e humilhadas...?&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Parece-me que já tinhas feito esta publicação ou então eu já a havia lido por aqui. Sim recordo-me desta guerra fria e surda. Cega e vil.Tantas coisas que nunca foram ditas e que a maioria dos portugueses nem sonha o que por lá sofremos&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Continue as escrever as suas memórias de guerra, os jovens devem saber do passado mais próximo, tanto quanto do mais distante, pois estes Contos parecem ter ainda o cheiro dos cadáveres e o medo dos homens que para lá mandavam, estupidamente para nada - minto - para morrerem, para matarem, para sofrerem depois as sequelas dessa estúpida "missão": ANGOLA É NOSSA!&lt;br /&gt;Com muita amizade&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;António Pais&lt;br /&gt;Fui algumas vezes a Nambuangongo, em colunas de abastecimento. O meu Esquadrão substituíu uma Companhia do lendário Tenente-Coronel Maçanita, que retomara Nambuangongo. No meu blog está uma série de artigos, cujos créditos, são devidos ao diário que elaborei, durante a Comissão, publicados no "Jornal da Amadora" e já proposto a Editoras. Mas como não é mediático!...&lt;br /&gt;Gostei muito do seu texto, aquilo a que chamo livro estará pior, é diferente, digamos que é autobiográfico, pretende retratar realidades de praças na caserna e a partir da...&lt;br /&gt;Tem apresentação dum catedrático, a leccionar em Madrid.&lt;br /&gt;Um abraço&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Amigo António, estou a começar a ler os seus Contos da Guerra Colonial, essa guerra estúpida sem qualquer sentido, que apenas serviu para destruir a vida de muitos "meninos", muitos que partiam sem tão pouco perceberem o que iam defender, apenas cumpriam ordens!!!&lt;br /&gt;Quantos lhe teriam aparecido pela frente e ficarem admirados com a imensidão do mar aquando da ida para a dita missão???&lt;br /&gt;Afinal quantos foram com a perfeita convicção do que iriam defender? Quantos tinham preparação para política para entender o porquê de tal ordem?&lt;br /&gt;Não era preciso claro, até porque quanto mais "ceguinhos" melhor, muito melhor para moldar ao belo jeito fascista!...&lt;br /&gt;Tanto jovem sofrido e afinal para quê?!!!&lt;br /&gt;ANGOLA É NOSSA...o TANAS!!!&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Quer um conselho?Esqueça a Guerra Colonial recordá-la faz mal pode crer.&lt;br /&gt;Fique bem e o que lá vai lá vai&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Boa  noite&lt;br /&gt;Também malhei com os costados na Guiné em 73/74.&lt;br /&gt;Aprendi a comer manga, mandioca e tudo o que conseguíssemos apanhar.&lt;br /&gt;Muitos dias com medo de emboscadas nem conseguia dormir.&lt;br /&gt;Havia soldados naturais a viver connosco e só pensava que um dia eram eles que nos limpavam com as catanas.&lt;br /&gt;Como alguém aqui disse: "Será melhor nem reviver esses dias e procurar outros pensamentos"&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Caríssimo, como os demais colegas estou ansioso de ler os teus contos sobre as guerras coloniais.&lt;br /&gt;Tenho alguns amigos Coronéis em Portugal que já me descreveram as suas versões guerreiras, ou pontos de vista, possuo vários livros deles sobre a matéria, poderia ter sido um dos heróis ou mártires dessas guerras sem nome, por sorte ou azar caí em Timor, minha segunda ou terceira terra...&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;REITERO OS MEUS AGRADECIMENTOS ÀS MINHAS AMIZADES DA BLOGOSFERA.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Beijinhos e abraços&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;António Pais&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-2707946308751801143?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/2707946308751801143/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=2707946308751801143' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/2707946308751801143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/2707946308751801143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/em-jeito-de-prefacio-e-os-primeiros.html' title='EM JEITO DE PREFÁCIO E OS PRIMEIROS COMENTÁRIOS'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-790878402565477208</id><published>2009-11-30T13:31:00.001-08:00</published><updated>2009-11-30T13:34:53.232-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>NAPALM E LANÇA-ROCKETS</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQ51G1lZjI/AAAAAAAACvI/RoLJnIyod-E/s1600/0000048333.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410012636910020146" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQ51G1lZjI/AAAAAAAACvI/RoLJnIyod-E/s400/0000048333.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os governos isolacionistas de Salazar e do seu continuador Marcelo Caetano teimavam em jurar a pés juntos perante a comunidade internacional que jamais haviam utilizado substâncias tóxicas (hoje conhecidas por armas químicas) ou outras, proibidas pela Convenção de Genebra.&lt;br /&gt;Porém, os militares mais esclarecidos sabiam que tais afirmações constituíam uma mentira.&lt;br /&gt;Aqueles que tiveram o arrojo de as denunciar estavam exilados e a suas palavras careciam de provas, as quais, obviamente, só poderiam ser obtidas no cenário da guerra.&lt;br /&gt;Os que se encontravam nas matas manuseando-as e aplicando-as ou os que assistiam aos seus efeitos, em tempos da chamada guerra de acção psicológica não viam, não ouviam e calavam, pois corriam o sério e inevitável risco de serem sumariamente abatidos pela Polícia Política.&lt;br /&gt;Os lança-rockets encontravam-se entre o equipamento bélico considerado proibido e também a sua utilização era categoricamente desmentida.&lt;br /&gt;Foi com alguma imprudência, talvez traduzida pela inconsciência dos vinte anos de idade que eu e o Carlos Barros, munidos de uma máquina fotográfica, bem escondida no vestuário, nos deslocámos à pista de terra batida em Quicua (distrito do Uíge) com o objectivo de captar as imagens interditas. Aproveitámos a hora da refeição e tão rápida quanto furtivamente tirámos, sem que ninguém se houvesse apercebido, algumas fotografias a uma avioneta militar : uma DO (Dornier) suportando por debaixo de cada asa aquelas armas altamente destruidoras, as quais os nossos governantes escondiam ao mundo.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-790878402565477208?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/790878402565477208/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=790878402565477208' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/790878402565477208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/790878402565477208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/napalm-e-lanca-rockets.html' title='NAPALM E LANÇA-ROCKETS'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQ51G1lZjI/AAAAAAAACvI/RoLJnIyod-E/s72-c/0000048333.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-3134237504563094975</id><published>2009-11-30T13:09:00.000-08:00</published><updated>2009-11-30T13:16:36.288-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>O TREINO PSICOLÓGICO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQ00URj1iI/AAAAAAAACvA/jy6cJ-PPvrw/s1600/Imagem+051.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 352px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410007125779011106" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQ00URj1iI/AAAAAAAACvA/jy6cJ-PPvrw/s400/Imagem+051.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Ali em pé, ao balcão daquele restaurante que eu havia escolhido para comer uma sandes acompanhada dum refrigerante, pois o excesso de trabalho obrigava-me a uma refeição rápida, acabei por me demorar muito mais do que o inicialmente  previsto. Despertou-me a atenção uma conversa do indivíduo na faixa etária dos sessenta que se encontrava mesmo ao meu lado e que relatava, com a boca cheia, a forma como tinha decorrido a cerimónia do Domingo anterior a que ele havia ido assistir com a sua esposa : o juramento de bandeira dum seu afilhado, agora paraquedista. A determinada altura contava ele ao seu companheiro algumas peripécias impressionantes relacionadas com a dura instrução a que o seu afilhado agora boina verde havia sido sujeito. Repentinamente, levou um guardanapo de papel à boca, num esforço visível e incontrolado para conter o vómito iminente. Relatava naquele momento como terminavam os testes de apuramento daquela futura tropa de elite. Cada militar, para ganhar a boina, tinha de matar uma galinha à dentada !!!&lt;br /&gt;Paraquedistas, Comandos, Operações Especiais, Fuzileiros e Rangers eram tropas alta e duramente preparadas para a guerrilha que haviam de enfrentar  em terras de África.&lt;br /&gt;Lembro-me dum amigo da adolescência a quem o cabelo caíu em peladas dispersas e o seu rosto ficou coberto de crostas em virtude da enorme pressão psicológica durante o decorrer dos treinos de especialização. Certa noite foi abruptamente acordado por volta das três horas, conduzido pelo cabo-de-dia ao Comando e aí foi-lhe friamente anunciada a morte do seu pai. O “choque psicológico” estava dado ! Alguns minutos mais tarde o oficial e o cabo de serviço transmitiram-lhe a contra-informação. Era mentira ! Aquela encenação fazia parte dos planos de treino. Os treinos psicolígicos não se ficavam por aqui, mas eram, sem dúvida, os mais marcantes para a preparação das forças de elite. Caminhar pelos esgotos, submersos até ao pescoço com todo aquele líquido imundo e a merda a tocar-lhes na boca, tudo isso não passava duma brincadeira se comparados com os outros treinos que me repugnam descrever. Visavam transformar um pacato, quiçá mimado e sempre perfumado rapaz, numa máquina de guerra apta a enfrentar todas as dificuldades com as quais decerto haveriam de se confrontar no cenário de guerra.&lt;br /&gt;Partiam da Metrópole convencidos da sua intensa e apurada preparação física e psicológica, desejosos de entrar em combate. Contudo, por vezes, quando subiam e actuavam no real palco da guerra, esqueciam ou descuravam aquilo que com tanta insistência lhes havia sido ensinado. Durante a instrução os monitores não se cansavam de repetir que “suor derramado na instrução era sangue poupado em combate” !&lt;br /&gt;Do soldado Comando Belmiro nunca mais tive notícias desde que veio evacuado para a Metrópole. Durante uma operação foi transportado, juntamente com outros camaradas, num helicóptero Puma até ao local onde era suposto irem defrontar-se com o inimigo.&lt;br /&gt;Estes bem preparados “Rambos” manifestavam inquietação : uns benziam-se, outros rezavam, esforçando-se por abafarem e travarem os movimentos quase incontroláveis do bater acelerado dos maxilares. – Ânimo, meus bravos ! Vocês são os melhores ! – assim gritava, superando o ruído envolvente, um superior, enquanto os ia empurrando da altura a que se encontrava aquela máquina voadora, a qual por ali pairava sobre a mata verde apenas durante alguns segundos. Depois afastava-se, veloz, desaparecendo dos seus campos de visão.&lt;br /&gt;A dura experiência adquirida nos treinos traíu o soldado Belmiro na altura do salto. Trinchou a própria língua, ficando metade dela sepultada ou devorada pelas formigas naquele minúsculo pedaço da tão extensa terra angolana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-3134237504563094975?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/3134237504563094975/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=3134237504563094975' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/3134237504563094975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/3134237504563094975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/o-treino-psicologico.html' title='O TREINO PSICOLÓGICO'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQ00URj1iI/AAAAAAAACvA/jy6cJ-PPvrw/s72-c/Imagem+051.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-2009638738050405126</id><published>2009-11-30T12:15:00.000-08:00</published><updated>2009-11-30T12:31:48.345-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>EXTRACTO DOS MEUS CONTOS: "HISTÓRIA DUM CARTEIRO À MODA ANTIGA DURANTE A GUERRA COLONIAL"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQo6ZcyTNI/AAAAAAAACu4/ncjzrz0lBY0/s1600/OgAAAPUJvYriKA1cpy43PZ8rDc6s9D24yUI1-QFCdGgo-KWbbdEgI-oAx9Gi1io-iKyp6ztkxb_7u6RJom_emI3UzMMAm1T1UPHCCODXZlum-bdWEMUumgZpJVc7.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 299px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409994036107955410" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQo6ZcyTNI/AAAAAAAACu4/ncjzrz0lBY0/s400/OgAAAPUJvYriKA1cpy43PZ8rDc6s9D24yUI1-QFCdGgo-KWbbdEgI-oAx9Gi1io-iKyp6ztkxb_7u6RJom_emI3UzMMAm1T1UPHCCODXZlum-bdWEMUumgZpJVc7.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Este texto é uma súmula de histórias mais ou menos longas e que relatam uma parte da vida profissional do meu saudoso pai como Carteiro. Curiosamente, durante a minha especialização militar, estudei uma disciplina relacionada com esta actividade muito complexa (SPM-Serviço Postal Militar).&lt;br /&gt;Após o 25 de Abril quem era interpelado na rua por um Carteiro retraía-se quase sempre em virtude do seu difícil reconhecimento. De cabelos grandes e despenteados, barba desgrenhada, calças de ganga e calçado de ténis sujos e rotos. Apenas o monte de cartas na mão nos permitia a sua identificação.  Outrora o Carteiro tinha a obrigatoriedade de apresentar-se à sociedade tal como os restantes funcionários públicos, sobretudo fardados, ou seja :  bonito por fora, não importando a desarrumação interior...  Assim, o cabelo deveria estar bem aparado, a barba muito bem escanhoada, as unhas dos dedos das mãos curtas e limpas, os sapatos pretos muito bem engraxados, os metais do boné, lapela do casaco e botões areados até reluzirem e um sorriso sempre patente para oferecer aos “destinatários”.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;                  &lt;strong&gt; Lá vem o Carteiro ! Lá vem o Sr. Mário !&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;                                                 &lt;br /&gt;                   Ouvi-lo chegar agora&lt;br /&gt;                   Já não tem o mesmo sabor&lt;br /&gt;                   Nem dá p’ ra haver amizade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   Chega lesto e vai embora&lt;br /&gt;                   Sobre rodas e a motor&lt;br /&gt;                   Perdeu de todo a vaidade&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após muitos anos – nunca se sabia quantos – com a categoria de Carteiro de Reserva, pois enquanto nessa condição todo o tipo de serviço tinha de ser cumprido e o giro (zona de distribuição da correspondência) nunca era certo. Se quisesse progredir na carreira teria de submeter-se a  um curso que o obrigava a muito trabalho e estudo para depois enfrentar um concurso e a consequente, embora nem sempre isenta, avaliação profissional.  O meu pai lá foi promovido a Carteiro de 3ª, alguns anos mais tarde a 2ª, até atingir a categoria de 1ª, acabando reformado com uma que nem sequer chegou a exercer : a de Monitor.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;                   &lt;strong&gt;Farda/Fardo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   Aquela farda envergando&lt;br /&gt;                   E grande honra tendo nela&lt;br /&gt;                   A vida-fardo carregando&lt;br /&gt;                   E sempre achando-a tão bela !&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi um percurso muito duro, repleto de histórias às  quais os mais novos não têm acesso e quando têm dificilmente compreendem e nem sequer acreditam.&lt;br /&gt;O país estava embrenhado na Guerra Colonial e os mancebos eram recrutados por todo o lado, independentemente das suas capacidades psíquicas ou físicas.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;As relações sociais num aglomerado populacional predominantemente rural não eram, como ainda não o são, obviamente, iguais aquelas dos condomínios convencionais nas grandes cidades, nos quais mesmo que os prédios só possuam um elevador a servir dois ou três pisos, os condóminos quando se encontram a viajar nele apertados, pele contra pele, não se cumprimentam, ignorando-se entre si enquanto aquele caixote sobe ou desce, uns esforçando-se por olharem para o tecto, outros baloiçando as chaves do carro enquanto vão mirando a barguilha, outros, os “agarradinhos do celular”, enviando ou procurando mensagens e outros, até, aproveitando despudoradamente  para coçarem os tomates. Na maior parte das vezes  nem sequer manifestando uma cortesia, mesmo que hipócrita,  de segurarem a porta quando o vizinho ou a vizinha vão a entrar ou a sair... Curiosamente podem encontrar-se algumas destas pessoas na missa dominical cumprimentando-se efusivamente, “saudando-se na paz do Senhor”, com muita fé (...)&lt;br /&gt;O Carteiro, por demais carregado com tanta notícia de riso e choro, surgia cada vez mais perto em virtude das suas passadas sempre muito largas, enfrentando finalmente o primeiro aglomerado ruidoso e inquieto : os seus destinatários que diariamente ali, sensivelmente no mesmo horário, aguardavam notícias dos seus netos, filhos, maridos, pais, namorados ou simplesmente vizinhos e amigos. Aqueles aerogramas, cartas ou postais haviam sido escritos há pelo menos dois dias, as notícias que relatavam poderiam, entretanto, de alguma maneira, haver sido drasticamente alteradas. Mas não ! Quem se atreveria a pensar assim ? O ritual da abertura da correspondência era sempre o mesmo : rasgava-se apressadamente o aerograma ou a carta como se do seu interior se esperasse ver saltar milagrosamente, de braços bem abertos, o ente querido.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;                   &lt;strong&gt;Carteiro e Conselheiro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   Quase todas as famílias portuguesas&lt;br /&gt;                   Tinham no Carteiro um elo muito amigo&lt;br /&gt;                   Que os ligava da Guiné até Timor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   Trazia cartas / ”aeros” d’ incertezas&lt;br /&gt;                    - O seu menino não corre qualquer perigo !&lt;br /&gt;                    (Sorria sempre escondendo a sua dor...)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Àquele Carteiro foram também levados para a guerra dois dos seus três filhos. Com o coração bem apertado pelas amarras da angústia, lá ia distribuindo as notícias, por vezes com a dificuldade dos atropelos das pequenas multidões ansiosas, mas mantendo sempre patente no seu rosto suado um sorriso autêntico enquanto da sua veia poética iam brotando simultaneamente palavras de ânimo, esperança, fé, embora educadamente fosse avançando sempre, porque ainda havia muita correspondência para distribuir e também desejoso estava ele de chegar a casa e saber dos seus... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQowyDXLMI/AAAAAAAACuw/jaFYLWZKDL8/s1600/Imagem+049.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 352px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409993870913514690" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQowyDXLMI/AAAAAAAACuw/jaFYLWZKDL8/s400/Imagem+049.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-2009638738050405126?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/2009638738050405126/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=2009638738050405126' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/2009638738050405126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/2009638738050405126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/extracto-dos-meus-contos-historia-dum.html' title='EXTRACTO DOS MEUS CONTOS: &quot;HISTÓRIA DUM CARTEIRO À MODA ANTIGA DURANTE A GUERRA COLONIAL&quot;'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQo6ZcyTNI/AAAAAAAACu4/ncjzrz0lBY0/s72-c/OgAAAPUJvYriKA1cpy43PZ8rDc6s9D24yUI1-QFCdGgo-KWbbdEgI-oAx9Gi1io-iKyp6ztkxb_7u6RJom_emI3UzMMAm1T1UPHCCODXZlum-bdWEMUumgZpJVc7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-2530002782016901948</id><published>2009-11-30T11:55:00.001-08:00</published><updated>2009-11-30T12:02:06.306-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>LAURA</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;Tela de Neves de Sousa&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQjTDMdgVI/AAAAAAAACug/1KnuC05yDbE/s1600/1-Mulher-de-Cabinda.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 223px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409987862560866642" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQjTDMdgVI/AAAAAAAACug/1KnuC05yDbE/s400/1-Mulher-de-Cabinda.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(imagem do blogue: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://coresepalavras.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://coresepalavras.blogspot.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto permaneci instalado no Batalhão de Sanza Pombo, aguardando transporte para Quicua, acabei por ser requisitado para aí prestar serviço da minha especialidade durante uns quinze dias, substituíndo um camarada em férias.&lt;br /&gt;Durante uma folga fui convidado por outro Operador de Cripto a fazer uma visita à enorme sanzala que aí tinha vindo a crescer. O objectivo era, naturalmente, procurar umas negrinhas e passar um bom bocado na sua companhia. Encontradas duas amigas que passeavam juntas, metemos conversa, tendo o meu camarada a egoística atitude de se lançar àquela que, aparentemente, era a mais boazona. Puro engano o seu ! Contou-me posteriormente que deu-lhe algum dinheiro (não havia ali preço previamente estabelecido) e foi-se logo embora, desiludido. Enquanto praticava o “acto” ela arrotou e ele foi obrigado a desviar a cara. Ela pediu-lhe desculpa e continuaram. Porém, aquela negrinha bonita e boazona, fã dum cantor brasileiro muito pequenino, mas em voga : Nelson Ned, começou a cantar : “receba flores que lhe dou...”. O rapaz, num gesto brusco, levantou-se, vestiu-se e dali fugiu a sete pés.&lt;br /&gt;A minha Laura, uma rapariga baixa, franzina, frágil, manifestou uma ternura incrível para uma situação de ocasião como aquela. Descobrimos quase instantaneamente que existia empatia entre nós. Era uma rapariga muito educada, com conversas interessantes. Só voltei à Unidade para jantar, saíndo novamente para dormir (ou melhor, passar a noite) com ela. De manhã encontrava-me tão esgotado que nem a Miss Mundo me convenceria...&lt;br /&gt;Namorámos, ou melhor, fomos amantes, durante cerca de seis meses. Sempre que me surgia uma oportunidade lá ia eu, mais ou menos clandestinamente, até Sanza Pombo, uma viagem de ida e volta efectuada em picada e com várias horas de percurso. Mas sabia-me bem. Chorámos na despedida e deixei-lhe como recordação um rádio transistorizado. Já na Metrópole ainda trocámos correspondência. Deu-se o 25 de Abril, seguido da guerra civil em Angola. Nunca mais tive notícias da minha amiga Laura Manuel.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-2530002782016901948?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/2530002782016901948/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=2530002782016901948' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/2530002782016901948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/2530002782016901948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/laura.html' title='LAURA'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQjTDMdgVI/AAAAAAAACug/1KnuC05yDbE/s72-c/1-Mulher-de-Cabinda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-773918128482906242</id><published>2009-11-30T11:27:00.000-08:00</published><updated>2009-11-30T11:37:16.073-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>A DESCOBERTA DOS ELEFANTES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQddvxGOMI/AAAAAAAACuQ/RughKe-DwOI/s1600/elephant1_50.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 283px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409981449254615234" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQddvxGOMI/AAAAAAAACuQ/RughKe-DwOI/s400/elephant1_50.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Não existindo água potável, o sistema de abastecimento era efectuado do seguinte modo :&lt;br /&gt;Fazíamos deslocar até ao rio uma viatura pesada Berliet com uma cisterna enorme na caixa de carga. O relativamente pequeno percurso era acompanhado de escolta e todos os camaradas que aproveitavam para lá se irem banhar ou apenas refrescar iam armados. Esta regra nem sempre era cumprida, pois embora mesmo para nos deslocarmos ao balneário e sanitários a G-3 nos devesse sempre pesar no ombro, a rotina, por vezes, tentáva-nos a descurar as medidas de protecção e segurança que se impunham.  O mesmo acontecia em relação à eventual minagem dos trilhos e picadas sobre as quais nos deslocávamos. Por vezes apelidavam-me de inconsciente ou imprudente, eu sabia que sim, e não discutia. Acabávamos por constatar, contudo, que realmente nenhum ser humano suportaria a pressão psicológica de ter medo durante tanto, tanto tempo de comissão. Por vezes, sentado no banco lateral dum Unimog, com a G-3 entre as pernas, apoiava o queixo no tapa-chamas e com os pés bem fixos acabava por adormecer, durante alguns momentos, claro. Dizia, então, para comigo : - Seja o que Deus quiser !&lt;br /&gt;Chegados à beira do rio, uma mangueira flexível, com um diâmetro de mais ou menos dez centímetros, era colocada no seu leito de águas correntes embora vagarosas, o motor barulhento era accionado e procedia-se assim à sucção da água necessária, ou seja, até ao completo enchimento da cisterna.&lt;br /&gt;O camião tinha o seu local de repouso sempre no mesmo sítio e as suas torneiras forneciam-nos o precioso líquido. Contudo, antes de se proceder à sua utilização o meu amigo Serra levava da tenda a caixinha de madeira que continha o equipamento e os produtos químicos necessários à sua análise e tratamento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Os balneários e sanitários haviam sido construídos pelos mais habilidosos, já experimentados em trabalhos similares. Cavaram uma fossa e para lá se dirigiam, através das tubagens, os detritos líquidos e sólidos. Os urinóis eram totalmente feitos com argamassa, com dois pisa-pés e um buraco ao centro.&lt;br /&gt;Apoiados em pilares de madeira, a uma altura de aproximadamente três metros eram colocados vários bidons de duzentos litros, ligados na base entre si, para assim criarem uma energia potencial cinética maior, fazendo jorrar um fluxo de água ideal à sua saída dos chuveiros fixos nas paredes.&lt;br /&gt;Certo dia acordámos com um odor insuportável, o qual se difundia por todo o aquartelamento. Aquele cheiro já nos era, de certa maneira, familiar, só que agora havia-se tornado muito mais intenso. E a nossa memória depressa nos ajudou a descodificar aquele insólito acontecimento. A cisterna já havia suportado dois dias de intenso calor. Sendo a água um líquido insípido e havendo aquela sido analisada e devidamente tratada, logo atribuímos ao analista Serra a culpa por tal facto, pois, no nosso imediato juízo, ele havia trocado os produtos químicos ou exagerado na sua aplicaçao.&lt;br /&gt; À medida que aqueles quilolitros de água foram sendo chupados pela mangueira e derramados naquele chão ligeiramente inclinado, começámos a ver surgir fragmentos que se assemelhavam e cheiravam a palha podre, os quais não eram, de forma alguma, suposto repousarem no fundo da cisterna.&lt;br /&gt;O Serra foi imediatamente investigar o local do rio onde aquela água havia sido sugada. Procurou, às apalpadelas, na pequena profundidade daquele rio de águas frescas, e concluíu de imediato a sua investigação. Trazia nas mãos pedaços enormes de bosta de elefantes e nas margens acabaríamos por detectar as pegadas que indiciavam a passagem recente da  manada duma margem para a outra.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-773918128482906242?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/773918128482906242/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=773918128482906242' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/773918128482906242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/773918128482906242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/descoberta-dos-elefantes.html' title='A DESCOBERTA DOS ELEFANTES'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQddvxGOMI/AAAAAAAACuQ/RughKe-DwOI/s72-c/elephant1_50.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-2578459464494114737</id><published>2009-11-30T11:11:00.000-08:00</published><updated>2009-11-30T11:27:12.871-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>O MÉDICO MILITAR</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;LARVA DE ANOPHELIS, causadora do Paludismo&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQaJIfcvbI/AAAAAAAACuI/H5tK7KXsz1s/s1600/anopheles.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409977796579343794" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQaJIfcvbI/AAAAAAAACuI/H5tK7KXsz1s/s400/anopheles.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Geralmente, na mata, a presença do médico fazia-se substituir pela maior ou menor experiência do furriel ou do cabo enfermeiro. Estes últimos iam adquirindo um traquejo clínico e até cirúrgico, por forma a colmatar a ausência dos alferes-médicos, recém-formados e obviamente, sem currículo e, na maioria,  sem vocação.&lt;br /&gt;Naquele dia quente aterrou na pista do nosso aquartelamento um alferes-médico para efectuar, durante uma semana, um rastreio clínico aos militares e população autóctone.&lt;br /&gt;No primeiro dia de consultas observou dezoito pessoas e a todas elas diagnosticou paludismo (doença tropical contraída em consequência da picada dum insecto). Haviam-lhe ensinado durante a especialização que aquela era a doença mais frequente nos países tropicais. O tratamento preferencial, aliás não havia outro, era ministrado sob a for de comprimidos : Resoquina, para além do controle constante do estado febril, aplicando-se panos molhados sobre a testa e todo o resto do corpo, substituindo-os sempre que necessário. Na minha tenda chegámos a fazer turnos, dia e noite, a um camarada com hipertermia.&lt;br /&gt;Resoquina tomava-se por tudo e por nada.  Continha uma substância de alto teor de acidez e por isso devia ser tomado com muita água e, caso houvesse, algo sólido (uma côdea dura de pão, por exemplo). Quando prescrito havia sempre o cuidado reiterado de indicar ao doente aquele procedimento.&lt;br /&gt;No último dia da visita do médico ao aquartelamento, e dado encontrar-me muito debilitado física e psicologicamente, resolvi colocar-me na fila para solicitar ao médico autorização para me serem fornecidas cápsulas vitamínicas, que eu sabia existirem num armário da Enfermaria, assim como o ansiolítico, hipnótico, miorrelaxante e anti-convulsiomante DIAZEPAM. Assim, evitaria ao meu amigo enfermeiro (por vocação) Luis Duque futuros constrangimentos e até uma eventual sanção disciplinar sempre que mos trouxesse, um a um, às escondidas. O Luís era um excelente rapaz e um bom amigo. Decorador e vendedor de móveis tornou-se num paramédico excepcional, a quem não o conhecendo, se lhe poderia retirar o “para”. Tinha vocação e era dedicado e exemplar tanto nos diagnósticos como nas pequenas intervenções cirúrgicas. O cansaço psicológico daquele ambiente bélico já não lhe permitia aplicar uma injecção sem primeiro beber uma cerveja Nocal. Chegava a beber trinta cervejas por dia, mas sempre lúcido e alegre : “tinha bom vinho ! “, como na gíria se costuma dizer. Também daria um bom psicólogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas um exemplo : Entra um negro de aspecto robusto na Enfermaria e, com algum constrangimento, mas logo apoiado pela forma como foi recebido e entendido pelo Luís Duque, acaba por “confessar”  ter  “perdido apetite pelas mulher”, solicitando “remédio” para que  “a coisa voltasse funcionando”. O Luís conversou com ele, examinou-o, achou tudo normal e atribuiu aquela disfunção a factores de ordem psicológica. Então, entregou-lhe um comprimido branco sem marca (tratava-se daqueles comprimidos que colocávamos regularmente na água e que se destinavam a compensar a perda de sal).&lt;br /&gt;O negro saíu agradecido. No dia seguinte aparece novamente na Enfermaria, com um sorriso atrevido, dando um apertado abraço ao meu amigo enfermeiro, dizendo-lhe com um incontido agradecimento : - Pucha, nosso cabo, aquela medicação é tiriqueda ! Duas mulher, pucha, duas mulher, nosso cabo !&lt;br /&gt;Porém, apoiado no seu “incontestável conhecimento científico”, o senhor-doutor-alferes-médico entendeu também diagnosticar-me paludismo. Dado o meu estado de fraqueza aceitei o seu diagnóstico e, após a consulta, corri a tomar o Resoquina. Eu (tal era o meu estado) que não me cansava de aconselhar aos outros que tomassem aquele medicamento com muita água, ingeri-o apenas com um golinho. O resultado depressa se fez sentir : vómitos consecutivos seguidos de prolongados e incontroláveis espasmos. Fui evecuado para o Posto Médico do Batalhão. Aí esperei e desesperei, sofrendo as dores e o mau-estar a nível do aparelho digestivo, durante quatro longas horas, até ao regresso do senhor doutor que se havia deslocado a uma frente de combate para acorrer a uma emergência (o doente era Oficial, claro !).&lt;br /&gt;Quase noite, o senhor doutor chegou a Sanza Pombo e, como já tinha recebido via rádio a indicação da minha presença e estado aparente de saúde, dirigiu-se imediatamente ao Posto Médico.&lt;br /&gt;Aí, preparou a seringa, tentando, por via endovenosa (pela veia) aplicar-me uma substância que eu reconheci como sendo a substância activa dum medicamento já conhecido : Buscopam. Mas foi com enorme dificuldade que o médico conseguiu “encontrar” a veia. A seringa já continha sangue quer no interior quer no exterior. O meu bracinho ia sendo picado várias vezes até que acabou por acertar e injectar apenas a metade do líquido que restava.&lt;br /&gt;Após o “muito-obrigado senhor doutor”, ele ainda me passou com um antiséptico no braço que se ia tornando arroxeado, dizendo-me : - É pá, tu tens uma veia extremamente difícil de encontrar !&lt;br /&gt;Arrastei-me até ao fundo da única rua existente, entrei numa loja, daquelas que vendem de tudo, comprei uma cerveja preta e dois ovos. No aquartelamento fiz uma gemada e tomei-a. Quando tomei conhecimento de que só daí a uns dias havia transporte até Quicua, nos dias seguintes voltei a repetir o tratamento caseiro mas efectivamente eficaz, que eu havia aprendido com a minha avó.&lt;br /&gt;Terminada a comissão de serviço e já na Metrópole, a Empresa onde reocupei o meu posto de trabalho, tinha já um protocolo com uma Clínica na qual se praticava a Medicina do Trabalho. Para além da consulta e respectiva radiografia ao tórax mandaram-me fazer análises ao sangue e à urina. Entrei naquela salinha branca onde andavam dum lado para o outro duas meninas também todas muito branquinhas, desde a touca aos sapatinhos ortopédicos. Uma delas, a loirinha com carinha angelical – devia ter uns vinte anitos – mandou-me sentar, colocou-me o garrote e preparou a seringa para a extracção de sangue para análise. Senti um calafrio e não pude deixar de a advertir : - Menina enfermeira, eu tenho uma veia muito difícil de encontrar ! Olhei para o lado, pois na altura fazia-me impressão a picadela, e ela, quase de imediato responde-me com uma vozinha tão doce : - Não tem nada, não senhor ! Já está, viu ? &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-2578459464494114737?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/2578459464494114737/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=2578459464494114737' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/2578459464494114737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/2578459464494114737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/o-medico-militar.html' title='O MÉDICO MILITAR'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQaJIfcvbI/AAAAAAAACuI/H5tK7KXsz1s/s72-c/anopheles.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-8978072090493334071</id><published>2009-11-30T11:01:00.001-08:00</published><updated>2009-11-30T11:09:49.030-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>A RAÇÃO DE COMBATE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQWoJ9CkAI/AAAAAAAACuA/E6Kl84E8ogs/s1600/Imagem+050.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 352px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409973931501326338" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQWoJ9CkAI/AAAAAAAACuA/E6Kl84E8ogs/s400/Imagem+050.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Medindo um metro e setenta e cinco centímetros de altura, o meu peso situava-se em cinquenta e nove quilos.  Decorria o mês de Novembro de 1972 e a comissão de serviço terminava no mês seguinte. Havia ainda pela frente um Natal e uma passagem de ano, eventos que já não provocavam tanta dor como os anteriores. Agora sim, sabia que seria o último Natal , desta vez passado em Luanda e, no dia vinte e oito daquele Dezembro terminava, física e geograficamente a presença naquele martírio com a duração de  vinte e quatro meses. Psicologicamente, já o sabia, haveria de me afectar até ao resto da minha vida.&lt;br /&gt;A Ração de Combate tornou-se, contudo, numa das melhores memórias que o tempo de guerra ofereceu.&lt;br /&gt;Mal alimentado, deslocava-me até à sanzala e comprava ovos. No bar dos soldados adquiria a cerveja preferida, a Nocal, fazia uma gemada e tomava-a pois sabia que aquele composto representava um remédio fortificante de alto teor calórico e nutritivo.&lt;br /&gt;Uma Ração de Combate continha latinhas de conserva e sumos enlatados que substituiam uma refeição equilibrada.&lt;br /&gt;Sempre que os meus camaradas partiam para uma operação na mata, invariavelmente por volta das 5 horas da manhã, lá me encontrava eu confortando-os, brincando na medida do aceitável, olhando-os um a um, perguntando-me a mim próprio qual deles regressaria cadáver, cego, mutilado ou louco...  Geralmente a despedida era um acto mudo. Apertava com mais ou menos força um dos braços daqueles rapazes carregados como se fossem para uma expedição. Ou , simplesmente, colocava-lhes a mão sobre um dos ombros, sempre sem palavras, mas que significava : - Coragem amigo, cá te esperamos !...&lt;br /&gt;A cada um daqueles rapazes era distribuída uma ou mais rações de combate, conforme os dias previstos para a operação na mata. E se um deles não gostava de sumo de pêssego trocava-o por uma lata de atum com aquele que detestava aquele peixe. Efectuadas as trocas entre si, sobravam sempre umas latinhas que, no entender de alguns, só serviam para os carregar ainda mais. Por isso, valia a pena sujeitar-me (não era só eu, evidentemente) àquela cena angustiante, mesmo que o cacimbo ainda molhasse bastante, para conseguir umas latinhas do que quer que fosse. Era também o instinto de sobrevivência a funcionar.&lt;br /&gt;No verso duma fotografia enviada, naquela ocasião, à família encontrava-se a inscrição : “ Aqui o Pinto Calçudo engana a malvada”.&lt;br /&gt;Bebendo um delicioso suminho de pêssego e na mão esquerda agarrando com força, como temendo que fugisse, um pedaço de pão duro e seco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-8978072090493334071?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/8978072090493334071/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=8978072090493334071' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/8978072090493334071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/8978072090493334071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/racao-de-combate.html' title='A RAÇÃO DE COMBATE'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQWoJ9CkAI/AAAAAAAACuA/E6Kl84E8ogs/s72-c/Imagem+050.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-6894077689415016832</id><published>2009-11-30T10:05:00.000-08:00</published><updated>2009-11-30T11:10:45.773-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>A CÓLERA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQQbcDaIlI/AAAAAAAACt4/LHvWuncF46o/s1600/220px-Vibrio_cholerae.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 220px; DISPLAY: block; HEIGHT: 179px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409967115951809106" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQQbcDaIlI/AAAAAAAACt4/LHvWuncF46o/s400/220px-Vibrio_cholerae.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Vibrio cholerae ou vibrião colérico, bactéria vista ao microscópio, agente causador da cólera&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Febre, vómitos e diarreia eram os principais e mais visíveis sintomas da terrível epidemia. Por todos os meios disponíveis e por toda a parte se faziam apelos à manutenção redobrada dos cuidados higiénicos, assim como à repetida lavagem dos alimentos crus e também quanto à fervura da água, quer se destinasse a ser bebida, quer para a confecção das refeições.&lt;br /&gt;Por ser considerada uma doença contagiosa todas as pessoas que apresentassem os sintomas eram evacuadas o mais rápido quanto possível para unidades hospitalares.&lt;br /&gt;Evacuações, a maior parte delas, efectuadas nos helicópteros da Força Aérea.&lt;br /&gt;O surto epidémico passou a preocupar-nos mais do que a guerra. Em consequência da tenebrosa doença o intenso e também febril movimento das mensagens recebidas e expedidas, as quais se atropelavam umas às outras, foram quebrando as regras da prioridade. As mensagens classificadas como “Rotina” desapareceram. As “Urgentes” passaram a “Imediato”, tomando estas últimas a classificação de “Relâmpago”. Agora todas eram “Relâmpago”, classificação geralmente só utilizada em casos extremos.&lt;br /&gt;Certa noite, por volta das três horas, acordei com todos os sintomas da Cólera. Os meus maxilares embatiam incontrolavelmente um contra o outro ; um calor abrasador em todo o corpo, associado ao suor que já havia alagado a roupa interior e os lençóis. Saltei do beliche, provocando a queda o despertar do meu camarada do “rés-do-chão”. Entretanto, todos os outros camaradas despertaram em virtude daquele barulho invulgar. Acenderam o candeeiro a petróleo, pois o gerador era desligado à meia-noite.&lt;br /&gt;Pedi ao meu amigo Bárbara que me colocasse a mão na testa, verificando assim, pela apalpação, se eu estava assim tão quente quanto me parecia estar.&lt;br /&gt;- Estás gelado, pá ! Estás mesmo fresquinho ! – gracejou, tentando animar-me.&lt;br /&gt;Ele sabia que eu era um indivíduo nervoso e muito sensível e, em virtude do nosso cansaço, conjecturou imediatamente que o meu estado seria de origem psicológica.&lt;br /&gt;Abriram uma lata de leite condensado, aqueceram-na, misturaram-lhe Ovomaltine e algum açucar e colocaram-me a caneca de loiça entre as duas mãos para que as aquecesse. Ligaram o rádio transistorizado. Enfim, aqueles rapazes cansados e acordados em sobressalto a meio da noite só voltaram a repousar depois de me verem mais calmo e também eu lá me deitei e adormeci tranquilo pensando no que os efeitos exteriores podem causar ao nível da mente... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-6894077689415016832?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/6894077689415016832/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=6894077689415016832' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/6894077689415016832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/6894077689415016832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/colera.html' title='A CÓLERA'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQQbcDaIlI/AAAAAAAACt4/LHvWuncF46o/s72-c/220px-Vibrio_cholerae.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-5035327163520348419</id><published>2009-11-30T09:17:00.000-08:00</published><updated>2009-11-30T10:04:41.681-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>NA VILA DE SANTA CRUZ</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQGTBW-bqI/AAAAAAAACtw/_UgCWFVgZCc/s1600/Imagem+048.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 352px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409955976230891170" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQGTBW-bqI/AAAAAAAACtw/_UgCWFVgZCc/s400/Imagem+048.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Pertencendo a uma Unidade de Recompletamento, e em virtude de a Companhia de Artilharia na qual havia prestado serviço ter regressado à Metrópole, fui colocado numa Companhia de Engenharia que se encontrava instalada no norte, na simpática embora desabitada vila de Santa Cruz.&lt;br /&gt;Já tinha acabado de assistir ao espectacular pôr-do-sol. Era hora de jogar às cartas, ao monopólio, ler ou simplesmente ouvir música. É verdade ! Ouvir música ! Através dum rádio pequeno e transistorizado,  a cuja antena se enrolava um arame extenso e, em onda-curta, com os inevitáveis mais ou menos acentuados ruídos de fundo, captava os muito bons programas nocturnos e realizados por excelentes profissionais, quer os mais consagrados e oficiais difundindo a partir de Luanda, quer os esforçados regionais, ou mesmo ainda os estrangeiros, a partir do Congo ou até da África do Sul. De Luanda recordo com nostalgia o “Café da Noite”, na voz de Sebastião Coelho ; a Rádio Ecclesia ; os programas que  apenas “passavam” música africana ; os frenéticos sul-africanos emitindo a partir de Joanesburgo : “You are listening to the radio RSA, the voice of South Africa...”&lt;br /&gt;O comandante da Companhia de Artilharia responsável por aquela vila, um capitão psicologicamente desequilibrado era assessorado por um segundo-comandante, um alferes miliciano, figura repugnante a sugerir um daqueles oficiais SS das tropas nazis.&lt;br /&gt;Filho dum brigadeiro, segundo se constava, valia-se desse facto para impôr a sua desmedida autoridade aos seus subordinados, tratando-os mesmo abaixo de cão. Usava um chicote na mão direita e passava todo o tempo batendo com ele na própria perna. Tinha, decerto, plena consciência de que o seu aspecto físico era gémeo do seu carácter asqueroso. Era, realmente, uma personalidade aberrante, descontente consigo próprio ou com a Natureza que o moldou com tantos defeitos de fabrico. O alferes Mota Freitas jamais me saíu da memória superficial, pois somente nos livros e filmes de ficção conheci uma figura tão desumana.&lt;br /&gt;A Engenharia militar tinha vindo a realizar nesta zona melhoramentos importantes e os Movimentos de Libertação tinham perfeita consciência de que estávamos a trabalhar para eles. Além disso, desde que não os perseguissem, também não faziam mal a ninguém. Mas existiam militares que não gostavam daquele sossego, estavam sempre na expectativa de “desenferrujar o armamento”. Então, com um comandante com um perfil  desiquilibradamente belicista, o apetite aguçava-se-lhes e estavam sempre desejosos  de entrar em acção. Outros, então, trabalhavam, cumpriam escrupulosamente com o seu dever, mas aproveitavam os seus momentos de lazer para fazer canteiros com flores ou passear de carro de mão, como ilustram as fotografias :&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQGMbRC6lI/AAAAAAAACto/pQfpzVzIIDA/s1600/Imagem+047.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 352px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409955862926256722" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQGMbRC6lI/AAAAAAAACto/pQfpzVzIIDA/s400/Imagem+047.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; .&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A vila de Santa Cruz, à semelhança de tantas outras, havia sido projectada numa extensão de mais ou menos quinhentos metros, com vivendas de rés-do-chão ladeando uma estrada asfaltada. As casas encontravam-se desabitadas e visivelmente degradadas no seu exterior. E complementavam-na, como em quase todas as cidades e vilas angolanas, se bem que estrategicamente afastada, uma sanzala, donde provinha a mão-de-obra marcada com os centenários ferros da escravatura.&lt;br /&gt;Naquela vila encontrava-se um destacamento composto por uma Companhia de Artilharia formada na sua generalidade por soldados africanos, o Comando duma Companhia de Engenharia (na qual eu me integrava) e um Pelotão de Morteiros, oriundos da ilha da Madeira.&lt;br /&gt;Os soldados negros denotavam uma grande preocupação em competir, sem dúvida para melhor, com os chamados “bimbos” da Metrópole. Tornava-se, inclusivamente, agradável, ouvi-los a discutir futebol. Eram muito asseados, esforçavam-se na escolha das palavras durante as conversas que mantinham entre si e, sobretudo, connosco.  Nunca diziam que a mulher havia tido um filho ou parido, mas sim “a minha esposa concebeu...”  Não me importaria de ter passado a comissão integrado numa Companhia angolana !&lt;br /&gt;Certa noite, um soldado da Companhia de Morteiros que procedia à vigília num dos extremos da vila, avistou uma luz movimentando-se ao longe, na mata. Desatou aos tiros. Alarmou todo o pessoal militar. Muitos deles andavam fartos da monotonia em que há muito, e felizmente, se vivia. E o desejo latente de desenferrujar o equipamento bélico levou a que todo o aquartelamento acabasse aos tiros e à morteirada, tornando a pacata vila de Santa Cruz num autêntico palco de guerra. Apanhado desprevenido, atirei-me para o chão, as balas assobiando sobre a minha cabeça e assisti àquilo que parecia ser um autêntico fogo de artifício.&lt;br /&gt;Deixei de ver as estrelas, habitualmente cintilando naquele céu negro e coberto de pontos luminosos formando constelações. O firmamento havia-se transformado num colorido intenso de vermelho e amarelo. Os rebentamentos consecutivos, o fumo e o forte odor da pólvora confundiam-me os sentidos. Rastejei até ao Posto de Rádio, dirigindo-me ao Centro de Cripto. Aí chegado, peguei no cinturão que suportava as cartucheiras, apertando-o à cintura, coloquei a patilha da G-3 na posição de tiro de rajada e voltei a sair, rastejando sempre. O desenfreado tiroteio parecia não ter fim. Não sabia exactamente o que se estava a passar, contudo, admiti que o inimigo estava determinado a entrar na vila ou talvez até já tivesse entrado. Então, desapertei com dificuldade todas as cartucheiras para a eventualidade de ter de substituir os carregadores vazios por outros carregados. A insistência daquele fogo – durou aproximadamente uma hora – levou-me mesmo a pensar na medida mais drástica a que eu me havia obrigado em tal situação. Rastejei novamente até ao interior do Centro de Cripto e abri o recipiente que continha cinco litros de petróleo. Ali fiquei à espera, pronto a derramá-lo, incendiando assim toda a papelada contida no seu interior. De repente, reconheçI a voz espavorida do doido Comandante da Companhia. Pediu desesperadamente ao radiotelegrafista que contactasse o Batalhão dizendo que estávamos a ser vítimas dum ataque surpresa e que deveriam enviar auxílio aéreo.&lt;br /&gt;Ideia inconsequente e estúpida, pois era sabido que  durante a noite o apoio aéreo era praticamente impossível. &lt;br /&gt;Acto contínuo, o tiroteio começou a abrandar, ouvindo-se apenas alguns tiros dispersos. Até que se fez silêncio definitivamente. Chegou alguém ao Posto de Rádio dizendo ter  tudo sido fruto dum mal-entendido.&lt;br /&gt;No dia seguinte eram visíveis as marcas deixadas nas paredes das casas esburacadas. Um capitão doido varrido, coadjuvado por um segundo comandante e alferes asqueroso, teriam inevitavelmente de incutir nos seus subordinados aquela acção tão irresponsável. A eles foi-lhes movido o respectivo processo disciplinar. A nós foi-nos gravado para sempre na memória o horror dum episódio de guerra que, felizmente, não nos feriu materialmente.&lt;br /&gt;Na noite do segundo Natal (1971) as lágrmas correram  incontroladamente, enquanto me esforçava para deglutir a insípida refeição, mas depois acabei, tal como tantos outros camaradas, por brincar. Tanto eu como os restantes companheiros das Transmissões, animámo-nos uns aos outros e até fingimos, um por um, através do rádio, falar com o Pai Natal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-5035327163520348419?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/5035327163520348419/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=5035327163520348419' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/5035327163520348419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/5035327163520348419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/na-vila-de-santa-cruz.html' title='NA VILA DE SANTA CRUZ'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxQGTBW-bqI/AAAAAAAACtw/_UgCWFVgZCc/s72-c/Imagem+048.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-1749468943030889763</id><published>2009-11-30T08:50:00.000-08:00</published><updated>2009-11-30T09:16:36.782-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>O "AMIGO" SUL-AFRICANO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxP8pLWfAkI/AAAAAAAACtg/9CmEjoE_tYo/s1600/tc130.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 130px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409945361754030658" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxP8pLWfAkI/AAAAAAAACtg/9CmEjoE_tYo/s400/tc130.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naquela tarde calma, monótona, silenciosamente preocupante, uns dormiam a sesta “viajando” em sonhos projectados a dez mil quilómetros de distância; outros liam jornais e revistas actualizando-se com informações que já faziam parte do passado e os restantes entretinham-se a passar o tempo, esperando pacientemente que os dias e as noites se sucedessem até ao riscar com uma cruz, naquele calendário tão comprido, o almejado último dia de comissão...  De meia em meia hora o radio-telegrafista de serviço aumentava o som ao volume do rádio Racal para estabelecer a rotineira comunicação com o Batalhão e em todo o aquartelamento se conseguia distinguir o teor da breve conversa. Por vezes havia uma mensagem para receber ou para ser enviada. Então, o botão do potenciómetro era rodado por forma a aumentar ainda mais o volume e os outros selectores de ruído andavam dum lado para o outro até tornarem a comunicação  mais límpida e perceptível tanto quanto possível. Depois seguia-se a mesma ladaínha :  “Bravo Tango Alfa Oscar Foxtrot, Mike Delta Zulu India Golf...”&lt;br /&gt;Inesperadamente, começou a ouvir-se ao longe o ruído grave e característico dum avião, que se reconheceu de imediato como sendo um bombardeiro, ruído que se foi progressivamente acentuando à medida que o ponto escuro no azul do céu ia adquirindo a forma dum pássaro gigantesco, até atingir o início da pista construída em terra batida. Aquela gigantesca ave metálica já era visivelmente reconhecível planando ruidosa com as suas asas estendidas e hirtas. Já sobre a pista, com uma impressionante e irrepeensível destreza, o seu piloto acrobata desconhecido “picou” naquela pequena extensão rectangular amarelada, baixou o trem de aterragem e acariciou com as rodas, levantando alguma poeira, a pista improvisada pela Engenharia, Quase de imediato, o trem de aterragem foi recolhido e, abruptamente, levantou o seu bico gordo ascendendo até à altitude inicial, prosseguindo viagem na direcção da África do Sul. Era efectivamente uma aeronave sul-africana. O gesto do seu piloto já se havia tornado num hábito arriscado de demonstração de respeito e afecto pelas tropas portuguesas. Era uma maneira singular de nos cumprimentar. Nós, na berma da pista, acenávamos com o que tínhamos à mão, retribuindo a saudação.&lt;br /&gt;Os pilotos sul-africanos manifestavam sempre uma grande admiração pelos portugueses e não se cansavam de repetir que nós, os descendentes dos destemidos descobridores das caravelas “cascas de noz”, continuávamos a cometer a proeza de efectuarmos, por exemplo,  voos nocturnos arriscados e de combatermos inusitadamente com máquinas presas por arames...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.     &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-1749468943030889763?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/1749468943030889763/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=1749468943030889763' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/1749468943030889763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/1749468943030889763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/o-amigo-sul-africano.html' title='O &quot;AMIGO&quot; SUL-AFRICANO'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxP8pLWfAkI/AAAAAAAACtg/9CmEjoE_tYo/s72-c/tc130.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-3248761175864846748</id><published>2009-11-30T08:40:00.000-08:00</published><updated>2009-11-30T08:50:14.892-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>MÃE NEGRA</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxP1w7BUfvI/AAAAAAAACtY/rv1HAdyxA2s/s1600/Angola%2520Etnografia%252064_jpg.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 398px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409937798227853042" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxP1w7BUfvI/AAAAAAAACtY/rv1HAdyxA2s/s400/Angola%2520Etnografia%252064_jpg.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;( imagem extraída do blogue &lt;/span&gt;&lt;a href="http://amateriadotempo.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://amateriadotempo.blogspot.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Habituaram-nos a ver retratadas e filmadas, sobretudo através dos cromos das Raças Humanas e nos filmes da BBC Vida Selvagem e da National Geographic, as mulheres africanas negras sempre com as tetas ao léu. Nem sequer a palavra seios fazia parte da sua anatomia, pois eram consideradas como coisas ou animais.&lt;br /&gt;Angola começou por ser colonizada por indivíduos cadastrados, na maioria considerados como assassinos perigosos ou presos políticos indesejáveis. Eram, assim, deportados para bem longe da Metrópole. O castigo, no entender dos governantes, aliava o útil ao agradável (?)&lt;br /&gt;Aquele território imenso e fértil viria a tornar-se numa “ terra de cegos onde quem tem um olho é rei ”... O homem branco instalava-se, apoderando-se de grandes extensões de solo promissor e a mão-de-obra – gratuita – era  “recrutada” através da lei da carabina e do temor das chibatadas com o negro preso ao tronco.&lt;br /&gt;O homem branco entrava abusivamente numa qualquer sanzala, onde os nativos tinham a sua vida organizada segundo os seus costumes e as suas crenças. Já lá viviam e procriavam há séculos ou mesmo milénios, mas aos olhos dos brancos selvagens e, na maioria ignorantes, os negros eram desprovidos de alma. Assim, eram escolhidos aqueles negros que apresentassem uma compleição física mais evidente, tornando-se, então, numa força de trabalho riquíssima, descartável e facilmente substituível. As mulheres saudáveis também eram escolhidas para o trabalho e regalo sexual dos seus patrões. Mulheres, adolescentes e mesmo crianças.&lt;br /&gt;Iam, assim, sendo arrancados pela força aos seus agregados familiares. Uns para o trabalho no seu território pátrio, outros acorrentados e negociados com os piratas que os amontoavam como animais nas embarcações que eles próprios impulsionavam remando, sob o chicote, até ao outro lado o oceano.&lt;br /&gt;A História já nos revelou, através da Literatura ou da 7ª. Arte, as épocas e as condições em que tudo isto aconteceu.  É a  história da escravatura.&lt;br /&gt;Contudo, muito pouco e duma forma muito tímida se tem homenageado o sofrimento secular das mulheres angolanas. Somente após o 25 de Abril a grande maioria do povo português pôde ouvir na voz de Rui Mingas, numa das suas canções de intervenção : “...e cabeças de pretos para os motores !!!.. “. Lembro-me também daquela tão bela quanto sugestiva canção em que o Poeta canta a mulher negra e termina dizendo ter sido analisada uma lágrima a uma negra a qual continha “água e cloreto de sódio”.&lt;br /&gt;As mulheres portuguesas : avós, mães, irmãs ou namoradas sofreram desmesuradamente com a partida dos seus rapazes para a Guerra Colonial, sem dúvida ! Mas então, e as avós, mães, irmãs ou namoradas angolanas – que afinal já admitimos terem alma ?       &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-3248761175864846748?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/3248761175864846748/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=3248761175864846748' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/3248761175864846748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/3248761175864846748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/mae-negra_30.html' title='MÃE NEGRA'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxP1w7BUfvI/AAAAAAAACtY/rv1HAdyxA2s/s72-c/Angola%2520Etnografia%252064_jpg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-7181628123888973797</id><published>2009-11-29T12:31:00.001-08:00</published><updated>2009-11-29T12:42:18.877-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>AMBRIZ</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxLah3C7vsI/AAAAAAAACtA/D94zZo_OOEM/s1600/CABEAL~1.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 154px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409626377672179394" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxLah3C7vsI/AAAAAAAACtA/D94zZo_OOEM/s400/CABEAL~1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;(Imagem extraída do blogue: angolabelazebelo)&lt;/div&gt;.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A simpática vila litoral de Ambriz fica situada no noroeste de Angola, a aproximadamente cento e cinquenta quilómetros de Luanda, sendo o percurso por terra totalmente em estrada asfaltada.  Vila costeira e piscatória, tocada pelos membros inferiores do imenso mar que também banha o nosso país : o Oceano Atlântico.&lt;br /&gt;À semelhança do que acontecia em todas as cidades e vilas do litoral daquele extenso território africano (Angola tem uma área superior em catorze vezes à de Portugal Continental) proliferavam os mosquitos e outros insectos incomodativos. Durante a noite, à volta das nossas camas, tornava-se imprescindível a utilização duma rede mosquiteira. Ao mínimo descuido lá entravam furtivamente um ou mais insectos picando-nos a pele e fazendo-nos perder a paciência. Afastados os teimosos insectos tornava-se, então, um imenso prazer adormecer e acordar com o som característico das ondas rebentando nos rochedos da costa, levando até ao interior da vila o odor salgado da maresia.&lt;br /&gt;Abundava o marisco de quase toda a espécie. E eu interrogava-me : - Esta terra tão fértil, a qual permite mais do que uma colheita durante o ano e este mar tão rico em pescado (até em petróleo !) de que nos servem a nós, metropolitanos ? O marisco em Portugal é tão caro e inacessível à maioria dos portugueses ! As bananas e os ananazes, entre tanta outra fruta, apodrece aqui e lá em Lisboa – independentemente da classe média-alta – contam-se os trocos para oferecer uma bananinha a uma criança em desenvolvimento e o ananás, esse então, somente é adquirido, por alguns, quando recebem o Subsídio de Natal ? Nós, afinal estamos aqui realmente a defender aquilo que só a alguns ricalhaços pertence !...&lt;br /&gt;Para além da Companhia de Artilharia onde me integrava, alí estavam aquartelados um Grupo de Carros de Combate pertencentes aos “Dragões”, os quais utilizavam umas viaturas blindadas designadas como “carro de combate Daimler”, as quais eram utilizadas no patrulhamento nocturno da vila e da zona que a delimitava, ou serviam de escolta às colunas militares e civis, servindo-lhes de protecção.&lt;/div&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxLadFM4bKI/AAAAAAAACs4/wtS2DvqBJAI/s1600/Imagem+044.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 352px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409626295572655266" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxLadFM4bKI/AAAAAAAACs4/wtS2DvqBJAI/s400/Imagem+044.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; .&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entretanto, o Regimento de Comandos decidiu instalar no Ambriz a sua Unidade, aproveitando as características geográficas daquela zona. Ali passaram aquelas tropas de elite a fazerem a sua especialização, com vista à obtenção das boinas vermelhas.&lt;br /&gt;Eram ainda visíveis os restos duma sanzala, outrora construída à beira da vila, destruída totalmente às ordens dum capitão desiquilibrado psicologicamente, ou que se terá feito passar por tal. À semelhança do que já soubera haver acontecido noutras localidades. Nunca ninguém contabilizou o número das pessoas (negras) barbaramente chacinadas.&lt;br /&gt;Em Quicua, por exemplo, conhecia-se um caso semelhante, mas aí, o número de vítimas era aproximadamente conhecido. A sanzala foi também completamente incendiada e os homens, mulheres e crianças foram soterrados numa vala comum. De seguida, as máquinas duma Companhia de Engenharia taparam, compactaram e terraplanaram um terreno com as dimensões dum pequeno campo de futebol. Colocadas as duas balizas improvisadas sabiamos estar a jogar sobre um campo de terra batida onde se encontravam (mal) sepultados cerca de quatrocentos corpos humanos.&lt;br /&gt;O destino dos responsáveis por estas atrocidades mais ou menos conscientes (também conhecidas noutras colónias), era invariavelmente o mesmo : evacuados para o Hospital Militar em Luanda, entregues aos cuidados da Psiquiatria e dias mais tarde encaminhados para o Hospital Militar em Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxLaVv5Cp1I/AAAAAAAACsw/M3B-nqIjhUU/s1600/Imagem+043.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 352px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409626169593210706" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxLaVv5Cp1I/AAAAAAAACsw/M3B-nqIjhUU/s400/Imagem+043.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; À porta do Centro de Cripto&lt;/div&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-7181628123888973797?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/7181628123888973797/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=7181628123888973797' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/7181628123888973797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/7181628123888973797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/ambriz.html' title='AMBRIZ'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxLah3C7vsI/AAAAAAAACtA/D94zZo_OOEM/s72-c/CABEAL~1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-8556337723019659144</id><published>2009-11-29T11:54:00.000-08:00</published><updated>2009-11-29T12:16:22.855-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>O MENINO SOBREDOTADO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxLRvjZRBKI/AAAAAAAACso/yChVnnf0LTo/s1600/img43.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 213px; DISPLAY: block; HEIGHT: 331px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409616717310657698" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxLRvjZRBKI/AAAAAAAACso/yChVnnf0LTo/s400/img43.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; .&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;As crianças sobredotadas sempre existiram. O meu amigo e confidente furriel de Operações Especiais: Burnay,  desde a mais tenra idade que se salientou pela suas capacidades intelectuais. Na idade escolar, geralmente só abria os livros para efectuar consultas. Não necessariamente para estudar. Captava as matérias durante as aulas  e fixava-as na sua memória prodigiosa ; manifestava um sentido crítico muito pertinente, equilibrado e construtivo em relação às mais complexas questões. Possuía uma intuição surpreendente. Tinha uma mente brilhante e uma inteligência para além dos parâmetros normais. Os parentes e amigos auguravam-lhe um futuro promissor como detective, ou outro trabalho relacionado com a investigação. Um parente encaminhou-o para a polícia política. O Burnay, por ocasião da sua incorporação militar, já era inspector por mérito próprio. Não quis pedir espera para completar os estudos, ávido que estava em se alistar numa tropa de elite. Escolheu, assim, as Operações Especiais, em Lamego, onde concluiu o curso com distinção. Quis fazer a comissão de serviço prestando serviço como combatente. Foi mobilizado para Angola e integrado numa Companhia de Artilharia. Conheci-o no Leste já com cerca de vinte meses de comissão, faltando-lhe, portanto, apenas quatro para o regresso à Metrópole.&lt;br /&gt;O meu apelido (Silva Pais) aliado ao facto de pertencer a uma arma e especialidade conotada com os Serviços Secretos, deixavam sempre na dúvida. tanto os comandantes como o restante pessoal que conheciam o nome do director-geral da polícia política, relativamente ao meu grau de parentesco com aquele que foi, sem dúvida, o homem mais poderoso e temido do Estado Novo. Quando mo perguntavam, a minha resposta era invariavelmente a mesma : - Sou efectivamente familiar mas nunca mantive com ele um relacionamento amigável ! Esta resposta deixava-os sempre na dúvida, levando-os a agirem para comigo sempre com uma razoável prudência. E isso permitiu-me uma grande margem de segurança nas conversas de esclarecimento político junto dos outros militares.&lt;br /&gt;O director-geral da Polícia Internacional e Defesa do Estado - Direcção-Geral de Segurança (PIDE-DGS) foi um homem a quem muito poucas pessoas conheceram a cara, a obra e as suas capacidades intelectuais. O major Fernando Eduardo da Silva Pais, imediatamente após a revolução do 25 de Abril foi levado, e aí mantido prisioneiro, para o RE-1 (Regimento de Engenharia da Pontinha). Durante esse período fazia serviço nessa Unidade um dos meus melhores amigos da adolescência, o saudoso Antero Jorge. O Antero sempre havia sido um ferrenho anti-fascista. Não recordo quantas vezes tivemos de fugir e de escapar às balas traiçoeiras da Pide quando distribuíamos panfletos à população ou aos estudantes. E as fugas precipitadas quando nos encontrávamos, clandestinamente, a conversar e a ouvir cantar o Zeca Afonso ? &lt;br /&gt;Ocorre-me, por exemplo, a exibição de um filme demasiado arrojado para a época e em cartaz no Cinema Rox, em Alvalade, protagonizado por uma nova e linda actriz chamada Maria Cabral. Se a memória não me atraiçoa, julgo que com ela contracenavam o actor José Viana, entre outros. “O Cerco” era o título do filme, daqueles chamados de vanguarda, rodado quase todo na zona de Peniche, com grandes planos muito demorados, irritantemente monótonos. Retratava a actuação da Pide com muita subtileza, pois a censura era impiedosa mas, por vezes, incrivelmente estúpida.&lt;br /&gt;O Antero Jorge nem sequer podia ouvir pronunciar o meu apelido, tamanha era a raiva que nutria pelo que representava o nome do “homem” e a sua sinistra organização. Contudo, quando teve o ensejo de o ver aprisionado e “ferido de morte” quis conhecê-lo. Com ele entabulou conversa e ficou impressionado com a sua personalidade. Era dotado duma rara inteligência, vasta e abrangente cultura e duma educação extremamente refinada. Tinha um conhecimento enciclopédico da História. Por tal facto não suportava os comunistas e já prenunciava a sua inevitável decadência. O Antero contou-me haver ficado fascinado com aquela personalidade. Era, afinal, uma pessoa comum, em nada deixando transparecer um espírito monstruoso, que quase toda a gente, sem nunca sequer o haver conhecido, lhe atribuía. &lt;br /&gt;O furriel Burnay, à medida que me ia conhecendo, ia também deixando cair a capa na qual furtivamente se escondia. Confidenciou-me os seus temores, mostrou-me as caixas de Lorenin, Valium e outros tranquilizantes e anti-depressivos que há algum tempo vinha tomando. Porquê ? Simplesmente porque lhe haviam sido dados a conhecer os mecanismos da polícia sinistra para a qual, tão jovem, o tinham empurrado. Não queria voltar a fazer parte daquela engrenagem mas era tarde demais. Demitir-se era como que assinar ele próprio a sua certidão de óbito. Fugir ? Para onde ?  A ele já  haviam sido cometidas missões que lhe pesavam na consciência. E, assim, debatendo-se com os fantasmas que o atormentavam e simultaneamente contra um destino vazio - sem que mais ninguém se desse conta - a  sua comissão militar lá se ia encaminhando velozmente para o fim.&lt;br /&gt;Certo dia, numa pequena aldeia transmontana, no concelho de Armamar, apareceram três indivíduos trajando gabardinas negras,  chapéus de abas e óculos escuros à procura do humilde e iletrado Severino, o ferrador. Foram encontrá-lo  na sua loja incrustada nos calhaus, preparando-se para extrair, já anestesiado localmente com uma pouca de aguardente, um dente a um conterrâneo. O pobre homem ficou para ali sentado e aterrorizado enquanto o “dentista” foi levado aos empurrões até ao carro que havia ficado estacionado lá mais abaixo, na estrada romana. Durante cerca de quinze dias nunca mais ninguém teve notícias dele.  - Aquilo foi obra da Pide ! - dizia o senhor professor muito baixinho e timidamente. Mas sabia-se lá porquê ?&lt;br /&gt;Em Lisboa, nas instalações da Rua António Maria Cardoso, o ferrador foi mantido incomunicável durante dez dias. &lt;br /&gt;Por fim,  levado para uma sala, amarrado a uma cadeira de madeira, dificilmente pôde reconhecer aqueles que o interrogaram, tão intensa era a luz do projector que lhe estava apontado à cara. Passados menos de cinco minutos o projector foi desligado e um dos inquisidores perguntou de forma áspera e voz alta e irritada : - Afinal o que é que este gajo está aqui a fazer ? Quem é que o mandou ?&lt;br /&gt;No processo de captura constava que “...o indivíduo em causa representava uma séria ameaça à segurança nacional e aos deveres patrióticos, pois muito raramente comparecia à missa dominical e, quando esporadicamente o fazia, nunca depositava esmola na cesta por ocasião do peditório, considerando-se esta atitude como subversiva e própria dum potencial comunista”. Assinava esta informação o pároco da aldeia. O homem foi mandado embora e, envergonhado, deslocou-se a pé para casa duns familiares na Amadora e só teve coragem de voltar à terra depois de passados cinco dias.   &lt;br /&gt;Imensas foram as histórias que o furriel Burnay me contou. Tanta barbaridade ! Tanta injustiça ! Tanto terror !&lt;br /&gt;Os tentáculos da Pide estendiam-se até aos recantos das nossas próprias casas. Familiares e amigos que eram denunciados como subversivos - comunistas ! Vizinhos e colegas de trabalho ! Em toda a parte existiam informadores. Imediatamente a seguir à Revolução de Abril formaram-se filas de espera à porta da Comissão de Extinção da PIDE-DGS, com o objectivo de se conseguir um Certificado, no qual constava explicitamente que determinado fulano nunca havia sido colaborador da polícia política.&lt;br /&gt;Esses certificados encontravam-se por todo o lado : afixados nas lojas, supermercados, consultórios de advogados, de médicos, etc. para que os eventuais suspeitos pudessem livremente e fora de qualquer desconfiança  continuarem a exercer as suas actividades.&lt;br /&gt;Deixei de ver o furriel Burnay em meados do ano de 1970. Jamais soube se ele terá conseguido alcançar Abril de 1974.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-8556337723019659144?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/8556337723019659144/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=8556337723019659144' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/8556337723019659144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/8556337723019659144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/o-menino-sobredotado.html' title='O MENINO SOBREDOTADO'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxLRvjZRBKI/AAAAAAAACso/yChVnnf0LTo/s72-c/img43.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-6394029714471978304</id><published>2009-11-29T11:24:00.000-08:00</published><updated>2009-11-29T11:48:19.390-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>O AEROGRAMA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxLL9BZZ2mI/AAAAAAAACsg/XxSs_SRwRQo/s1600/Aerograma01.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 344px; DISPLAY: block; HEIGHT: 262px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409610351632833122" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxLL9BZZ2mI/AAAAAAAACsg/XxSs_SRwRQo/s400/Aerograma01.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Foi, incontestavelmente, durante o longo período de duração da Guerra Colonial, o meio de comunicação que mais encheu as Estações de Correios, os porões dos aviões, os altos e espelhados edifícios do SPM (Serviço Postal Militar), as malas de cabedal e os braços dos carteiros, espalhando-se por cidades e pelas aldeias mais recônditas. O Aerograma foi escrito e lido à mesa do rico e do pobre. Passou por cadeias e hospitais. Aos civis era distribuído na cor azul e aos militares na cor amarela. O seu custo avulso era de $30 (três tostões). Correu mundo este papel fino e desdobrável portador de notícias, sentimentos, alegrias e tristezas. Para além das letras, muitas vezes esborratadas pelos salpicos inevitáveis das lágrimas descuidadas, neles eram inscritos e desenhados lindos poemas e figuras, as quais expressavam os mais diferentes estados de alma.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Acabariam guardados em baús, gavetas ou malas, retendo sufocados, para a eternidade, memórias da verdadeira, da autêntica história vivida por toda uma população que sofreu na alma e na carne as dores intermináveis da guerra. Muitos deles escondiam por detrás das metáforas ou  frases subentendidas coisas que se receava viessem  a ser alvo da censura pidesca.&lt;br /&gt;Quando sentia necessidade de transmitir a um amigo em Lisboa alguma mensagem de cariz mais arriscado, fazia-o, não através de aerograma, mas enviando-lhe uma carta com conteúdo normal e colocando-lhe um peso superior a vinte gramas, por forma a utilizar mais de um selo.&lt;br /&gt;Por detrás dos selos a  mensagem era escrita tipo telegrama ou como hoje se pratica com as abreviaturas utilizadas nos SMS dos telemóveis.&lt;br /&gt;Os selos eram colados bem juntinhos um ao outro e a cola apenas lhes tocava no rebordo quadrangular ou rectangular (dependia do formato dos selos) por forma a que, ao serem arrancados, a mensagem, que havia sido escrita em letra minúscula e traço extremamente leve (para não se notar na face dos selos), chegasse às mãos do destinatário incólume.  Era sabido que a PIDE, quando tinha desconfianças em relação a determinado indivíduo, violava-lhe a correspondência, fazendo-o também de forma aleatória a tantos outros.&lt;br /&gt;Chamei-lhes : “...papéis de mel e fel, aerogramas...” porque veiculavam notícias alegres, mas também tristes. Recordo-me, por exemplo, daqueles camaradas que recebiam a notícia alegre do nascimento dum filho e que pagavam uma rodada de cerveja a toda a gente, mas a tristeza rapidamente se apoderava deles por saberem só virem a conhecer os seus filho(a)s muitos meses mais tarde, se o destino o permitisse.&lt;br /&gt;Na “Torre do Tombo” de algumas casas portuguesas os Aerogramas permanecem desbotados e adormecidos. Por vezes, os saudosistas visitam-nos e ainda derramam sobre eles lágrimas frescas, quando lhes aflui à memória tempos de sofrimento indescritíveis.&lt;br /&gt;Quem se lembra, ou já ouviu falar, hoje, do Aerograma ?&lt;br /&gt;Os Aerogramas tinham o apoio do MNF (Movimento Nacional Feminino) e da TAP (transportadora aérea nacional). As “tias” do MNF eram, na generalidade, senhoras ligadas à UN (União Nacional), o partido único com assento na Assembleia Nacional (hoje Assembleia da República).&lt;br /&gt;Quando o senhor general Costa Gomes tomou posse como Comandante-Chefe das Forças Armadas em Angola, teve conhecimento, entre muitos outros casos de abuso e corrupção, de que o tempo de espera para o regresso dos militares para a Metrópole, após terminada a sua já tão prolongada comissão de serviço, se arrastava por tempo indeterminado. A lista de espera para o tão desejado voo no Boeing da TAP, fretado pelas Forças Armadas, havia-se tornado num pesadelo para os militares.&lt;br /&gt;Constou-se no interior da mata (este tipo de notícias é mais veloz que um caça da Força Aérea) que, certo dia, inopinadamente, o senhor general se deslocou ao Aeroporto de Luanda, querendo analisar as listas de passageiros. Estupefacto, deparou com uma situação, no mínimo inusitada e efectivamente abusiva. Dessas listas constavam os nomes das “tias”, das esposas de alguns comandantes, assim como gente do “jet-set” local. Deslocavam-se, “à borla”, ao “PUTO” (Metrópole) para fazerem as suas compras e tratarem as suas fartas e altas cabeleiras ou fazerem o “peeling” nos mais conceituados e caros salões de cabeleireiro ou institutos de beleza.&lt;br /&gt;A partir daí, efectivamente, o tempo de espera para a deslocação de regresso dos militares alterou-se consideravelmente.&lt;br /&gt;Por esta e outras atitudes que marcaram a presença daquele general, à porta da tenda compartilhada com os meus camaradas mais esclarecidos politicamente, o Carlos Barros colou a sua fotografia recortada do Jornal do Exèrcito.&lt;br /&gt;A tomada de posse daquele general sem medo, embora prudente, gerou alguma polémica a nível político.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Lembro-me que, curiosamente, em simultâneo chefiava o Agrupamento de Engenharia em Angola o senhor general Vasco Gonçalves. No leste de Angola, para os lados de Henrique de Carvalho, na província do Moxico, comandando uma Companhia de Engenharia na mata, comecei a conhecer e a respeitar um capitão, através dos relatos contidos na correspondência trocada com um furriel dessa Unidade, o Serra, amigo da adolescência. O capitão Pinto Soares era um oficial duma integridade e humanismo a toda a prova. Curiosamente, as três personalidades atrás descritas, no dia 25 de Abril de 1974 encontrei-as, através da televisão, na mesa do MFA (Movimento das Forças Armadas).&lt;br /&gt;A ostentação da fotografia do senhor general Costa Gomes à porta da nossa tenda foi, de imediato, considerada como um acto de subtil insubordinação. Fomos aconselhados a retirá-la, com a ameaça de nos dispersarem por outras tendas.&lt;br /&gt;A Revolução de Abril já se encontrava em gestação. Era imperioso que um grupo de homens (militares) honestos e receosos de Angola e Moçambique se tornarem Vietenames, actuarem. Na Guiné, já há muito vietenamizada, contava-se com o apoio do seu Comandante-Chefe : o senhor general Spínola.&lt;br /&gt;A Revolução dos Cravos haveria de pôr um fim àqueles impressos de comunicação com sabor e odor a guerra : os Aerogramas.&lt;br /&gt;. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxLL1KsttVI/AAAAAAAACsY/5Wq6NanrNwY/s1600/Imagem+045.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 352px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409610216690791762" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxLL1KsttVI/AAAAAAAACsY/5Wq6NanrNwY/s400/Imagem+045.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; A tão esperada avioneta DO (Dornier) que nos trazia os alimentos e a correspondênia à 4ª.feira&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-6394029714471978304?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/6394029714471978304/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=6394029714471978304' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/6394029714471978304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/6394029714471978304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/o-aerograma.html' title='O AEROGRAMA'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SxLL9BZZ2mI/AAAAAAAACsg/XxSs_SRwRQo/s72-c/Aerograma01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-2790708559478520746</id><published>2009-11-25T12:17:00.000-08:00</published><updated>2009-11-25T12:51:10.042-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>UM SALTO_________NO TEMPO</title><content type='html'>.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;UM NEGRO BUÉ DA FIXE&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sw2Sa6hfv_I/AAAAAAAACsA/99sygaJKk_M/s1600/RC_EA_41_3558956_30340112.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 120px; DISPLAY: block; HEIGHT: 90px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408139718625837042" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sw2Sa6hfv_I/AAAAAAAACsA/99sygaJKk_M/s400/RC_EA_41_3558956_30340112.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; .&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;Não querendo meter a foice em seara alheia, ou seja, escrever sobre política, lembrei-me, contudo, duma frase que desde há muitos anos retive na memória:&lt;br /&gt;“A vida é um acto político” !  Durante a campanha eleitoral para as Legislativas 2002 ouvi com indignação, preocupação e tristeza apelos à discriminação racial... O texto que escolhi para a Janela Aberta deste mês faz parte dos meus últimos Contos da Guerra Colonial, situados obviamente já no período pós 25 de Abril de 1974.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;                                                     &lt;strong&gt;ACTO I  (Único)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Aquela soalheira manhã de Abril do ano de 1990 iluminava e aquecia um cenário deslumbrante : uma magnífica vivenda situada numa das zonas residenciais mais ricas de Lisboa. Um rapaz acompanhado da sua irmã, ambos mulatos, encontravam-se ali parados com o olhar fixo e esbugalhado à beira do enorme e imponente portão verde com lanças douradas a apontarem o céu tão azul, o qual se ia abrindo lenta e automaticamente pondo a descoberto, preparando-se para saírem, dois rapazes altos, louros e de olhos azuis, montados num motociclo de grande porte e alta cilindrada : uma Goldwing.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sw2SRRzwC5I/AAAAAAAACr4/LK2g2_NUCZ8/s1600/t_1109069_1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 180px; DISPLAY: block; HEIGHT: 135px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408139553077726098" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sw2SRRzwC5I/AAAAAAAACr4/LK2g2_NUCZ8/s400/t_1109069_1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; .&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já em andamento iam apertando com destreza  os capacetes de boa e reconhecida marca, complementando o reluzente vestuário preto de cabedal genuíno.  Aqueles “meninos” detiveram repentinamente o motão antes de o transporem para o exterior da sua fortaleza relvada com piscina ao fundo. O  que segurava o guiador e que aparentava ser o de mais idade apressou-se a retirar o capacete que havia enfiado um minuto antes e dirigiu-se verbal e agressivamente para aquele casal de mulatos que não arredavam pé.&lt;br /&gt;Menino rico :   - Oh escarumas do caraças, andam aqui no gamanço ? Vá, bazem daqui p’ra fora ! Ou querem levar um balázio na mona ? Fiz-me entender ?&lt;br /&gt;Mulato :     - Calma, meu ! Estás a precipitar-te ! Podemos ser “blacks” mas somos pessoas bué da fixes e estamos aqui numa boa ! Estávamos apenas a apreciar este espectáculo de vivenda, mano !&lt;br /&gt;Menino rico :   - Mano o diabo que te carregue !&lt;br /&gt;Mulato :         - Esta bacana aqui é minha irmã, meu ! É a Laurinha ! Só viemos aqui p’ra conhecer o palácio do senhor doutor juíz Junqueira. Esta mansão não é do doutor Junqueira ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Menino rico :       - Limpa a merda da tua bocarra quando pronunciares o nome do meu pai, ok ? Mas afinal que sabes tu acerca do meu cota ? Qual é a tua, meu ?&lt;br /&gt;Entretanto, um indivíduo quarentão, impecavelmente “arreado” de fato e gravata e mala preta na mão esquerda entrou e sentou-se ao volante dum metalizado e potente Volvo. Ao aproximar-se do portão travou violentamente, saindo apressado da esplendorosa viatura e dirigindo-se para a frente da mota, como que tentando proteger as suas crias irrequietas e mal-educadas. Manifestava algum nervosismo e enquanto ia esticando os punhos da camisa e deixando vislumbrar os botões de prata artisticamente trabalhados foi-se aquietando, acabando por ficar estático...&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sw2SDvvcnNI/AAAAAAAACrw/7Th1ykxGlmU/s1600/2009-volvo-s40-2-4l_100181579_s.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 160px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408139320594570450" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sw2SDvvcnNI/AAAAAAAACrw/7Th1ykxGlmU/s400/2009-volvo-s40-2-4l_100181579_s.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; .&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Senhor doutor :        - Filhos, o que é que se passa aqui ? Qual o motivo da discussão ?&lt;br /&gt;Menino rico :          - Ora, velhote, são estes blacks das barracas que encontrámos aqui ao portão, sabe-se lá com que intenções !...&lt;br /&gt;Senhor doutor :        - Meninos, por favor não molestem essas pobres criaturas !&lt;br /&gt;O senhor doutor , entretanto, deu alguns passos decididos em direcção ao portão, parou repentinamente, fixou o rapaz mulato, inclinou a cabeça para a esquerda, franziu o sobrolho e com a ponta dos dedos da mão direita coçou demoradamente a cabeça.&lt;br /&gt;Senhor doutor :        - Diz-me, rapaz, tu por acaso és angolano ? Caramba !... Ia jurar que...sim, a tua fisionomia não me é de todo estranha !&lt;br /&gt;Menino rico :             - Paizinho, não dês confiança a essa gente. Podem ser perigosos. Se calhar são alguém que já julgaste e condenaste...Cuidado ! O melhor é chamar a bófia. Não vês que os atrevidos não desandam ?&lt;br /&gt;Senhor doutor :          - Calma, calma, filho ! Deixa isto comigo !&lt;br /&gt;O rapaz mulato tirou calmamente do bolso do blusão um maço de cigarros e um isqueiro ZIPPO e, numa atitude premeditada de demonstração de delicadeza, pediu, com um gesto, autorização para fumar, ao que o seu interlocutor acenou positivamente. O rapaz soprou o fumo demoradamente para o alto enquanto o juíz, petrificado, foi deslizando o olhar ora para o mulato ora para a sua irmã.&lt;br /&gt;Mulato :       - O senhor doutor juíz Junqueira era alferes...Lembra-se de Sanza Pombo ?...Recorda-se duma mulher negra muito linda chamada Laura?&lt;br /&gt;Senhor doutor :      - Tu, rapaz, és natural de Angola ? De Sanza Pombo ? Ai meu Deus, é isso...é isso...Mas afinal que sabes tu da Laura ? Que sabes tu a meu respeito ? Tu és parecido...pois...tão parecido ! Meu Deus, não me digas que...&lt;br /&gt;Mulata :         - Força, João, acaba lá com esta treta ! Vá lá, João Junqueira, diz a verdade ao senhor ! Que tens tu a perder ? Afinal, só o queres conhecer, não vens pedir népia ao ricalhaço !&lt;br /&gt;Mulato :          - Sim, foi-me dado o seu nome. A minha mãe Laura morreu de parto na sua segunda gestação : era uma menina. É esta aqui, a Laurinha !  Eu fui o primeiro...Não quero nada seu, não ! Tenho noção da realidade e nunca sonhei “sujar” a piscina desses aí que quer queiram quer não são meus irmãos. Só quis conhecer, ao fim de muitos anos, aquele que me disseram ter sido o grande amor de Laura. Eu...eu afinal sou apenas um filho escuro daquela maldita guerra, não é, doutor ?&lt;/div&gt;.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O rapaz mulato  agarrou firmemente no braço da irmã, puxando-a para si, enquanto que com a outra mão apanhou do chão, onde haviam permanecido encostados ao muro, dois capacetes muito usados e impressionantemente riscados. Dirigiram-se os dois para uma motorizada sem guarda-lamas : uma DT 50 que havia ficado a uns metros de distância, inclinada para o passeio e sustentada nele apenas com o pousa-pés direito. Enquanto se foram afastando, o rapaz mulato, com a base do capacete apoiada na testa, virou-se de repente para trás, apontou o dedo indicador direito ao menino rico e num tom de voz elevado e embargado, disse-lhe :  - Lembra-te sempre, “betinho”, preto não é ladrão, por vezes até pode mesmo ser irmão !!!&lt;br /&gt;Aquela motorizada pegou de empurrão, o punho do acelerador foi bruscamente rodado até ao empanque, a  “manete” da embraiagem largada repentinamente, dando origem a um brusco, barulhento e aterrador arranque, numa derrapagem em semi-círculo, seguido de um “cavalinho”, a caminho dum qualquer bairro de renda social algures nos subúrbios da capital, outrora latifúndio suburbano e hoje depósito disperso dos filhos incógnitos daquela prolongada guerra...&lt;/div&gt;.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sw2RXJHanuI/AAAAAAAACro/LBIlWwW6Rxs/s1600/235.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 235px; DISPLAY: block; HEIGHT: 193px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408138554311876322" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sw2RXJHanuI/AAAAAAAACro/LBIlWwW6Rxs/s400/235.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-2790708559478520746?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/2790708559478520746/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=2790708559478520746' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/2790708559478520746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/2790708559478520746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/um-saltono-tempo.html' title='UM SALTO_________NO TEMPO'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sw2Sa6hfv_I/AAAAAAAACsA/99sygaJKk_M/s72-c/RC_EA_41_3558956_30340112.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-6094173168423611971</id><published>2009-11-24T14:37:00.000-08:00</published><updated>2009-11-24T14:50:24.908-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>A MOBILIZAÇÃO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwxgoL6u50I/AAAAAAAACrg/-3hYr0cw5JY/s1600/p8.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 173px; DISPLAY: block; HEIGHT: 130px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407803496075290434" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwxgoL6u50I/AAAAAAAACrg/-3hYr0cw5JY/s400/p8.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Encontrava-me a prestar serviço, já como Operador de Cripto, na Escola Prática de Engenharia, em Tancos. O Centro de Cripto ficava situado no mato, muito perto da Estação de Caminhos de Ferro de Almourol. Decorria o mês de Dezembro de 1970 e eu rezava a todos os meus santinhos para que, a ser mobilizado, isso apenas viesse a acontecer a partir do mês de Janeiro de 1971. A gastrite e todas as outras disfunções originadas pela certeza da mobilização (Angola, Guiné ou Moçambique ?), agravaram-se ao tomar conhecimento da data inadiável do embarque. Dever-me-ia apresentar no Regimento de Artilharia Pesada (RAP-2), em Vila Nova de Gaia, a fim de receber toda a documentação tida como necessária ao embarque para Angola, como militar de recompletamento. No dia 21 de Dezembro (faltavam três dias para o Natal) entrei naquela monstruosa mas bela máquina navegante chamada Príncipe Perfeito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swxgif6iHrI/AAAAAAAACrY/JzYn_LC2jrQ/s1600/Imagem+046.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 352px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407803398363946674" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swxgif6iHrI/AAAAAAAACrY/JzYn_LC2jrQ/s400/Imagem+046.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chegado a Luanda, ao fim de oito dias de baloiçar incessante, fui conduzido até ao Regimento de Infantaria 20, onde se encontravam instalados os militares na minha situação (CMR 113). Daí segui para Nova Lisboa, a linda capital do Huambo. Dois dias depois viajei de comboio até ao Luso (capital do Moxico) onde comecei a ter a percepção de me encontrar já num ambiente bélico. Aí aguardei pelo chamado MVL (Movimento Logístico) e lá parti, na caixa de carga dum camião civil carregado de mantimentos e refrigerantes, entre tantos outros, escoltados por várias viaturas militares, a maior parte das quais carregando sacos de areia, pois o percurso a efectuar era de cento e vinte quilómetros e duração de três dias, sempre em picadas mais ou menos sulcadas e eventualmente minadas.&lt;br /&gt;Finalmente em Cangamba,  onde  se  encontrava  aquele  que  ficou  conhecido  como Batalhão Ás de Espadas, dirigi-me ao sargento-de-dia da Companhia Independente que me havia requisitado. Alguns dias depois haveriamos de montar as tendas junto a uma sanzala  numa localidade um pouco mais ao sul chamada Cangombe.&lt;br /&gt;Já não me recordo qual deles : o Bila Noba (de Gaia), o Ermesinde, o Rio Tinto ou o Pasteleira, quando soube que eu era natural de Lisboa, deu-me uma forte palmada no ombro, perguntando-me : - Olha lá, oh alfacinha, sabes qual é a melhor coisa que há em Lisboa ? É Sant’ Apolónia, porque de lá é que abala o comboio p’ ra Campanhã, carago !&lt;br /&gt;Pude constatar, entre 10 de Janeiro e 5 de Outubro de 1971, como foi fácil fazer amigos entre aqueles rapazes lá das bandas da cidade “Inbicta”. Não costumo ter o hábito de dizer que tenho saudades do passado, mas a verdade é que jamais deixei de pensar naqueles camaradas da CART 2574 – os “Bravos e Sempre Leais” – sobretudo nos que lá tombaram em combate e naqueles que feridos gravemente foram obrigatoriamente evacuados para a Metrópole. Não poderia deixar de prestar, neste breve conto, a minha homenagem àqueles que lá deram a vida pela "Pátria" e cujo nome está dignamente inscrito na enorme lápide da Praça do Império em Lisboa : o Ângelo R. Sousa, o Aníbal A. Ascenção e o Manuel Ferreira. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwxgcVM8KjI/AAAAAAAACrQ/n16BDNCn4sw/s1600/49842.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 126px; DISPLAY: block; HEIGHT: 196px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407803292409145906" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwxgcVM8KjI/AAAAAAAACrQ/n16BDNCn4sw/s400/49842.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-6094173168423611971?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/6094173168423611971/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=6094173168423611971' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/6094173168423611971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/6094173168423611971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/mobilizacao.html' title='A MOBILIZAÇÃO'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwxgoL6u50I/AAAAAAAACrg/-3hYr0cw5JY/s72-c/p8.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-8571206188959245060</id><published>2009-11-24T11:58:00.000-08:00</published><updated>2009-11-24T12:20:46.580-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>O "FILHO DE PAPÁ"</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sww9fWJ5uaI/AAAAAAAACrI/0GPaQeTUvXk/s1600/radio3.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 217px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407764861297473954" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sww9fWJ5uaI/AAAAAAAACrI/0GPaQeTUvXk/s400/radio3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sempre foi assim, continua mais do que nunca a sê-lo e acredito que sempre assim será.&lt;br /&gt;Assentei praça em Janeiro de 1970 numa unidade militar onde, por ocasião da minha incorporação, foi inaugurada uma caserna em alvenaria, composta por dois pisos. Anteriormente apenas ali existiam, para albergarem os recrutas, instalações vulgarmente denominadas por meio-bidão, ou seja : uma construção em chapa com a configuração de meio cilindro, exageradamente quente no Verão, gélida no Inverno e na qual a chuva lhe embatia ressoando como um gigantesco tambor. Apesar da inauguração daquele edifício ainda com o cheiro forte a tinta fresca, com beliches e armários novos, colchões de espuma, lençóis e fronhas brancas e cobertores cinzentos lavados e muito bem esticados, ainda restavam duas ou três instalações metálicas, as quais continuariam a albergar uma boa parte da nova população de mancebos. O Comando decidiu o critério de selecção para o alojamento através do número de identificação atribuído a cada novo militar. A mim calhou-me por sorte as instalações a inaugurar.&lt;br /&gt;Depois de já havermos guardado os nossos pertences nos armários e preparados para o recolher nocturno, apagaram-se as luzes mais intensas, mantendo-se apenas acesas as débeis luzes de presença. Inesperadamente, a luz forte do compartimento onde eu me encontrava acendeu-se e à voz de ordem do cabo-de-dia todos nos levantámos, permanecendo na posição de sentido, uns em pijama, outros em cuecas.&lt;br /&gt;A acompanhar o cabo encontravam-se o oficial-de-dia e um mancebo com a sua sacola dependurada no ombro direito. Num tom de voz brusco e autoritário o cabo perguntou : - Quem é que tem o número 352 ? O visado levantou o braço direito, com o dedo indicador apontado para o tecto, identificando-se. Então, o oficial disse ter havido um engano na distribuição do pessoal pela caserna e ordenou ao cabo que acompanhasse o 352 ao lugar onde ele realmente pertencia : a caserna de lata. Aquele rapazote de aspecto humilde e “xaloio”, coitado, lá se vestiu rápida e atabalhoadamente, seguindo o “nosso-cabo”. Entretanto, o oficial ajudou o recruta recém-chegado a instalar-se, despedindo-se dele com um despudorado e amistoso aperto de mão. As luzes voltaram a apagar-se. Somente ao fim de algumas horas o cansaço venceu os meus flagelados pensamentos e adormeci.&lt;br /&gt;No dia seguinte reconheci através da sua voz o nosso camarada a quem o critério “honesto”  de selecção havia colocado no meio-bidão, mas que graças à eterna, e neste caso injusta &lt;strong&gt;cunha&lt;/strong&gt; fez deslocar para a cama ali ao lado da minha. Passados dois ou três dias nunca mais aquela cama foi utilizada, pois aquele recruta era um “filho de papá”, e, embora muito novo, eu já o tinha ouvido na locução dum programa da Emissora Nacional.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;NOTA: Locutor muito conhecido no nosso mundo radiofónico, por motivos óbvios não o identifico.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sww9ZUA2ojI/AAAAAAAACrA/Oc6wMXQ_Unk/s1600/rx.jpg"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 228px; DISPLAY: block; HEIGHT: 176px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407764757643436594" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sww9ZUA2ojI/AAAAAAAACrA/Oc6wMXQ_Unk/s400/rx.jpg" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;/a&gt;(Imagens extraídas do blogue radiomocidade.blogspot.com)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-8571206188959245060?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/8571206188959245060/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=8571206188959245060' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/8571206188959245060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/8571206188959245060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/o-filho-de-papa.html' title='O &quot;FILHO DE PAPÁ&quot;'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sww9fWJ5uaI/AAAAAAAACrI/0GPaQeTUvXk/s72-c/radio3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-514475601349903724</id><published>2009-11-24T11:04:00.001-08:00</published><updated>2009-11-24T11:38:44.960-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>UM SAX EM ÁFRICA</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swwuy2-vhJI/AAAAAAAACq4/fwm1qmIJSus/s1600/Imagem+041.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 352px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407748703852135570" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swwuy2-vhJI/AAAAAAAACq4/fwm1qmIJSus/s400/Imagem+041.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; (Texto publicado no extinto JORNAL DA CHAMUSCA E DO VALE DO TEJO)&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;UM SAXOFONE EM ÁFRICA&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Com catorze anos de idade fui admitido na empresa representante da Mercedes-Benz em Portugal, onde permaneci uma grande parte da minha vida: vinte anos.  A Oficina de Camiões ficava situada onde agora é a Quinta das Larangeiras, num terreno contíguo à residência do Conde de Caria – representante das marcas comercializadas pelas firmas C. Santos,  A. M. d’ Almeida e outras – e  que se estendia daquela ponta do Jardim Zoológico até aos jardins do Hospital de Santa Maria.&lt;br /&gt;Aquela oficina, para além de prestar assistência aos veículos comerciais das marcas Mercedes-Benz e Morris foi adaptada para se tornar numa autêntica linha de transformação e montagem das viaturas que ano após ano ganhavam os concursos que exigiam resistência e maneabilidade aliadas a um bom preço.  As viaturas eram adjudicadas aos milhares e preparadas durante dia e noite :  trabalhava-se em regime de laboração ininterrupta. Depois eram sujeitas a uma rodagem em estrada, quase sempre conduzidas pelos empregados da firma que assim ganhavam um dinheiro extra, passeando-as em caravana por todo o país, sobretudo aos fins-de- semana.&lt;br /&gt;Todas as semanas, à Quarta-Feira,  a praça de Sete-Rios transformava-se num enorme depósito de viaturas da cor da guerra prontas para serem embarcadas. Eram os jeeps, os Unimogs a gasolina e diesel e os camiões de cabina semi-avançada,  de formas arredondadas. Durante anos passei as mãos por aqueles contornos e vincos acariciando-os, sempre  pensando que um dia talvez nos encontrássemos lá em Angola, Guiné ou Moçambique...&lt;br /&gt;De facto, assim aconteceu. Acabei por vir a encontrar-me com algumas daquelas viaturas no cenário de guerra. As conversas que tivemos são do foro íntimo, jamais alguém as entenderia se me atrevesse a descrevê-las...&lt;br /&gt;Entretanto, alguns anos se haviam passado e, obviamente, na classe de camionetas a Mercedes foi perdendo favoritismo a favor da que viria a tornar-se numa das viaturas pesadas de guerra mais eficientes em terras de África : a Berliet.&lt;br /&gt;De todas as viaturas militares que conheci a Berliet foi  &lt;strong&gt;“a que me ficou mais no ouvido”.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É sabido que o som se propaga e adquire características muito próprias quando existe ar.  Logicamente, entendo que em função da maior pureza ou da composição mais límpida desse ar o som possa ser diferente; atrever-me-ia mesmo a classificá-lo de "mais musical".&lt;br /&gt;O ar no mato ou na chana em Angola, e curiosamente mesmo quando  impregnado de pólvora, era diferente, era inebriantemente puro.&lt;/div&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwwuszgbCJI/AAAAAAAACqw/UD9FGN-PL5s/s1600/21187193.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 252px; DISPLAY: block; HEIGHT: 341px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407748599840442514" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwwuszgbCJI/AAAAAAAACqw/UD9FGN-PL5s/s400/21187193.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ffcc00;"&gt;(O inconfundível saxofonista Fausto Papetti)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca me dei ao trabalho de estudar por que razão gostava do som do saxofone ou do trompete. Só sei que gostava e deliciava-me quando os escutava.&lt;br /&gt;Assim como também nunca me esforcei por saber por que sempre associei o trabalhar do motor da Berliet ao som dum saxofone.  Faz muitos anos que deixei de ouvir o arrancar e o desmultiplicar do motor duma Berliet militar, assim como deixei de me deliciar com o maravilhoso som do sax de Fausto Pappeti. Contudo, estão ambos sempre bem presentes martelando melodiosamente na minha memória.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwwunDgXArI/AAAAAAAACqo/hAYaDAxoh50/s1600/Imagem+042.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 352px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407748501055931058" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwwunDgXArI/AAAAAAAACqo/hAYaDAxoh50/s400/Imagem+042.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Uma Berliet cravejada de balas&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-514475601349903724?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/514475601349903724/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=514475601349903724' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/514475601349903724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/514475601349903724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/um-sax-em-africa.html' title='UM SAX EM ÁFRICA'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swwuy2-vhJI/AAAAAAAACq4/fwm1qmIJSus/s72-c/Imagem+041.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-4889168476553720371</id><published>2009-11-24T10:01:00.000-08:00</published><updated>2009-11-24T10:42:54.828-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>ANGOLA É NOSSA!!!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swwl8RMX83I/AAAAAAAACqg/V9LsDQ9LnXE/s1600/historia_02.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 347px; DISPLAY: block; HEIGHT: 214px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407738969902805874" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swwl8RMX83I/AAAAAAAACqg/V9LsDQ9LnXE/s400/historia_02.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Encontrava-me&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;a&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;frequentar&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Ciclo&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;na&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Escola Preparatória Nuno Gonçalves,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;situada&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;na&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Avenida General Roçadas, em Lisboa. Tinha como disciplinas obrigatórias,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;entre outras,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;a&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Religião&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Moral,&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; a &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Mocidade Portuguesa:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-: ;font-family:Arial;" &gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;.&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-: ;font-family:Arial;" &gt;&lt;b&gt;“Lá&lt;/b&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;b&gt;vamos cantando e rindo&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-: ;font-family:Arial;" &gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;Levados levados sim...”&lt;/b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: left" class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Arial;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Arial;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;e &lt;b&gt;Canto Coral&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;O&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;professor&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;desta&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;última&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;era&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;um músico conceituado, homem na faixa etária dos sessenta,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;qual&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;arrastava uma perna,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;ostentando&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;apoiando-se&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;na&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;sua&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;imagem&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;de&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;marca&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;:&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;uma&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;velha&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;lustrosa&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;bengala&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;com&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;punho&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;em&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;prata.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Simpático,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;divertido,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;sentava-se&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;ao órgão e dali dirigia com muito entusiasmo as&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;suas aulas.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Iniciava-as&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;e encerrava-as&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;obrigando-nos&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;a&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;cantar&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;um&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;hino&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;que&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;já&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;se&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;havia&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;tornado&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;famoso,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;que serviu,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;durante alguns anos,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;como genérico a um programa&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;de rádio,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;no&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;qual&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;correspondente &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;de&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;guerra&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;da&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Emissora&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Nacional&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;em Luanda, diariamente, nos dava&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;notícias&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;das&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;actividades&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;bélicas&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;no&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;território&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;angolano.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Terminava&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;aquele jornalista invariavelmente as suas crónicas de guerra &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;:&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;“&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;- De Luanda falou Ferreira da Costa !&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Arial;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Georgia, serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Se &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;a&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;memória&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;não&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;me&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;atraiçoa,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;hino&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;começava&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;com&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;título e uma quadra que reflectiam a estúpida e mórbida teimosia do ditador Salazar :&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-: ;font-family:Arial;" &gt;&lt;o:p&gt;. &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-: ;font-family:Arial;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-: ;font-family:Arial;" &gt;&lt;b&gt;Angola...é nossa !... &lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;Angola...é nossa !...&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-: ;font-family:Arial;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-: ;font-family:Arial;" &gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-: ;font-family:Arial;" &gt;&lt;b&gt;Angola é nossa gritarei&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-: ;font-family:Arial;" &gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;È carne é sangue da nossa grei &lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-: ;font-family:Arial;" &gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;Sem hesitar p’ ra defender&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-: ;font-family:Arial;" &gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;É pelejar até vencer...&lt;/b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-: ;font-family:Arial;" &gt;&lt;o:p&gt;.&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Aquele&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;“s' tôr”&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;de&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;b&gt;Canto Coral&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;tinha&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;as suas&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;razões&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;para&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;nos&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;obrigar&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;a cantar,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;exigindo&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;que&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;fizessemos&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;de&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;pé,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;na&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;posição&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;militarista&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;de&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;sentido&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;e com uma&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;expressão inequívoca de&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;vigor patriótico, o hino bélico no início e no fim das suas aulas.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Era consequência do enorme orgulho e vaidade de haver sido&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;ele&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;autor&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;da música que tornou célebre durante muitos anos&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;aquele&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;aberrante hino fascista.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Chamava-se &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;: &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Euclides Ribeiro&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:Arial;font-size:15;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/WOfa06UqDq8&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/WOfa06UqDq8&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-4889168476553720371?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/4889168476553720371/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=4889168476553720371' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/4889168476553720371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/4889168476553720371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/angola-e-nossa.html' title='ANGOLA É NOSSA!!!'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swwl8RMX83I/AAAAAAAACqg/V9LsDQ9LnXE/s72-c/historia_02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-5944857669188215927</id><published>2009-11-24T09:28:00.000-08:00</published><updated>2009-11-24T09:50:11.105-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>O MAPA GIGANTE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwwZXAWp_dI/AAAAAAAACqY/w6wYL8KvnQg/s1600/mapa-1p.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 390px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407725135587835346" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwwZXAWp_dI/AAAAAAAACqY/w6wYL8KvnQg/s400/mapa-1p.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Após haver desembarcado em Luanda cambaleei ainda, ilusoriamente, durante algum tempo em consequência da viajem de oito dias, embalado incessantemente num enorme berço marinho sobre as águas do nosso imenso Oceano Atlântico.&lt;br /&gt;Encontrei, abracei, desabafei e chorei no ombro amigo e alentador do Gilberto, um companheiro de infância, prestes a terminar a sua comissão de serviço. Levou-me a passear pela Mutamba (baixa de Luanda) e ofereceu-me uma refeição num restaurante no bairro da Maianga :  uma omeleta recheada de enormes, suculentas e muito apetitosas gambas. Fiquei a conhecer o sabor das duas principais marcas de cerveja fabricadas em Angola :  a Cuca e a Nocal. Preferi sempre a segunda. Depois da sobremesa uma constatação dolorosa para um viciado em cafeína : Angola, terra de café, não tinha bica à portuguesa. Curiosamente, decorridos mais ou menos uns seis meses, um tio do meu camarada e amigo Carlos Gonçalves (o “Pica”), negociante na cidade do Porto, empreendedor e conhecedor do negócio, criou um lote especial de café e acabou com os açucareiros. Deu-se muito rapidamente a expansão do café “cimbalino” e do açúcar em pacotes com a marca Cafés Moura.&lt;br /&gt;Encaminhámo-nos, posteriormente, para o seu gabinete de trabalho no Quartel-General. Acompanhei-o, timidamente, através daqueles corredores classificados de secretos, esforçando-me numa postura discreta embora perigosa para ambos. Ostentávamos nas boinas e nas lapelas dos blusões os distintivos que nos identificavam como pertencendo à Cheret  (Chefia do Reconhecimento das Transmissões), contudo, eu não fazia parte dos quadros daquela Unidade. Era efectivamente um intruso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwwZNOXXc5I/AAAAAAAACqQ/tBdBDbv7lxk/s1600/Imagem+040.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 352px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407724967550219154" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwwZNOXXc5I/AAAAAAAACqQ/tBdBDbv7lxk/s400/Imagem+040.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; .&lt;br /&gt;Foi com enorme perplexidade que aí deparei com um mapa gigante de Angola no qual se encontravam devidamente assinalados, por coordenadas, os símbolos dos diversos Movimentos de Libertação disseminados pelo território angolano, incluindo o enclave de Cabinda. Não consegui conter o meu espanto e lembro-me de haver proferido num tom de voz mais elevado e exaltado : - Mas afinal que puta de guerra é esta ?&lt;br /&gt;Fui-me apercebendo, com o decorrer do tempo, que os senhores generais, brigadeiros, coronéis, assim como toda a tropa em geral, não passavam de peças armadas naquele imenso tabuleiro de xadrez bélico, movidas pela maquiavélica polícia política.&lt;br /&gt;Decorria o ano de 1971 e o governo central e colonizador, situado a cerca de dez mil quilómetros de distância, era conduzido pela cabeça e mão de ferro do continuador da “obra” de Salazar : o Primeiro Ministro Marcelo Caetano. O Presidente da República, Almirante Américo Tomaz, era uma figura meramente emblemática. Dizia o povo à sucapa e com muita precaução que o senhor Américo Tomaz havia sido um menino sobredotado, pois na Escola Primária já escrevia e lia tão bem como após haver sido eleito Presidente... De Salazar contava-se que, certa vez visitado pelo seu homólogo suíço, perguntou-lhe, com algum sarcasmo, qual a necessidade de a Suíça, país situado no centro da Europa e sem nenhumas tradições marítimas, ter um Ministério da Marinha. Ao que o seu interlocutor terá ripostado com um largo sorriso amarelo :  &lt;br /&gt;- Que eu saiba, Senhor Presidente, em Portugal existe um Ministério da Educação e vocês, portugueses, não têm educação nenhuma !&lt;br /&gt;Existia uma animosidade latente por parte da comunidade internacional, sobretudo ao nível dos países europeus com um grau de cultura mais avançada, em relação à posição do governo de Portugal (não aos portugueses) em teimar na afirmação peremptória e aberrante de Salazar : “orgulhosamente sós !”&lt;br /&gt;Os portugueses que tinham a oportunidade de viajar de carro pela Europa deviam, para segurança da sua integridade física, não colocar, ou se o tivessem deviam retirá-lo, o dístico “P” usualmente colocado na traseira da viatura, o qual identificava o país de origem.&lt;br /&gt;As nossas matrículas assemelhavam-se às holandesas mas o “P”, esse, era muito diferente de “NL”. Em toda a parte do mundo, mesmo na Europa mais civilizada, sempre existiram pessoas e grupos extremistas e esses não perdoavam àqueles que representavam o último bastião do colonialismo. Não só insultavam como até apedrejavam.&lt;br /&gt;A toda-poderosa e tenebrosa polícia política confundia-se com a nossa própria sombra.&lt;br /&gt;A táctica, porém, em desespero de causa, havia mudado, na esperança dum arrastamento na solução do conflito armado nas colónias. Assumia, contudo, contornos bem distintos, pois a guerrilha na Guiné já se havia tornado, ou para lá rapidamente se encaminhava, num “Vietename”, salvo as devidas proporções. O inteligente, experimentado e hábil estratega general Spínola já há muito que o havia entendido e debatia-se junto do poder central com as suas convicções frustradas.&lt;br /&gt;Em Angola e Moçambique deu-se, então, início a uma nova etapa tendo em vista o aliciamento das populações. Foi a chamada “Acção Psicológica” que assentava na construção de infra-estruturas, desbravamento de matas e construção de estradas, picadas e pontes. Criação de postos de saúde e de escolas. E, sobretudo, a adopção de medidas exclusivamente defensivas em relação aos ataques dos Movimentos de Libertação. Não se podia tocar com um dedo num negro. Mas a solução, obviamente, e tal como a História no-lo viria comprovar, era apenas um adiar angustiado da resolução do problema, por demais complexo. Em Angola ouvi, durante dois anos, embora às escondidas, os discursos de Agostinho Neto, os quais apelavam sempre à necessidade da unidade dos angolanos, de todos os angolanos : negros, mulatos e brancos.  Por duas vezes me dei conta das tentativas de sublevação de militares de alta patente portugueses, contudo, sempre goradas, pois a PIDE aliada aos grandes interesses económicos nacionais e internacionais jamais admitiriam sequer a auto-determinação, muito menos a independência. Curiosamente, tive oportunidade de conhecer (indirectamente, claro ! ), durante a minha comissão de serviço três militares com grande sentido patriótico e de integridade a toda a prova, muito embora em posições de maior ou menor responsabilidade. Simbolicamente, eu e o meu grupo de militares mais esclarecidos politicamente, chegámos a colocar a fotografia dum deles colada na porta da tenda de campanha e essa atitude valeu-nos um castigo, traduzido na dispersão do nosso grupo por várias tendas. Era a fotografia do Comandante-Chefe das Forças Armadas em Angola, o então General Costa Gomes. Os outros a quem atrás me referia eram o Comandante do Agrupamento de Engenharia, Vasco Gonçalves e o Comandante duma Companhia de Engenharia, o então Capitão Pinto Soares. Estas três personalidades militares reencontrei-as através da televisão, por ocasião da "Revolução dos Cravos". Faziam parte do MFA (Movimento das Forças Armadas) e apareciam sentados na mesa do Conselho da Revolução.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-5944857669188215927?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/5944857669188215927/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=5944857669188215927' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/5944857669188215927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/5944857669188215927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/o-mapa-gigante.html' title='O MAPA GIGANTE'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwwZXAWp_dI/AAAAAAAACqY/w6wYL8KvnQg/s72-c/mapa-1p.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-6180048722393532018</id><published>2009-11-23T14:38:00.001-08:00</published><updated>2009-11-23T14:48:48.806-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>O BO (Bº.OPERÁRIO) E O Bº.MARÇAL (LUANDA)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwsPbtfhZoI/AAAAAAAACow/b5sn5loxNuo/s1600/23.gif"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 150px; DISPLAY: block; HEIGHT: 290px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407432746331104898" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwsPbtfhZoI/AAAAAAAACow/b5sn5loxNuo/s400/23.gif" /&gt;&lt;/a&gt;Mais ou menos bem conhecidos dos militares que passavam pela linda cidade de Luanda, o BO e o MARÇAL eram aglomerados de casas abarracadas, de ruas estreitas e labirínticas. Era um autêntico corropio de militares fardados ou à paisana que ali se deslocavam, uns somente para ver, outros para satisfazerem as suas necessidades fisiológicas de índole sexual. Em cada porta ou janela as prostitutas de raça preta, mulata, mestiça (também conhecidas por cabritas) e até branca, apelavam aos transeuntes através de piscar de olhos, levantar da saia ou com um chamamento com o dedo indicador, do tipo : “anda cá oh crido, chega aqui oh bonitão”, ou o que lhes viesse na altura à cabeça. Havia mulheres altas e magras, baixas e gordas, bonitas, feias, belas ou mal feitas, enfim, para todos os gostos. Acertado o preço do “serviço” ou “serviços” antes da entrada para, regra geral, ser executado num quarto desarrumado e mal iluminado, as meninas, as quarentonas ou mesmo cinquentonas, após satisfazerem os apetites dos seus clientes, entregavam-lhes uma bacia com água, na qual misturavam um líquido  que se presumia ser um antiséptico e uma toalha para se limparem por baixo. A Abraço e a Liga Portuguesa Contra a Sida ainda não tinham sido inventadas, por isso o contacto era, quase sempre carne com carne, sem preservativo. Generalizou-se, no entanto, a ideia de que as cabritas eram mais perigosas, ou seja, dado o seu tipo de sangue contraíam e transmitiam doenças venéreas com muita facilidade. A blenorragia, vulgarmente conhecida como “esquentamento”, se tratada oportunamente (infelizmente nem sempre o era) curava-se em pouco tempo e sem deixar resquícios, com injecções de penicilina. A doença mais temida no contacto com as meninas de ocasião era, sem dúvida, a terrível Sífilis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwsPUHT97qI/AAAAAAAACoo/T4hG8ePIpwU/s1600/3.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 160px; DISPLAY: block; HEIGHT: 120px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407432615823011490" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwsPUHT97qI/AAAAAAAACoo/T4hG8ePIpwU/s400/3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma tarde, encontrando-me em Luanda à espera de transporte para a mata,  fiz-me acompanhar de dois camaradas e, na pujança e inconsciência dos meus vinte anitos, também fui conhecer a bacia contendo o tal “antiséptico”. Estávamos de regresso quando nos apercebemos que a Polícia Militar começava a fechar e a identificar os visitantes e as anfitriãs daquele enorme e labiríntico prostíbulo. Depressa viemos a saber o que tinha acontecido.&lt;br /&gt;Um soldado da Companhia Não-Sei-Quantos, forçou a entrada na casota duma bela mulata recusando-se ao pagamento antecipado. Era um indivíduo conflituoso e estava meio-embriagado. Forçou a menina, tentando a violação. Sem saber como, foi apunhalado nas costas e acabou por se esvair, mas em sangue. Debaixo da cama encontrava-se um negro (também lá existiam chulos) que fazia a protecção àquela trabalhadora do sexo, saíndo do seu esconderijo e executando ali mesmo, a sangue frio e pelas costas, o desastrado quanto infeliz violador. A porta dissimulada nas trazeiras permitiu-lhe a fuga...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwsPOsohbNI/AAAAAAAACog/NkUfTJrL0NA/s1600/musseque_marcal.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 245px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407432522762120402" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwsPOsohbNI/AAAAAAAACog/NkUfTJrL0NA/s400/musseque_marcal.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-6180048722393532018?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/6180048722393532018/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=6180048722393532018' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/6180048722393532018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/6180048722393532018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/o-bo-boperario-e-o-bmarcal-luanda.html' title='O BO (Bº.OPERÁRIO) E O Bº.MARÇAL (LUANDA)'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwsPbtfhZoI/AAAAAAAACow/b5sn5loxNuo/s72-c/23.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-4348512438065012346</id><published>2009-11-23T13:26:00.001-08:00</published><updated>2009-11-23T13:42:07.050-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>UMA MINA POR 500$00</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swr-XiamqbI/AAAAAAAACoQ/cdJ7eoxKlNo/s1600/300px-US_Soldiers_removing_landmines.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; DISPLAY: block; HEIGHT: 197px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407413982940539314" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swr-XiamqbI/AAAAAAAACoQ/cdJ7eoxKlNo/s400/300px-US_Soldiers_removing_landmines.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Furriel Diogo era um indivíduo de quem se podia dizer ser uma jóia de rapaz.  Havia tirado o curso em Lamego e usava sempre, garbosamente, quer na manga da camisa da farda de trabalho quer na do fato camuflado uma chapinha dourada com letras gravadas a negro onde se lia : Operações Especiais. Teimava em dizer que era tropa de elite. Aliás, várias especialidades arrogavam-se como tal.  No mato assistia-se a uma disputa verbal enorme entre as tropas consideradas de elite, não passando, contudo, desse estádio de discussão. A solidariedade era muito necessária. Já na cidade o mesmo não acontecia, infelizmente. Na generalidade os homens que integravam as chamadas tropas especiais tinham plena consciência do seu valor e faziam questão em adoptarem um comportamento civilizado, exemplar. Mas, quando se encontravam nas cidades, longe dos combates, em tempos breves de lazer, o álcool tornava-se no pior dos inimigos. Então, assistia-se a brigas entre elementos de diferentes grupos de elite, algumas das quais acabavam por transformar rapidamente um qualquer estabelecimento, sobretudo cafés e cervejarias, num monte de destroços. Faziam parte da lista de tropas de elite, entre outras e por ordem alfabética : Comandos, Comandos Africanos, Flechas, Fuzileiros, Operações Especiais, Paraquedistas e Rangers . Todos eles haviam chafurdado no esterco, atravessado esgotos com a merda a tocar-lhes na boca, matavam galinhas à dentada, passavam por exercícios de carácter psicológico – se a isso se podem chamar exercícios – e um treino físico e de preparação para combate que os viria a tornar autênticas máquinas de guerra. Os instrutores não se cansavam de repetir, sempre que os obrigavam a grandes esforços, que “suor derramado na instrução era sangue poupado em combate”...  &lt;br /&gt;O Comando oferecia mil ou quinhentos escudos a quem tivesse a audácia de desmontar, respectivamente, uma mina anti-carro ou anti-pessoal.&lt;/div&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swr-Sd2N9qI/AAAAAAAACoI/ejiGoMF-qck/s1600/mina_berliet.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 269px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407413895814837922" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swr-Sd2N9qI/AAAAAAAACoI/ejiGoMF-qck/s400/mina_berliet.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Quando fui obrigado a efectuar a primeira viagem naquele solo arenoso angolano senti medo. Mas não dá absolutamente jeito nenhum a ninguém ter  medo a toda a hora, todos os dias e durante,  pelo menos, vinte e quatro meses. Depois, também já não resultava adoptar as aprendidas medidas de precaução. Os aparelhos utilizados haviam sido estudados para detectarem metais no subsolo e as modernas minas eram construídas totalmente com matéria plástica.  As viaturas que seguiam na dianteira da coluna militar ou civil eram carregadas de sacos contendo areia. Assim, a roda pisava uma mina mas apenas se danificava aquele rodado que a havia despoletado.&lt;br /&gt;Mas as modernas minas, para além de serem fabricadas com o maldito plástico possuíam uma espécie de carreto programável que as fazia explodir à passagem da viatura que o inimigo pretendia atingir. Apenas alguns civis e os inspectores da PIDE-DGS sabiam onde elas se encontravam para se deslocarem sem correrem riscos. Porquê ? Aquela guerra estava cheia de porquês...&lt;br /&gt;Mas para este obtive uma resposta quando um civil residente (explorava uma roça de café) ofereceu-me boleia no seu jeep mas impondo-me como  condição fazer-me transportar desfardado (à civil) e completamente desarmado.            &lt;br /&gt;A estes brancos, nascidos em África ou a viverem lá desde há muitos anos haviam classificado os governantes, com grande carga pejorativa : &lt;strong&gt;brancos de segunda&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;E assim a longa viagem por aquelas poeirentas picadas  de Angola fez-se sem qualquer receio de emboscada ou  mina, dependendo o sucesso da viagem da atenção do fazendeiro que ia sempre consultando o seu livrinho (!)&lt;br /&gt;O furriel Diogo, contrariando a vontade dos outros camaradas, quis desmontar aquela mina  anti-pessoal encontrada por mero acaso numa picada a poucos metros do aquartelamento. Munido apenas da faca-de-mato, apertou-a entre os dentes,  afastou os joelhos ao mesmo tempo que, muito devagar, ia flectindo as pernas até tocar o solo. Toda a Companhia assistia ao longe, fazendo-se um completo silêncio circense, pois o artista encontrava-se pronto e só faltava o rufar dos tambores para “aliviar” toda aquela tensão.&lt;br /&gt;Todos nós tínhamos consciência de que aquilo, embora parecendo, não era de modo algum uma cena de circo.  Ali estava um rapaz, amigo da maior parte dos espectadores, em cima dum engenho que dum momento para o outro o poderia transformar em pedaços, ou então, se aquela operação de alto risco fosse bem sucedida o Furriel de Operações Especiais não só ganharia os quinhentos escudos como seria eternamente considerado um herói.&lt;br /&gt;O Diogo benzeu-se e fez uma pausa, supostamente numa atitude de concentração, como exigem os grandes momentos. Depois pegou na faca e começou a retirar cuidadosamente a terra que cobria o engenho.&lt;br /&gt;Aquela mina, depois de localizada, poder-se-ia fazer explodir, não causando danos a ninguém. Mas o Diogo lá estava ajoelhado, era tudo uma questão de honra, pois ele não precisava dos quinhentos escudos para nada. Ou melhor, a maior parte dos seus camaradas oferecer-lhe-iam de boa vontade quinhentos ou mais escudos para que o rebentamento se efectuasse à distância.&lt;br /&gt;Cá de longe já conseguíamos ver o aspecto daquela coisa escura e arredondada. Já se encontrava completamente descoberta, pronta a ser desactivada. A tensão era cada vez maior. De repente um sargento lembrou-se de que era mais seguro, naquela fase da desmontagem, ficarmos agachados.&lt;br /&gt;Assim fizemos. Ao mesmo tempo ouviu-se uma explosão, o chão tremeu, o ar encheu-se de fumo e poeira e ninguém, para além dos valentes sapadores e o cabo enfermeiro, teve coragem para ver o estado em que ficou o “herói” nem apanhar os seus pedaços espalhados um pouco por todo o lado.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swr-MzvlY4I/AAAAAAAACoA/vhLKCEvYJdY/s1600/V-P-kh-d-00075-22_mm.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 220px; DISPLAY: block; HEIGHT: 147px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407413798613377922" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swr-MzvlY4I/AAAAAAAACoA/vhLKCEvYJdY/s400/V-P-kh-d-00075-22_mm.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-4348512438065012346?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/4348512438065012346/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=4348512438065012346' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/4348512438065012346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/4348512438065012346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/uma-mina-por-50000.html' title='UMA MINA POR 500$00'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swr-XiamqbI/AAAAAAAACoQ/cdJ7eoxKlNo/s72-c/300px-US_Soldiers_removing_landmines.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-8424267452009843641</id><published>2009-11-23T11:24:00.000-08:00</published><updated>2009-11-23T12:12:17.783-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>HIPOPÓTAMOS EM CANGOMBE (LESTE DE ANGOLA)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swrh-QXVX_I/AAAAAAAACng/XvO1qy-eEjA/s1600/hipopotamos01.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; DISPLAY: block; HEIGHT: 167px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407382762272677874" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swrh-QXVX_I/AAAAAAAACng/XvO1qy-eEjA/s400/hipopotamos01.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava a tentar negociar a aquisição dum imóvel situado na Rua do Ouro, em Lisboa, quando um súbito terramoto sacudiu e deslocou abrupta e violentamente dos seus lugares : hotéis, prédios e vivendas, naquele cartão desdobrável sobre o qual jogávamos o Monopólio. Também nós estremecemos exterior e interiormente.&lt;br /&gt;Tentei correr e contrariar a prisão involuntária dos membros inferiores enquanto me dirigia na direcção do meu kimbo onde, dependurados num dos varões verticais do beliche se encontravam o cinturão com as cartucheiras e a arma automática G-3. Coloquei desajeitadamente o cinturão e posicionei o selector de tiro em “rajada”.&lt;br /&gt;Das bandas do rio distinguia-se, no silêncio da noite, o som aterrador dos disparos de muitas armas automáticas num matraquear contínuo. À volta do aquartelamento existiam umas fossas às quais haviam dado o nome de “abrigos” e foi no primeiro que encontrei que para lá me deixei cair , esperando, de cócoras, o pior. O tiroteio persistia e ninguém sabia exactamente o que estava a acontecer. Do lado do rio encontrava-se a sanzala e o que me ocorreu de imediato foi que o inimigo houvesse iniciado a tentativa de penetração no acampamento atacando os GE’s que lá pernoitavam. Nunca tinha ouvido falar em qualquer plano estratégico de defesa em caso de ataque nocturno.&lt;br /&gt;Os meus pais conheceram pessoalmente o bondoso Padre Cruz, que faleceu uns anos antes do meu nascimento. Tiveram o privilégio de manter com ele uma relação de amizade, confiança e admiração, as quais, após a sua morte, se viriam a transformar num culto. Habituei-me a ouvir falar dele e passei também a venerá-lo, por tudo aquilo que ele significava. A minha mãe, quando da minha mobilização, “encomendou-me” àquele Espírito Superior e sempre que eu me encontrava em perigo evocava-o, pedindo-lhe auxílio, não só para mim como também para os meus restantes camaradas.&lt;br /&gt;Muito rapidamente passaram-me pelo pensamento os entes mais queridos e entreguei-me com muita tranquilidade ao meu protector celestial.&lt;br /&gt;Afinal, face à desorganização e temor generalizados, apenas me restava aguardar um tiro, o rebentamento duma granada, ou mesmo ter de, pela primeira vez, enfrentar o inimigo numa luta desigual. Meras, absurdas e atabalhoadas suposições !&lt;br /&gt;As armas foram-se gradualmente silenciando. Passados mais ou menos cinco minutos, ainda imóvel, os maxilares começaram a bater incontrolavelmente um contra o outro. As pernas tremiam. De repente, uma voz, na altura irreconhecível, tão forte quanto embargada fez-se ouvir por todo o aquartelamento : - A situação está controlada, malta ! 'Tá tudo bem, pessoal ! 'Tá tudo bem !...&lt;br /&gt;Saímos então dos abrigos, juntando-nos à porta do Posto de Comando.&lt;br /&gt;Um grupo de quinze GE’s, à revelia do comandante, havia decidido descer até à beira-rio para emboscar um casal de hipopótamos, os quais, há algum tempo, lhes tinham vindo a destruir a lavra de milho que eles ali haviam cultivado.&lt;br /&gt;Ao nascer do sol uma Berliet rebocou um daqueles enormes animais até ao interior do aquartelamento. O outro havia conseguido escapar, embora ferido. Foi uma autêntica festança que me fez lembrar a matança do porco na Metrópole. Ainda hoje recordo o odor nauseabundo, espalhado no ar, quando procederam ao esquartejamento daquele enorme bicho e à sua repartição pelas famílias autóctones. O Daniel, um franzino e bem-humorado soldado nortenho, na altura em que constatávamos com estupefacção a desmesurada espessura da pele do animal perguntou-me se eu conhecia a melhor e mais eficaz forma de matar a tiro um hipopótamo : - 'Tás a ber, alfacinha, a largura que tem a pele do dito cujo ? P’ ra furar um bitelo destes a tiro é uma carga de trabalhos, carago ! Só nas bistas, pá, só nas bistas ! Sabias que o hipopótamo gosta muito de pastéis de nata ? Bai daí o maralhal bai-se até ele, debagarzínho, com uma trabessa cheia de pastéis numa mão e na outra leba a arma. O caçador estende a trabessa até ao nariz do animal, ele sente o cheiro da doçaria e, bai daí, passa a ter mais bistas do que barriga ! Então, aponta-se a canhota às bistas do bicho e pronto...&lt;br /&gt;A carne foi, no meio de grande confusão e gritaria no dialecto luxaze, racionalmente distribuída por cada família e, durante semanas, todos os kimbos da sanzala a ostentavam, pousada no capim que constituía as suas coberturas. Devidamente salgada ali ficou a secar ao sol e totalmente coberta das teimosas moscas que esvoaçavam agitadas sobre cada pedaço. A pele, cortada às tiras, era amarrada na extremidade e à volta do capim que cobria o kimbo e era mantida esticada graças à pedra que lhe era atada na ponta para, quando seca, ser trabalhada pelos artesãos, sobretudo na confecção de chicotes.&lt;br /&gt;No dia seguinte o almoço servido aos militares foi constituído de bife acompanhado com batatas fritas. Tal como outros camaradas, também eu receei que o bifalhão fosse de hipopótamo. Cortei o primeiro pedaço e tomei-lhe, cautelosamente, o gosto. Quanto à sua textura assemelhava-se a borracha ;  quanto ao paladar era demasiadamente adocicado. O cozinheiro havia-nos assegurado que a carne era de vaca mas a nossa incredulidade tornou a refeição mais demorada. Havia-nos, realmente, sido pregada uma partida e o hipopótamo entrou, naquela refeição, na nossa cadeia alimentar.  &lt;/div&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwrhzkW7E7I/AAAAAAAACnY/mT4QvVAR5ZI/s1600/Imagem+038.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 352px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407382578661102514" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwrhzkW7E7I/AAAAAAAACnY/mT4QvVAR5ZI/s400/Imagem+038.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-8424267452009843641?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/8424267452009843641/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=8424267452009843641' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/8424267452009843641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/8424267452009843641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/hipopotamos-em-cangombe-leste-de-angola.html' title='HIPOPÓTAMOS EM CANGOMBE (LESTE DE ANGOLA)'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swrh-QXVX_I/AAAAAAAACng/XvO1qy-eEjA/s72-c/hipopotamos01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-5091681139982448948</id><published>2009-11-23T10:41:00.001-08:00</published><updated>2009-11-23T11:03:29.860-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>O TEMÍVEL MORRO DA PEDRA VERDE</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwrYQA00KUI/AAAAAAAACnQ/9FVhaBjObSo/s1600/pverde.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; DISPLAY: block; HEIGHT: 197px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407372072222730562" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwrYQA00KUI/AAAAAAAACnQ/9FVhaBjObSo/s400/pverde.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagens e texto extraídos do blogue do amigo Mário Mendes (ex-combatente), blogue: C.CAÇ.3413&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwrXdkQt8fI/AAAAAAAACnI/zJhewWuDMyk/s1600/quesso.jpg"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;Conquistada Nambuangongo pelas forças armadas portuguesas, os guerrilheiros da UPA encontram refúgio numa cordilheira de morros escarpados com cerca de 700 metros de altitude, uma zona de muito difícil acesso, situada poucos Km a Nordeste de Úcua e na entrada dos Dembos, onde predomina um morro com grutas naturais e túneis escavados pelo homem denominado Camucugonlo mas conhecido por “pedra verde”.&lt;br /&gt;Esta região acidentada e coberta por floresta densa, domina o itinerário mais directo de Luanda para Carmona (Uíge) e é conhecido por “estrada do café”, pois serve ao longo dos Dembos inúmeras fazendas e povoações ligadas aquela cultura.&lt;br /&gt;Considerado um baluarte do inimigo onde teriam afluído elementos fugidos de Nambuangongo, a “Pedra Verde” constituía uma ameaça pela sua proximidade em relação a Luanda e também pelas frequentes emboscadas realizadas pelos guerrilheiros às nossas tropas e pelos assaltos que levavam a cabo nas fazendas da região.&lt;br /&gt;A 10 de Setembro de 1961 iniciou-se uma operação de grande envergadura e mesmo com apoio da artilharia e meios aéreos, as tropas tiveram de vencer imensas dificuldades num terreno sem picadas e muito difícil e só a 16 de Setembro foi conquistada a “Pedra Verde”, último refúgio da UPA.&lt;br /&gt;Esta região foi sempre das mais problemáticas da guerra em Angola, onde houve muitas baixas da nossa parte, qualquer militar mobilizado para aquela zona já sabia do perigo que o esperava, mas para amenizar a situação, os mais velhos costumavam brincar com os maçaricos: Que sorte a tua, vais ver a Gina Lolobrigida!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;O TEMÍVEL MORRO DA PEDRA VERDE&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situado geograficamente entre Quibaxe e Ucua, na província de Cuanza Norte, era atravessado por uma estrada asfaltada, a qual nos parecia sempre tão pequenina e  aterradoramente apertada, ladeada e comprimida que estava por aqueles morros tão altos e com um historial de guerra tão sinistro. A vegetação tropical dum verde sempre húmido quanto luxuriante ali crescia envolta num silêncio perturbador e profundo. Todos nós já havíamos alguma vez ouvido contar, como se de uma lenda se tratasse, que toda aquela imponência construída pela natureza a uma altura desmesurada, havia sido traiçoeiramente adubada com sangue e restos de corpos jamais encontrados. Outrora  um local ideal de massacres que dizimaram pelotões inteiros, sobretudo nos primeiros anos de guerrilha, era um local propício à prática do fogo cruzado. A progressão no terreno era praticamente impossível, dada a sua altura enorme e uma inclinação quase vertical. Foram sobretudo as tropas paraquedistas quem dali enviou para a Metrópole mais caixas, daquelas que recordo ainda ouvir – quem não se recorda ? – na balada de intervenção de Adriano Correia de Oliveira : “...desta vez o soldadinho / vem numa caixa de pinho..."&lt;br /&gt;Passei por lá duas vezes. Da última, seguia em coluna civil escoltada por viaturas militares, pois a Companhia havia sido transferida de Ambriz para o Quiage, na região dos Dembos. Os relógios marcavam mais ou menos vinte e uma horas. O sol já se havia recolhido e a escuridão tornava a passagem por aquele local ainda mais arripiante. Há muito que as tropas portuguesas controlavam a região e não havia notícia de qualquer ataque, contudo, as instruções do comando apontavam para que a passagem se efectuasse à maior velocidade possível, os olhos bem abertos e preparados para qualquer eventualidade. Normalmente, em deslocações deste género viajávamos juntamente com as bagagens, na caixa de carga de camiões civis e aproveitávamos para dormir, cobrindo-nos com o oleado. A viatura em que eu, acompanhado de meia dúzia de camaradas, me transportava, tinha uns painéis laterais e traseiros do tipo das usadas no transporte de gado. Alguns momentos antes de chegarmos à Pedra Verde levantámo-nos, colocando as cartucheiras à cintura e, enquanto a mão esquerda se agarrava com firmeza a uma das traves do taipal, a direita segurava a G-3, já com a patilha de selecção de tiro na posição de rajada. E, a partir daí, seria como passar pelo corredor escuro da Casa dos Fantasmas da Feira Popular... &lt;br /&gt;As viaturas que seguiam à nossa frente aceleraram, acabando por ficarem fora do meu campo visual ; apenas se viam as luzes dos faróis lá mais adiante. De repente, o camião em que eu seguia travou bruscamente, os faróis apagaram-se, o mesmo acontecendo às duas viaturas que nos seguiam. No meio daquela sinistra escuridão e do silêncio sepulcral ouvi uma discussão de vozes  atabalhoadas que não reconheci de imediato e a voz de um negro que “arranhava” o português. O instinto fez-me galgar o taipal, saltei para a berma, atitude tomada pelos restantes camaradas, e caí de cú, adoptando logo de seguida a posição típica de combate :  deitado de barriga para baixo, o corpo esticado e a metralhadora apontada para a frente, consciente, contudo, de que de nada serviria o seu uso. Calaram-se as vozes. A mim, assim como a todos os outros que sabia estarem algures ali estendidos, restava esperar talvez o eventual rebentamento duma granada. Não deu tempo sequer para rezar...Lembro-me de, involuntariamente, haver começado a tremer e de ter feito um enorme esforço para manter a calma e, sobretudo, a Fé.&lt;br /&gt;Entretanto, no meio daquele silêncio de tempo indefinido, a vista começou a habituar-se à escuridão e comecei a enxergar os camaradas que se mantinham imóveis tanto à minha direita como à esquerda. Comecei a ouvir vozes dispersas à distância, não conseguindo, porém, distinguir o que diziam. Manteve-se a espera convertida em resignação. Fazer o quê ? Aguardar ! Passados os primeiros momentos de incerteza e desprendimento, misturados, obviamente, com o medo (não era vergonha tê-lo, é um sentimento humano e, na maioria dos casos até se tornava nosso aliado, dando-nos forças que até então desconhecíamos), então sim, consegui, ainda com algum trepidar dos maxilares, rezar. Não muito, pois nesse momento, mesmo por cima dos nossos corpos, explode no ar com enorme estrondo e iluminando a área, uma granada. Logo seguida de outra, e mais outra. Ao longe ouvi tiros de rajada, os quais consegui imediatamente identificar como partindo de uma metralhadora G-3. Reconheci então a voz do furriel de Operações Especiais, o Fonseca, que havia chegado com mais alguém. – Malta, toca a unir e vamos embora, está tudo bem ! Não há crise ! Esta guerra não é connosco !&lt;br /&gt;Só quando chegámos ao Ucua, a alguns quilómetros mais à frente e onde estava instalado um destacamento da PIDE-DGS, tivemos conhecimento do que se havia passado. Na estrada encontrava-se um indivíduo de raça negra, completamente despido, ensanguentado, sem uma orelha e com dois dedos da mão cortados, pedindo auxílio à coluna que ali passava naquele instante. Disse ser trabalhador numa fazenda ali perto e terem sido assaltados por um grupo de "terroristas". Os motoristas dos camiões que nos precediam haviam-se recusado a parar. O do nosso camião, um negro natural e residente em Luanda, teve um comportamento bem diferente. Parou, e, contrariando a ordem do furriel Fonseca que seguia na cabina a seu lado, disse-lhe com indignação e firmeza : - Mas afinal ninguém parou porquê ? Por o homem ser negro ? E se fosse branco, não paravam ? Quando chegar a Luanda vou direitinho ao Quartel-General e vou dar conhecimento desta vossa atitude !&lt;br /&gt;Depois, sem nos prevenir, o furriel de Operações Especiais partiu juntamente com um sargento, que também viajava na cabina, e o motorista negro na direcção da  roça de café que supostamente estava a ser atacada, a qual distava ainda mais de um quilómetro do local onde nos encontrávamos. Aquela guerra realmente não era nossa, por isso decidiram, após progredirem uma dezena de metros, tentar intimidar os presumíveis assaltantes (não necessariamente terroristas). Lançaram, com a G-3, algumas granadas para o ar e fizeram alguns disparos de rajada. Aqueles rebentamentos e os enormes clarões por eles provocados interromperam abrupta e momentaneamente a escuridão e o silêncio, fazendo-nos acreditar que  estávamos a ser alvo de um ataque.&lt;br /&gt;Já em cima do camião, por via das dúvidas, ainda percorremos alguns quilómetros com a atenção redobrada, traumatizados que ficámos com aquele insólito acontecimento. Chegados à localidade de Ucua, o negro ferido foi entregue aos cuidados da Polícia Política e lá prosseguimos viagem. Fazia frio, o cacimbo havia já começado a formar-se, tornando-se cada vez mais denso, e voltei a desapertar o cinturão, atirando-o juntamente com as cartucheiras para o lado e colocando, lembrando aos camaradas que fizessem o mesmo, a patilha de selecção de tiro na posição de segurança. Encostei a cabeça em cima duma grade de refrigerantes, tapando-me com o oleado mas, durante o resto dessa viagem, já não consegui adormecer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 228px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407371205561676274" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwrXdkQt8fI/AAAAAAAACnI/zJhewWuDMyk/s400/quesso.jpg" /&gt; .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-5091681139982448948?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/5091681139982448948/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=5091681139982448948' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/5091681139982448948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/5091681139982448948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/o-temivel-morro-da-pedra-verde.html' title='O TEMÍVEL MORRO DA PEDRA VERDE'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwrYQA00KUI/AAAAAAAACnQ/9FVhaBjObSo/s72-c/pverde.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-8237187244533828731</id><published>2009-11-23T10:05:00.001-08:00</published><updated>2009-11-23T10:12:59.085-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>UM ACIDENTE NO NORTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwrPJXUHXCI/AAAAAAAACnA/stTDmjE9dz0/s1600/m3515.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 317px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407362062395857954" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwrPJXUHXCI/AAAAAAAACnA/stTDmjE9dz0/s400/m3515.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Embora contrariando as regras estipuladas quanto a viagens nocturnas, continuámos a acelerar no piso molhado daquele asfalto de bermas traiçoeiras, parecendo haverem sido barradas por uma terra vermelha escorregadia como manteiga quente. Estávamos relativamente perto do nosso destino, não existiam tacógrafos que nos denunciassem e também nem sequer era suposto sermos emboscados por uma patrulha da GNR. Assim, decidimos entrar na noite e perfazer os pouco quilómetros que nos separavam do aquartelamento. A uma distância considerável, embora imprecisa, num local onde mais ou menos sabíamos da existência duma ponte que impunha muito respeito atravessar, pois era estreita e sem protecções laterais, avistámos luzes, reconhecendo partirem dalguns projectores que constantemente se agitavam. Mas não nos detivemos. Continuámos a marcha com cautela, preparados para saltar da viatura a qualquer momento. Alguém terá sugerido ser mais prudente estacionar, o que prontamente fizemos. Ás viaturas foram desligados os motores e os faróis, colocámos os cinturões com as cartucheiras à cintura, introduzimos balas nas câmaras das G-3 e fazendo girar as patilhas da segurança para a posição de tiro de rajada. Alguns camaradas colocaram, dependuradas nos ombros e nos cinturões, algumas granadas. Tudo a postos para qualquer eventualidade. Não tínhamos rádio. Prosseguimos, então, a viagem, embora muito mais devagar, cautelosos e nervosos.&lt;br /&gt;Já perto do objectivo avançámos a pé, junto às bermas da estrada, encharcados pela chuva que teimava em cair copiosamente. Progredindo com prudência mas com vigor acabámos finalmente por avistar duas viaturas Mercedes-Benz e alguns militares que andavam de um lado para o outro, como tontos. Dois deles transportavam os projectores, ora fazendo incidir os seus focos para o ar, ora para a estrada, ora para parte alguma, tal era o desespero deixado transparecer nas suas irrequietas movimentações, em atitudes de completa impotência  perante um cenário que se nos afigurou como terrível. Um dos camiões pertencentes à sua pequena coluna militar, havia, algumas horas antes, galgado a tão temível e sinistra ponte com mais ou menos vinte metros de altura. A viatura encontrava-se imobilizada, com as rodas voltadas para cima, enquanto o caudal barrento lhe ia lambendo com sofreguidão a carcaça, tentando empurrá-la. Um dos rapazes que transportavam os projectores apontou o seu lá para baixo e, imóvel, balbuciou baixinho, como que a falar para consigo próprio :&lt;br /&gt;- Ali...debaixo daquele monstro...metálico...e já gelados...estão...vinte e oito...camaradas nossos...       &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-8237187244533828731?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/8237187244533828731/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=8237187244533828731' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/8237187244533828731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/8237187244533828731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/um-acidente-no-norte.html' title='UM ACIDENTE NO NORTE'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwrPJXUHXCI/AAAAAAAACnA/stTDmjE9dz0/s72-c/m3515.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-1487341580212072330</id><published>2009-11-22T13:44:00.001-08:00</published><updated>2009-11-22T14:34:43.355-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>SOLDADO OU ARRUMADOR?</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwmxaaVIZlI/AAAAAAAACmg/gZ2WvNfWgyM/s1600/Imagem+037.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 352px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407047894937658962" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwmxaaVIZlI/AAAAAAAACmg/gZ2WvNfWgyM/s400/Imagem+037.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;S  O  L&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff0000;"&gt; D  A  D  O&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;OU&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;A  R  R  U  M  A  D  O  R&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Texto publicado no Jornal da “APOIAR-Associação de Apoio aos Ex-Combatentes Vítimas de Perturbações Pós-Traumáticas do Stresse de Guerra”&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;PAI, perdoai-lhes...porque ainda não sabem o que fazem! &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;É ainda sociologicamente incalculável o poder dos órgãos de comunicação social. Neste princípio de milénio o Homem já não está sujeito às demoras e às atribulações (assaltos, p.ex.) que poderiam alterar mensagens e notícias, percorrendo, por vezes, milhares de quilómetros  de matas e desertos para as transportar na sua memória ou em pergaminho  e esperar também longamente pelas suas respostas e repercussões.&lt;br /&gt;Actualmente digitam-se alguns números e letras, e muito embora ainda sejam numerosas as equipas de seres humanos  indispensáveis para que se efectue uma razoável transmissão ou recepção à distância, o hardware é de ano para ano  cada vez mais pequeno e mais leve, contudo mais sofisticado e o software cada vez mais surpreendente, chegando a revelar-se, para algumas pessoas,  mesmo assustador...&lt;br /&gt;Assim, são sobretudo os órgãos de comunicação social quem tem tirado maior partido das novas tecnologias, as quais “intencionalmente bem conduzidas” lhes têm vindo a  conferir um enorme poder (p.ex: na política; na publicidade...).&lt;br /&gt;É assim que as “massas” ou a “carneirada” – ou outros termos com mais ou menos carga pejorativa – continuam a ser manipuladas tal como outrora, embora mais rápida e eficientemente.&lt;br /&gt;Tem-se escamoteado sistematicamente o facto de havermos estado embrenhados até há bem pouco tempo numa guerra colonial durante tantos anos. É sabido que daquela guerra muita gente tirou partido...Aos cachopos lavaram o cérebro e a outros apontaram-lhes com os temores da entrega aos miminhos da polícia política...  Uns, de condição sócio-económica mais elevada, instalaram-se em Paris ou procuraram a “cunha” que lhes permitisse, não fugindo, cumprir a missão com a especialidade de  Escriturário, Operador de Cripto ou outra considerada de menor risco; outros, com poucos ou mesmo sem nenhuns recursos fugiram também para Paris ou Argel – estas duas cidades surgem meramente a título de exemplo – mas vivendo de expedientes, correndo grandes riscos e, tal como aqueles que embarcaram para as colónias, sofrendo intensamente não só o tormento físico e psicológico como também, e sobretudo, aquela dor tão portuguesa chamada saudade.&lt;br /&gt;A minha incorporação obrigatória ocorreu em Janeiro de 1970, fui mobiizado para Angola em Dezembro (passando o primeiro Natal a bordo) – os outros dois foram “festejados” na mata – e regressei em Janeiro de 1973. Temi e tremi com o aproximar da data da incorporação. Não era somente o facto de ir enfrentar o desconhecido. Era também, por exemplo, uma carreira profissional promissora inevitavelmente interrompida, adiada ou mesmo frustrada. Jamais concordei com a deserção, por entender que a “oposição”,  a “resistência” ou o também chamado “esclarecimento político das massas” deveria ser aplicado no palco daquela maldita guerrilha. Contudo, viriamos, com tristeza e até algum sentimento de revolta, a ouvir os aplausos dirigidos aqueles que orgulhosamente diziam que recusaram a guerra  (qual recusaram, fugiram !)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Relembro hoje, e aproveito para prestar  homenagem que este país ainda lhe continua a sonegar,  aquele Operador de Cripto que combateu o fascismo em pleno cenário de guerra :  localidade de Cangamba, situada no leste de Angola e que acabaria assassinado por envenenamento após haver ingerido uma refeição premeditadamente condimentada pelos excelentes “cozinheiros” da PIDE-DGS  no Hotel da cidade do Luso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwmxOrXW3kI/AAAAAAAACmY/6F8b2hZUcRs/s1600/8212.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 285px; DISPLAY: block; HEIGHT: 238px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407047693351968322" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwmxOrXW3kI/AAAAAAAACmY/6F8b2hZUcRs/s400/8212.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Nunca me imaginei  a admitir publicamente que algo mais terrível do que aquela guerra pudesse vir a afectar física e psicologicamente uma geração. E assim encontro aqui mais um fortíssimo motivo de meditação para aqueles que viriam a ser catalogados como sofrendo com a nova doença : Stresse de Guerra. São os nossos cachopos que se entregam à droga, à prostituição, à promiscuidade e que vão viver em tendas de campismo num qualquer Casal Ventoso e, a ressacar, encontramo-los por todo o lado a “arrumar” carros.  Acabam irremediavelmente nas Overdoses, nas Hepatites, nas Sidas, nas Tuberculoses...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swmw_L2Q1II/AAAAAAAACmQ/M3WUJU4NDAM/s1600/spinola_ze.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 216px; DISPLAY: block; HEIGHT: 309px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407047427193623682" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swmw_L2Q1II/AAAAAAAACmQ/M3WUJU4NDAM/s400/spinola_ze.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem milhares de seres humanos a sofrer horrorosamente por haverem participado de forma mais ou menos activa naquele inferno. A maior parte deles estão seriamente arrependidos dos actos a  que as circunstâncias os forçaram a praticar. É urgente que os convençamos de que os encontros entre dois  dos  maiores responsáveis :  Marechal  António de  Spínola  e  Comandante do PAIGC  Nino Vieira foram reais e o significado  –  sobretudo  ao  nível  psicológico,  espiritual ou qualquer termo mais rebuscado que lhe queiram atribuir – desses actos até então impensáveis deveria constituir grande reflexão por parte de cada  ex-combatente e contribuir finalmente para a tão desejada paz de espírito dos seres humanos que vivem há tanto tempo com as consciências injustificadamente atormentadas :&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Armas e Abraços&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                           Com as verdes G-3 sempre às costas&lt;br /&gt;                                           Ou só belicamente marcando&lt;br /&gt;                                           As fronhas das nossas almofadas;&lt;br /&gt;                                           Humanos são cortados às postas&lt;br /&gt;                                           Outros sopram forte atiçando&lt;br /&gt;                                           Velhas sanzalas incendiadas.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;                                           E após alguns anos passados&lt;br /&gt;                                           Descobrem afinal serem iguais&lt;br /&gt;                                           O branco, o negro ou outra cor.&lt;br /&gt;                                           Agora julgam-se os pecados&lt;br /&gt;                                           Improvisam-se os tribunais&lt;br /&gt;                                           Onde o juíz maior é o Amor.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swmw5DdxJnI/AAAAAAAACmI/EWpTMvKIsvE/s1600/NINO_V~1.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 272px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407047321864185458" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swmw5DdxJnI/AAAAAAAACmI/EWpTMvKIsvE/s400/NINO_V~1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Soldado ou Arrumador ? &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                           Chegado acelerado àquele Centro Comercial&lt;br /&gt;                                           Indolentes acenos com os braços p’ ra arrumar&lt;br /&gt;                                           Mãos trémulas com um pão embrulhado em jornal&lt;br /&gt;                                           O rosto envelhecido sem anos para adivinhar&lt;br /&gt; .&lt;br /&gt;                                           E eu mais do qu’  alguém detestei aquele inferno&lt;br /&gt;                                           P’ ra onde todos os rapazes eram então mandados&lt;br /&gt;                                           Acabo questionando um tempo mais moderno&lt;br /&gt;                                           Porque vi  tremer na guerra humanos mais honrados&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;          &lt;br /&gt;É neste aspecto que julgo como seria de enorme utilidade o poder da comunicação social ao serviço de uma causa tão nobre e enriquecedora : sobretudo quanto aos ensinamentos que poderia proporcionar aos mais jovens e, quanto aos outros, aqueles a quem foram feitas “lavagens ao cérebro” e vivem hoje atormentados e com as suas cabeças debaixo da areia, as possam finalmente levantar bem alto, merecendo o respeito da presente geração, enquanto vamos acreditando que noutra dimensão a que os nossos satélites ainda não têm acesso uma potentíssima voz divina continua a gritar ecoando por todo o firmamento :&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- PAI, perdoai-lhes porque ainda não sabem o que fazem !&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-1487341580212072330?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/1487341580212072330/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=1487341580212072330' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/1487341580212072330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/1487341580212072330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/soldado-ou-arrumador_22.html' title='SOLDADO OU ARRUMADOR?'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwmxaaVIZlI/AAAAAAAACmg/gZ2WvNfWgyM/s72-c/Imagem+037.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-8393674724542964788</id><published>2009-11-20T09:39:00.001-08:00</published><updated>2009-11-20T10:10:24.927-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>AS CRIANÇAS, OS PORCOS E AS GALINHAS</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;MISS ANGOLA 2009&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;A BELÍSSIMA ANGOLANA NELSA ALVES&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwbVDzHWwMI/AAAAAAAACjQ/KIgAIEWKkD4/s1600/22missangola.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 283px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406242663942242498" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwbVDzHWwMI/AAAAAAAACjQ/KIgAIEWKkD4/s400/22missangola.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; E faziam-nos acreditar que os negros não tinham Alma...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwbU79mBe-I/AAAAAAAACjI/7gFsxUdeO-g/s1600/Angola-Provincia_de_Cabinda.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 355px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406242529316273122" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwbU79mBe-I/AAAAAAAACjI/7gFsxUdeO-g/s400/Angola-Provincia_de_Cabinda.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os  GE’s  (Grupos Especiais)  eram  recrutados  nas  sanzalas,  treinados,   fardados e armados pelo Exército Português. Na generalidade, nativos com um perfeito conhecimento  da mata. Não combatiam por idealismo. Quando os interrogava acerca da eventual possibilidade de serem aliciados por um Movimento de Libertação a resposta era invariavelmente a mesma : - Combate por quem  der melhores condição !&lt;br /&gt;Raramente combatiam ao lado ou em conjunto com as tropas regulamentares. Enfrentavam o inimigo quase sempre de pé, ao contrário dos portugueses que, por força do hábito nos treinos durante a especialização, se atiravam mecanicamente para o chão assim que ouviam um disparo.&lt;br /&gt;Recebida a mensagem na qual a PIDE nos informava as coordenadas dum aglomerado populacional controlado por elementos do MPLA, treinados por dois guerrilheiros cubanos no Mavué (distrito do Cuando-Cubango), o Comando instalado em Cangamba decidiu desta vez enviar um Grupo de Combate composto por GE’s com o objectivo de os aprisionar. Partiram de Cangombe e a operação tinha uma previsão com a duração de mais ou menos quatro dias. Dois dias até atingirem o objectivo e outros dois para o regresso. A progressão era efectuada a pé naquela imensa chana salpicada por algumas árvores. Nessa operação o alferes Milícias e o soldado radiotelegrafista Antenas apostaram acompanhá-los. Sabia-se, contudo, o quão difícil se tornava progredir (andar) na mata ou na chana a par com aqueles negros de etnia luxaze (corpos esguios e pernas muito finas) mas naturalmente possuidores duma resistência física extraordinária. Tornou-se, contudo, numa experiência interessantíssima. Os GE’s demonstravam um enorme respeito pela inferioridade dos brancos relativamente ao seu andamento e repartiam generosamente os alimentos e a água. Normalmente, atingido o objectivo, o acampamento era incendiado e todos os homens que lá se encontravam abatidos. Depois os GE’s conduziam até à sua sanzala apenas as mulheres “válidas” e as crianças “saudáveis”. Carregavam também os utensílios domésticos e os animais encontrados, distribuindo-os posteriormente entre si.&lt;br /&gt;Nesta operação o acampamento foi facilmente encontrado e imediatamente incendiado com bazucas. Os cubanos e o chinês já haviam traiçoeiramente desaparecido. Os homens foram sumariamente abatidos e procedeu-se à selecção das mulheres, crianças e animais. Reuniram-se os poucos objectos encontrados incólumes ao fogo.&lt;br /&gt;Por norma a progressão só se fazia durante o dia. À noite acampava-se, aguardando-se pelo nascer do sol.&lt;br /&gt;O papel do alferes e do soldado radiotelegrafista havia sido até ao momento o de meros expectadores.&lt;br /&gt;Trouxeram consigo cerca de dez mulheres, a maior parte carregando às costas os seus filhos de tenra idade, dois porcos e meia-dúzia de galinhas, para além de tachos, panelas e algumas peças em barro, que complementavam o espólio capturado.&lt;br /&gt;Durante a primeira noite em que foi improvisado o acampamento as mulheres choravam a perda dos homens : avós, pais, maridos, irmãos ou filhos deficientes, cujos corpos queimados ou mutilados lá ficaram cobertos de moscas, mosquitos ou formigas enquanto tardasse a chegada das aves de rapina.&lt;br /&gt;As crianças choravam : talvez com fome, quiçá com alguma dor. Os porcos grunhiam, os galos cantavam e as galinhas cacarejavam ruidosamente ecoando no silêncio e no escuro daquela imensa chana, tornando-se compremetedor. Mesmo quando se fumava um cigarro havia sempre o cuidado de ocultar a sua ponta incandescente, pois aquela, por ocasião da “pucha”, tornava-se demasiado luminosa e era visível, durante a noite, a uma distância muito considerável.&lt;br /&gt;Gerou-se grande agitação e troca de palavras no dialecto luxaze, as quais se entendiam apenas como  discordantes e coléricas. O alferes e o soldado brancos cedo se aperceberam dos reais motivos subjacentes à discussão, confirmados por um GE que “arranhava” a língua portuguesa. Os GE’s entenderam como insuportável o choro persistente das crianças – apenas das crianças – e já haviam decidido “democraticamente”, duma forma seca e cruel, simplesmente abatê-las. Consideravam de maior utilidade os porcos e as galinhas. Começaram a amordaçar o focinho dos porcos e a atarem com tiras de trapos os bicos dos galináceos.&lt;br /&gt;O soldado Antenas ficou petrificado perante aquele cenário que se apresentava como macabro, não sabendo como reagir. O alferes Milícias, esse, dotado dum inusitado sangue-frio e desenfreada determinação, gritou ao líder daqueles frios assassinos :&lt;br /&gt;-   Se têm de matar algo ou alguém que sejam primeiro os porcos e as galinhas ! As crianças... NÃO ! Se assim não for, eu não saio daqui vivo, mas a minha G-3 fará fogo sobre vocês !&lt;br /&gt;Os ânimos acabaram por acalmar. O líder dos GE’s, numa atitude respeitosa, deu de imediato uma ordem  firme quanto imperceptível, após o que quatro negros empunharam as suas facas de mato. No dia seguinte, os predadores devem-se ter deliciado com duas boas carcaças de suínos bem gordos e quatro apetitosos galináceos  do “campo”.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwbUzECUYeI/AAAAAAAACjA/YsIeqKm4q-Q/s1600/porcos_artigo.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 210px; FLOAT: left; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406242376426742242" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwbUzECUYeI/AAAAAAAACjA/YsIeqKm4q-Q/s400/porcos_artigo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Embora estes actos hediondos chegassem a ser praticados pelas tropas regulares portuguesas, já nesta altura se verificava, por parte das tropas negras, um desprezo atroz pela gente da sua raça. Recorde-se o que aconteceu após o 25 de Abril quando estalou a guerra civil.&lt;br /&gt;Relativamente aos portugueses brancos mais ignorantes, alguns desses, os que defendiam a tese de que os negros não tinham alma, viriam a casar com negras e mulatas e passearam pelos jardins com os seus queridos netinhos de côr.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwbUsRwSuzI/AAAAAAAACi4/FOQcemHqQwE/s1600/220px-Female_pair.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 220px; FLOAT: right; HEIGHT: 294px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406242259850148658" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwbUsRwSuzI/AAAAAAAACi4/FOQcemHqQwE/s400/220px-Female_pair.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-8393674724542964788?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/8393674724542964788/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=8393674724542964788' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/8393674724542964788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/8393674724542964788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/as-criancas-os-porcos-e-as-galinhas.html' title='AS CRIANÇAS, OS PORCOS E AS GALINHAS'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwbVDzHWwMI/AAAAAAAACjQ/KIgAIEWKkD4/s72-c/22missangola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-5854395169707145270</id><published>2009-11-20T08:02:00.001-08:00</published><updated>2009-11-20T08:35:12.720-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>O NESCAFÉ DO SENHOR COMANDANTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swa98-qPaoI/AAAAAAAACh4/zsWmE2v-bIg/s1600/exer6.gif"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 55px; FLOAT: right; HEIGHT: 76px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406217258014829186" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swa98-qPaoI/AAAAAAAACh4/zsWmE2v-bIg/s400/exer6.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swa90outFuI/AAAAAAAAChw/mXgzOdKD_8E/s1600/exer6.gif"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 55px; FLOAT: left; HEIGHT: 76px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406217114689017570" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swa90outFuI/AAAAAAAAChw/mXgzOdKD_8E/s400/exer6.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swa-GrcDpxI/AAAAAAAACiA/HghtLOu_uC8/s1600/img_nescafe_homehist.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 100px; DISPLAY: block; HEIGHT: 100px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406217424653756178" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swa-GrcDpxI/AAAAAAAACiA/HghtLOu_uC8/s400/img_nescafe_homehist.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A minha (nossa) principal e mais agradável refeição diária era efectiva e invariavelmente o pequeno almoço, servido cerca das sete horas da manhã.&lt;br /&gt;Afastava as abas de lona da tenda de campanha verde com tecto duplo, olhava na direcção da cozinha improvisada, não conseguindo, porém, dalí, a uma distância de mais ou menos quarenta metros, visualizá-la, pois o cacimbo (espécie de nevoeiro) formado ao longo da noite fria, ainda se mantinha bastante denso. Somente por volta das nove, dez horas o sol, já vigoroso, o penetrava, evaporando-o. Na cozinha uma enorme fumaça se difundia. No solo havia sido aberta uma fossa pouco profunda onde era colocada a lenha e, a cobri-la, uma gigantesca grelha de varão de aço. O pão era amassado e confeccionado pelo cozinheiro, ajudado por outros camaradas. Depois, distribuído a cada um de nós um “casqueiro” quente e fofo, tipo pão de Mafra, o qual, após cortado em duas partes colocávamos com uma forquilha por cima daquele braseiro, voltando-o de vez em quando, por forma a torrá-lo mais ou menos, consoante as preferências individuais de cada militar matinalmente esfomeados. Barrava-se com manteiga ou margarina, geralmente apenas numa das metades, pois a parte sobrante - tal como fazem os cães com os ossos - era guardada para ir enganando o estômago ao longo do dia e, por vezes, da noite.&lt;br /&gt;Embora o Estado estipulasse uma quantidade diária de alimentos e bebidas tidas como necessárias à nutrição dos militares, na prática os géneros alimentícios : carne, peixe, farinha, açucar, azeite, óleo, vinho, café, leite, etc., transportados em sacas, barris ou outro tipo de recipientes sofriam, ao longo do seu itinerário, mais de uma violação ou mesmo desvios de percurso. Depois, eram comercializados pelos tais indivíduos sem escrúpulos, os quais “encheram os bolsos à pala daquela guerra”.&lt;br /&gt;Esparguete com atum chegaram a estar para nós, durante semanas, como couves com feijão para o povo trabalhador ribatejano. O café da manhã era aguado, o mesmo acontecendo com o leite, o azeite e até com o vinho. Assim, a comida tinha muito pouco tempero. Por vezes, quando se verificava a falta de água, as marmitas chegavam a ser “limpas”, após cada refeição, com um bocado de pão, transformando-se a nossa sobremesa num gracejar amargurado ao dizermos uns para os outros “que assim sempre se aproveitava uma nesga de gordura para acrescentar à refeição seguinte...”  A  arca do bar dos cabos e soldados estava a abarrotar de comida pertencente à messe dos oficiais, sargentos e furrieis. O aquartelamento situava-se em Quicua, destacamento adstrito ao Batalhão de Sanza Pombo, perto da fronteira com a República do Congo. Na messe as refeições eram sempre servidas com toalha de mesa, guardanapos, pratos de porcelana e talheres de peixe, carne e até de sobremesa. Refeições para as quais eram escalados um ou mais ordenanças (criados), os quais os serviam à mesa, faziam as camas, enfim, todo o trabalho “doméstico”.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;QUIAGE (nos DEMBOS)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swa9ritrCYI/AAAAAAAACho/QRLio5d-dJM/s1600/Imagem+032.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 352px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406216958455253378" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swa9ritrCYI/AAAAAAAACho/QRLio5d-dJM/s400/Imagem+032.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Cozinha e refeitório imundos onde eram confeccionadas as refeições e depois servidas a cabos e soldados&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Certa noite, um furriel cúmplice do “nosso grupo”, confidenciou-nos que nas trazeiras da messe se encontravam enterrados muitos, muitos quilos de frangos. E foi muito, muito triste a sua confirmação. Já havíamos tentado dois levantamentos de rancho (recusa em comer durante o momento destinado às refeições) mas o chicote do oficial-de-dia e as ameaças do capitão nunca haviam permitido que tal atitude, considerada como sublevação, chegasse ao conhecimento do comandante do Batalhão.&lt;br /&gt;O senhor comandante, um tenente-coronel de estatura pequena e frágil mas com carácter rijo e determinado era muito exigente com as tropas sob o seu comando, contudo, jamais admitia que lhes faltasse o que quer que fosse para o seu bem-estar. Tive conhecimento, já no século XXI, através dum Oficial com quem ele privou na vila de Sanza Pombo (que faz o favor de ser meu amigo há muitos anos : o Sr. Dr. Ruy Sommer D’ Andrade) do seu falecimento num acidente de viação.&lt;br /&gt;Um dos camaradas do “nosso grupo”, o Carlos Barros, um rapaz de trato fino e cultura-médio-superior, era habitualmente convidado para servir o senhor comandante por ocasião das suas visitas ao destacamento.&lt;br /&gt;Aquele tenente-coronel nunca dispensava, após as refeições, um café instantâneo. Um compartimento do armário da messe servia de “sacrário” onde repousava religiosamente à sua espera um frasco de café solúvel de cem gramas da marca Nescafé, pois o senhor comandante era viciado naquela bebida estimulante.&lt;br /&gt;Então surgiu uma ideia tão brilhante quanto arrojada. Preparámos um plano de acção que se pretendia radical, dispostos a arriscar tudo por tudo e a sofrer as imprevisíveis consequências. Quando fosse chegado o momento de servir o cafezinho ao senhor tenente-coronel o frasco havia miraculosamente sumido. O Carlos Barros teve a inusitada audácia para praticar tamanha sabotagem psicológica, convertendo a sua acção numa resolução definitiva. Já visivelmente inquieto com a demora, à qual não estava habituado, passou rapidamente para uma postura irrequieta e agressiva :&lt;br /&gt;- Então, Barros, esqueceste o meu café ?&lt;br /&gt;Adoptando com algum esforço um ar severo mas determinado na prossecução do delicado plano, cruzou as mãos à frente da fivela do cinturão e respondeu com alguma tremura na voz : - Saiba V. Exª. , meu comandante, que neste destacamento não falta apenas o Nescafé... Tanto no nosso refeitório como na nossa cantina tem vindo a faltar tudo !&lt;br /&gt;Foi como se uma tremenda, repentina e incontrolável explosão tivesse ocorrido em Quicua. O senhor comandante, pessoa inteligente e com muitos anos de carreira, não permitiu que ninguém se pronunciasse. Pensou, durante um breve instante, e pediu delicadamente ao Barros que se retirasse. Apurou responsabilidades e accionou acções disciplinares . Ainda assim, o comandante da Companhia, um capitão com tantos anos de serviço como de malandrice e má-educação, no dia seguinte mandou transmitir para o Batalhão uma mensagem “em claro” (via rádio, não cifrada, do tipo telefonema) solicitando o reabastecimento da Unidade com um autêntico rol provocatório de alimentos caros, bebidas e iguarias, entre as quais se destacavam :&lt;br /&gt;-  100 garrafas de champanhe&lt;br /&gt;-  500 litros de vinho branco e tinto da Bairrada&lt;br /&gt;-  100 quilogramas de lagostas, gambas, camarão, etc. A partir daí a alimentação melhorou, mas jamais tivemos conhecimento do desfecho relativamente ao contencioso entre comandos, em virtude de alguns dias mais tarde a Companhia de Engenharia onde me integrava, se haver deslocado para o Agrupamento de Engenharia em Luanda, sendo, à época, seu comandante um homem íntegro e bom que nunca pactuou com uma imensidão de vermes corruptos.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-5854395169707145270?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/5854395169707145270/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=5854395169707145270' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/5854395169707145270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/5854395169707145270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/o-nescafe-do-senhor-comandante.html' title='O NESCAFÉ DO SENHOR COMANDANTE'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Swa98-qPaoI/AAAAAAAACh4/zsWmE2v-bIg/s72-c/exer6.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-216470173335141356</id><published>2009-11-19T13:03:00.000-08:00</published><updated>2009-11-19T13:57:40.530-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>O "MEU PRIMEIRO" (Sargento)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwWzjt20WLI/AAAAAAAAChI/XYbrJAN18kQ/s1600/exer16.gif"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 56px; FLOAT: right; HEIGHT: 76px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405924353914460338" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwWzjt20WLI/AAAAAAAAChI/XYbrJAN18kQ/s320/exer16.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwWzaEDimyI/AAAAAAAAChA/kCcDZGa9stY/s1600/exer16.gif"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 56px; FLOAT: left; HEIGHT: 76px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405924188074711842" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwWzaEDimyI/AAAAAAAAChA/kCcDZGa9stY/s200/exer16.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwW0Kx3Dp9I/AAAAAAAAChQ/Av3Je71fVAc/s1600/Cedida_por_Caluanda_17.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 226px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405925025004103634" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwW0Kx3Dp9I/AAAAAAAAChQ/Av3Je71fVAc/s320/Cedida_por_Caluanda_17.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O “MEU PRIMEIRO”&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Luanda tomei lugar naquela viatura mista de cabina semi-avançada, com as suas duas tampas enormes em chapa de abertura lateral a albergarem o potente motor, a parte central servindo de mini-autocarro amontoando pessoas envoltas num odor intenso a catinga e a traseira aberta, com taipais, transformada em pequena camioneta e destinada ao carregamento das bagagens mais volumosas pertencentes aos passageiros e das encomendas para entrega nos agentes ao longo da viagem ou na Estação Terminal.  Era este o veículo amorfo e pertencente à empresa transportadora Eva que me iria levar até Nova Lisboa.  Além de mim, apenas três militares que regressavam à sua Unidade, ali para as bandas da  Gabela, após umas curtas férias na lindíssima capital angolana, a fazerem aquela viagem, sendo este  o meu primeiro convívio,  durante dois dias consecutivos, com cidadãos negros, na maioria mulheres e crianças exalando o tal odor característico ao qual acabei por me habituar.&lt;br /&gt;Depois, daquela pequenina, simpática e tranquila  cidade de Nova Lisboa até ao Luso a viagem prosseguiu através dos Caminhos de Ferro, com paragem durante a noite, numa tentativa frustrada em dormir um sono já por demais adiado. Aquele comboio  muito antigo com as suas carruagens de assentos em madeira destinava-se apenas ao transporte de civis e militares de poucos recursos, pois quem possuía dinheiro viajava de avião.  Às cinco horas da madrugada o comboio reiniciou a sua marcha até atingir, quase ao final do dia, o já tão desejado destino. E foi ali, na cidade do Luso, capital da área geográfica  que era e ficou conhecida como região do Leste, que comecei a sentir que havia chegado à zona de guerra. Apesar do cansaço  a imensa curiosidade ainda me deu forças e sentei-me por alguns instantes à mesa duma esplanada, aproveitando para conversar e colher informações com outros militares enquanto bebi uma ou duas cervejas. Finalmente o sono reparador numa caserna onde me instalaram até ao dia seguinte. Nessa manhã partiu o MVL (designação correspondente a “movimento logístico”) muito usada para identificar uma caravana composta por viaturas militares anti-minas, por vezes meia dúzia outras vezes dezenas de camiões civis e na retaguarda mais algumas viaturas de protecção militar. Destino: Cangamba, aquartelamento situado nas chamadas terras-do-fim-do-mundo – uma região  de clima comparável ao do nosso Minho -  à distância de três dias e sempre obedecendo aos trilhos daquelas infindáveis picadas empoeiradas. &lt;br /&gt;Chegados a Cangamba cada qual foi para seu lado. Eu encontrava-me tão cansado, triste e coberto daquele pó que me tapava todos os poros, que só me apetecia tomar uma bebida e dormir, embora não fizesse ainda a menor ideia do como seria a minha vida dali para a frente. Como sempre, fiz um esforço, pensei positivamente e pedi aos meus santinhos que me ajudassem. Por enquanto estava sozinho e perdido mas no dia seguinte decerto já conheceria os meus camaradas e,  tal como os outros,  também me habituaria...&lt;br /&gt;Começava a escurecer. E eu ali parado sem já distinguir o peso daquela saca enorme às costas, as cartucheiras carregadas à cintura, apenas tendo consciência de haver pousado naquele chão de terra batida a coronha da célebre arma automática G-3 enquanto a segurava pelo cano, servindo-me dela como apoio.&lt;br /&gt;Passaram por mim dois “velhinhos” (era sempre mais velhinho do que o outro quem tivesse nem que fosse apenas um dia a mais de comissão), e recebi duas palmadas nas costas, uma de cada um, o que levantou uma enorme poeirada, enquanto aquele que parecia estar mais “tocado” me saudou primeiro: &lt;br /&gt;-  Benbindo, oh maçarico !  (termo usado na tropa para designar um novato)   - T’ ás feito !  Que mal é que fizeste para bires parar aqui ?   Debias era bir-me   a render p’ ra eu ir já p’ ró Puto, carago ! –  gracejou  o  outro com acentuada pronúncia do norte. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.     &lt;br /&gt;-  Oh   bacanos  !   Já    agora   digam-me,   por favor,   a   quem   é   que   este maçarico se deve apresentar ?  - perguntei-lhes enquanto ia ajeitando  a G-3,   agarrando-a  pela   zona  do carregador,   encostada   com   força  à  perna  direita  e  com  o  cano apontado para o chão.                                                                                &lt;br /&gt;Indicaram-me um barracão que ali se encontrava bem à nossa frente, dizendo-me que lá dentro ainda encontraria o “nosso primeiro”, ou seja : o responsável pela Secretaria do Batalhão, o primeiro sargento Tobias.  Assim que obtive a informação dirigi-me à porta e lá estava ele sentado à secretária, com aspecto de “morcão”, o que efectivamente viria a confirmar ser mesmo.  Antes de entrar, pedi licença, saudei-o o mais educadamente possível e disse-lhe que tinha chegado de Luanda para prestar serviço naquele Batalhão.&lt;br /&gt;O sargento esforçou-se por assumir um ar austero, recostou-se na cadeira e muito secamente perguntou-me :&lt;br /&gt;-  Nunca te ensinaram a te apresentares como debe de ser ? Bai lá p’ ra fora e bolta mas apresenta-te como debe de ser !&lt;br /&gt;A atitude do “morcão” não me surpreendeu minimamente, o que me irritou, isso sim, foi o facto de nos encontrarmos naquele sítio inóspito, marcial, o adiantado da  hora e, sobretudo, a frieza e até a crueldade da recepção para com um indivíduo que apresentava  sinais por demais evidentes de cansaço depois duma viagem atribulada de oito dias...&lt;br /&gt;O sargento Tobias  já tinha no currículo várias comissões no Ultramar, da Guiné até Timor, mas das que ele realmente gostava eram daquelas em zonas consideradas operacionais : essas “davam mais dinheiro”...  E eram mais compensadoras monetariamente não tanto ao nível do ordenado mas sim em função da experiência, da “ratice”, enfim, sobretudo da falta de escrúpulos.&lt;br /&gt;Daí aquela maldita guerra haver durado até eles se fartarem,  não só os sargentos, entenda-se... O primeiro Tobias tinha a esposa a viver com ele ali no mato  e os dois filhos andavam a estudar em Luanda e gozavam da companhia  dos avós.  Em Luanda ele já possuía duas vivendas.  Em Lisboa era proprietário de um andar e lá na terra a casinha velha já se havia transformado em “maison”.&lt;br /&gt;Estes alguns dos bens que ele próprio,  quando já tinha cerveja até à goela, “declarava”. &lt;br /&gt;A minha experiência pessoal aliada à curiosidade por estes temas levou-me a tomar conhecimento de inúmeros casos incríveis duma espécie de corrupção abominável dadas as circunstâncias em que era praticada e tendo em conta o tipo de pessoas que eram atingidas. Provavelmente que mais de metade dos efectivos militares de carreira, os chamados “Chicos”, quer fossem oficiais, sargentos ou mesmo cabos, tiraram partido daquela guerra prejudicando inclusivamente os seus pares, de carreira ou milicianos. &lt;br /&gt;Também foram imensos os casos de corrupção praticados por milicianos – por exemplo aqueles com responsabilidades nas áreas da alimentação e dos combustíveis e lubrificantes. Uns, mais levianos, gastaram-no lá, outros guardaram-no para ser cambiado na Mutamba (baixa de Luanda) àqueles homens que traziam uma pasta ou carteira debaixo do braço e que funcionavam como uma Bolsa de Valores ambulante :  se hoje um escudo valia um angolar e meio, amanhã já valia três – nunca consegui perceber, nem fiz questão sequer, como aquilo funcionava.  Efectuada a transacção num qualquer cantinho daquela Praça, mais ou menos às escondidas, os angolares continuavam a circular na sua terra natal e os escudos acompanhavam os seus novos possuidores até à “peluda”  (vida civil).&lt;br /&gt;Durante o tempo em que cumpri serviço na Companhia do primeiro Tobias no Leste de Angola, num destacamento em Cangombe, jamais experimentei, assim como os restantes camaradas,  o conforto dum lençol ou duma fronha de almofada. Pois durante cerca de seis meses, no nosso  “pré” (ordenado) eram  descontados  valores que diziam respeito a lavagem de lençóis (?) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.                                                     &lt;br /&gt;O cabo escriturário da Companhia era um genuíno e pachorrento alentejano de Serpa. Um óptimo rapaz cuja figura robusta contrastava com a finíssima  educação e delicadeza no trato. Muito discreto, calhou-lhe em sorte ficar subordinado ao primeiro Tobias. Cumpria escrupulosamente com os seus deveres, mesmo sendo cúmplice do seu superior hierárquico, mas, nisso todos estariam de acordo, passar de escriturário a atirador seria uma insensatez. Contudo, avisava sempre aqueles em quem ele sabia poder confiar para as manipulações administrativas praticadas pelo sargento.&lt;br /&gt;Quando nos eram concedidas férias, em função dos dias gozados fora da Unidade estipularam as autoridades governamentais que fossem também atribuídos subsídios  em virtude de não estarmos a ser por ela alimentados. O cabo Serpa também acerca disso me avisou :&lt;br /&gt;- Olha, alfacinha, quando ele te entregar a papelada para assinares repara que tens direito a um subsídio chamado de “desarranchamento”.&lt;br /&gt;Mas acabou por acontecer comigo o que acontecia sempre com todos os outros. O sargento havia aprendido isso na escola da pilhagem ao longo de tanta comissão de serviço. Era a psicologia do medo ou a da sobejamente conhecida ânsia que os militares tinham em se livrarem por uns dias daquele malvado ambiente marcial.&lt;br /&gt;Por curiosidade demorei um pouco a verificar todos aqueles papéis mas, acto contínuo, ele soltou um grito enquanto bateu com o punho na mesa fazendo “destroçar” aquela papelada até então ali tão bem  “perfilada” :&lt;br /&gt;- Estás  a desconfiar ou quê ? Isso foi feito por mim, o primeiro da Secretaria,  oubis-te ?   Ou já não queres ir de férias ?  Bá, assina aqui e aqui e aqui ! Isso mesmo !  Menino bonito !  E não te esqueças de passar na Enfermaria e pede ao nosso furriel ou ao nosso cabo p’ ra te darem uma bisnaga anti-benérea.&lt;br /&gt;Os militares,  quando lhes era oportuno procurarem companhia  feminina,  o que acontecia naturalmente durante as férias, tinham a obrigação de levarem da Enfermaria da Unidade uma pomada anti-venérea e inscreverem o seu nome e data num livro especialmente aberto para o efeito, pois se contraíssem qualquer tipo de doença ao nível de todo o aparelho urinário, mesmo que não tivessem feito uso da pomada ficavam ilibados de culpa, não lhes sendo movido processo disciplinar,  ganhando o direito a ser-lhes ministrado  o  tratamento adequado.  Era uma forma de prevenção de choque : intimidar, esclarecer, premiar ou castigar. Tinha aspectos positivos mas também uma face mais oculta, sinistra, muitíssimo trágica : a dos militares menos esclarecidos que contraíram infecções graves, as esconderam com medo porque não inscreveram o seu nome no livro da Enfermaria, ou  apenas por vergonha, e que lá se suicidaram,  pois muitos deles eram casados e mesmo os solteiros não aguentavam a ideia de regressarem com o pénis amputado.&lt;br /&gt;O sargento Tobias conhecia alguns casos destes, daí o cuidado que tinha ao fazer tais avisos. Ao mesmo tempo que roubava num lado como contrapartida  penitenciava-se com uma boa acção : a prevenção da blenorragia (vulgarmente conhecida como “esquentamento”). &lt;br /&gt;Meses mais tarde, o Batalhão regressou ao “Puto” (Metrópole) e com ele o Primeiro Sargento Tobias, o qual não deve ter mamado mais nenhuma comissão  em consequência do 25 de Abril.&lt;br /&gt;Fui colocado numa Companhia de Engenharia comandada por um capitão ribatejano, homem bom, íntegro, profissional, hoje na situação de reserva com o posto de tenente-coronel, salvo-erro, e que ocupa o seu tempo em prol da comunidade como vereador na Câmara duma das vilas mais bonitas do Ribatejo, talvez do país, a qual se presume tenha servido de berço a  Camões: Constância. O capitão Farinha da Costa foi um daqueles oficiais de carreira que deixou muita obra feita em terras de África. Nessa Companhia,  passados tantos meses, após uma ligeira conversa com o sargento da secretaria, o duro mas justo “primeiro”  Madail, vim a receber os valores, que a juntar a tantos outros,  devem ter servido para o tal Tobias comprar o carrinho novo p’ ra mostrar lá na terra... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.                                                                             &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwWzPeCWdBI/AAAAAAAACg4/2Uu7roP2rCE/s1600/Casas-de-campo-Suica-Cantao-sao-galo-Wildhaus-Birkehus-uf-de-Loog.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405924006070481938" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwWzPeCWdBI/AAAAAAAACg4/2Uu7roP2rCE/s320/Casas-de-campo-Suica-Cantao-sao-galo-Wildhaus-Birkehus-uf-de-Loog.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; Uma das casinhas-tipo, as tais &lt;em&gt;"casinhas tipo-maison"&lt;/em&gt;, das muitas que eles mandaram construir na Metrópole e até nas capitais das ex-&lt;em&gt;Colónias&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota do Relactor&lt;/strong&gt;: Os nomes das pessoas visadas (corruptos e assassinos) são fictícios. Os outros, a quem pretendo prestar a devida homenagem pela diferença dos anteriores são reais.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-216470173335141356?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/216470173335141356/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=216470173335141356' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/216470173335141356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/216470173335141356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/o-meu-primeiro-sargento.html' title='O &quot;MEU PRIMEIRO&quot; (Sargento)'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwWzjt20WLI/AAAAAAAAChI/XYbrJAN18kQ/s72-c/exer16.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-1811491521499514606</id><published>2009-11-18T08:50:00.000-08:00</published><updated>2009-11-19T12:59:06.549-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>A CONSTRUÇÃO DO KIMBO (no Leste de Angola)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwQmPLbW7YI/AAAAAAAACgo/1UOY19XCo_o/s1600/Imagem+031.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 352px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405487494958869890" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwQmPLbW7YI/AAAAAAAACgo/1UOY19XCo_o/s400/Imagem+031.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; Evacuação dos feridos&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Kimbo equivale no dialecto luxaze àquela casota primitiva que nos é mais familiar também com o nome de kubata, as quais construídas em aglomerado constituem uma sanzala.&lt;br /&gt;As suas paredes de argila convenientemente amassada e comprimida por dentro da estrutura em paus com mais ou menos quinze centímetros de diâmetro e ligados entre si por lianas entrelaçadas; a sua cobertura de capim penteado com as mãos, umas em forma cónica outras em quatro abas, conferiam àquelas “casas” uma isotermia natural e um conforto de “luxo” ajudando a enfrentar aquele clima tão agressivo.&lt;br /&gt;A Companhia de Artilharia foi instalada junto a uma sanzala situada num ponto do mapa ao qual chamaram Cangombe, dispondo as suas tendas como se dum Parque de Campismo se tratasse. Aquelas tendas verdes, de tecto duplo, albergavam cada uma no seu interior doze militares. Um dos radiotelegrafistas, rapaz com jeito para as aparelhagens, invenções e ideias malucas pensou e concretizou construir um kimbo para lá instalar o posto de rádio. O sucesso foi tal que as tendas foram-se rapidamente enrolando e guardadas nos seus caixotes para darem lugar a uma nova “urbanização” : a dos kimbos.&lt;br /&gt;Mas construir kimbos só foi possível e relativamente fácil em virtude de se encontrar a comandar a Companhia o capitão Ferrão, homem nascido na cidade invicta e amante da noite, dos copos, do jogo e das mulheres. Havia casado já em segundas ou terceiras núpcias com uma linda e bela senhora de Sá da Bandeira, onde possuíam casa de habitação mas encontravam-se muito raramente.&lt;br /&gt;O capitão Ferrão cumpria a sua comissão de serviço fleumaticamente : de dia lia, dormia, comia e bebia e à noite jogava ao pocker, ao king ou mesmo ao monopólio com os outros oficiais, enquanto se enchiam cinzeiros e se despejavam garrafas de uísque, brande e conhaque...&lt;br /&gt;Quando no Centro de Cripto era decifrada e transformada em linguagem clara a mensagem que indicava as coordenadas onde se encontrava um grupo inimigo que era necessário eliminar – estas informações partiam da PIDE-DGS- o Operador de Cripto, instintivamente, associava a operação que estava já iminente à ideia de emboscadas, minas traiçoeiramente enterradas acabando por despoletar, arrancando pés, pernas e provocando os mais diversos ferimentos, as evacuações de feridos e mortos numa correria sem tréguas para a pista improvisada onde pousavam frenéticos, ensurdecedores e sempre envoltos em muita poeira os helicópteros Allouettes, os Pumas ou as avionetas DO (Dornier). Depois era o silêncio total, e por vezes a falta de coragem em atravessar sozinho, durante a noite, o acampamento. Porque a face do sofrimento dos camaradas feridos, ou sobretudo a daqueles que jamais sentiriam dor, passava como um filme diante dos nossos olhos, teimosamente, sem desligar...&lt;br /&gt;O nosso capitão estava farto de tanto sofrimento. Assim, bom conhecedor do comportamento dos guerrilheiros e da imensa chana que ali nos subjugava, adoptou um sistema de combate que nos permitiu ir à "casa de banho" sem a arma em posição de fogo, ao rio buscar água sem granadas à cintura e sairmos logo pela manhã em Unimogs, só regressando ao final do dia, sem sequer levar um rádio, à procura e na recolha dos materiais para a construção dos kimbos. Sempre que lhe era cometida uma missão na mata as coordenadas nunca estavam certas ou o tal grupo inimigo não havia sido encontrado. Porém, os seus homens permaneciam por lá o tempo considerado necessário à suposta intercepção dos “terroristas”, havendo o especial cuidado em deixar espalhadas pela zona algumas rações de combate, maços de cigarros e sobretudo algo que lhes desse a entender quem éramos e qual a nossa intenção.&lt;br /&gt;Eu também ajudei à construção do kimbo no qual passei a viver. Foi numa dessas aventuras que nos fizemos transportar num único Unimog Diesel (conhecido como Burro do Mato), com as suas quatro jantes apertadas do avesso às polies, dando-lhe um aspecto largueirão, muito competitivo, mas que de facto o tornava muito mais seguro. Dois pneus furados obrigaram-nos a permanecer a meio do caminho do acampamento e o local onde íamos recolher a argila. Ali ficámos até vermos nitidamente naquele outro céu, no firmamento do outro hemisfério, a brilhante constelação : Cruzeiro do Sul. E ainda ninguém, no acampamento distante, havia dado pela nossa falta. O meu amigo João, também lisboeta, radiotelegrafista, aturou-me até tarde, pois sempre tinha sido meu entendimento que o rádio deveria acompanhar-nos nestas deslocações, dado que uma avaria ou mesmo um acidente poderiam acontecer inesperadamente. E isso realmente confirmou-se. Daí a minha fúria descarregada no bom mas descuidado camarada João.&lt;br /&gt;Naquela noite quente jogámos monopólio até às cinco horas enquanto fomos bebendo daquilo que havia : cerveja Nocal ou Cuca e Gin com gasosa. Os oficiais e sargentos tinham direito a umas tantas garrafas de bebidas finas por mês. Contudo, coleccionavam-nas para quando acabassem a comissão as trazerem para a Metrópole (Portugal). Como não as poderiam trazer todas, procediam a uma selecção : bebiam ou vendiam umas tantas, guardando outras de uísque, conhaque e vodka e ofereciam – a maior parte das vezes vendiam – as de gin e brande aos cabos e soldados.&lt;br /&gt;Despertei sobressaltado graças ao aparelho Racal instalado no Posto de Rádio que gritava em altos berros sons desordenados, entre os quais pareciam ouvir-se rajadas de armas automáticas, teimando um dos operadores de rádio em dizer haver escutado uma voz muito débil, que acreditava ser a do João, supostamente já gravemente ferido, e, de repente o som semelhante ao dum rebentamento de granada seguido daquele barulho do rádio com o potenciómetro no máximo mas tendo já perdido a sintonia com o outro distante. Dois camaradas acreditavam ter percebido naquela curta transmissão a palavra: “atacados”. Acto contínuo, passou-me pela mente a insistência com o João para que o rádio nos acompanhasse sempre; a minha intuição – nem só as mulheres a têm – a repetir-me que o João havia saltado do Unimog, conseguindo desesperadamente colocar a antena no rádio, acabando por ser visto e atingido pelos estilhaços duma “pinha” (granada); o perguntar a mim próprio a razão que levou o meu amigo a não me acordar para ir com eles...Pedi aos meus santinhos a máxima protecção para aqueles camaradas em tão grande aflição e não consegui pensar em mais nada que não fosse juntar-me aos camaradas oficiais, sargentos, furrieis, cabos e soldados, incluindo o cozinheiro, que parecendo formigas loucas se armavam para partirem de imediato, seguindo a picada até encontrar aqueles dois Unimogs que haviam saído há cerca de meia-hora do acampamento, desconhecendo-se, portanto, a sua localização exacta. Ninguém pensou nos perigos que se poderiam deparar pelo caminho. A revolta transbordava, ninguém manifestava o mínimo sinal de medo, muito pelo contrário, todos aqueles rapazes, na maioria oriundos do norte, gritavam descoordenadamente : - Bamos embora, carago ! Despachem-se, carago, bamos embora!&lt;br /&gt;Um camarada radiotelegrafista agarrou-me na altura em que eu apertava atabalhoadamente as cartucheiras à cintura para seguir também, impedindo-me com a argumentação repetida de que já estavam a caminho os outros elementos das transmissões e no aquartelamento poderiam precisar dos meus serviços, o que de facto viria a acontecer mantendo o contacto permanente com o comando do batalhão no sentido de accionar os meios aéreos de evacuação. A meu lado estava o Carlos Gonçalves (o “Pica”) um caso raro de alguém que se pode e deve conservar como amigo, havendo as voltas da vida provocado incompreensivelmente o nosso desencontro. Os primeiros camaradas a saírem já haviam chegado ao local da emboscada e já começavam a dar notícias. Nestas ocasiões o António Pires não dizia ao Manuel Carlos : - Bravo Delta (bom-dia) Mike Charlie (Manuel Carlos) , aqui é Alfa Papa (António Pires) quem chama, escuto !&lt;br /&gt;Não! Agora, contra todas as regras de segurança aprendidas, contra todas as normas superiormente estabelecidas estavamo-nos nas tintas e toda a linguagem era transmitida em claro, como se estivessemos a estabelecer uma chamada telefónica normal.&lt;br /&gt;Os nossos camaradas haviam sido vítimas duma emboscada de fogo cruzado de baixo para cima, ou seja : o inimigo instalou, apoiadas no solo, metralhadoras de fita, dos dois lados da picada, havendo sido encontrados uns dez apoios do tipo fisga de cada lado, o que levou a crer que eram uns vinte elementos a disparar em simultâneo à passagem das duas viaturas transportando militares completamente desprevenidos. Aqueles que seguiam nas cabinas tombaram imediatamente; os que seguiam sentados lateralmente naqueles bancos de madeira aparafusados na caixa de carga dos Unimogs saltaram instintivamente para o solo, e, embora já gravemente feridos, rastejaram para um local tido por mais seguro enquanto foram respondendo ao fogo com fogo. Mas o inimigo estava, à partida, em vantagem. Todos os nossos rapazes se encontravam com o corpo furado e entretanto o inimigo também já havia lançado algumas granadas. O João também caíu ferido juntamente com outro camarada, o qual haveria de o ajudar a enroscar a antena do rádio. O inimigo apercebeu-se disso e apressou-se a lançar-lhes uma granada, o que obrigou a interromper de imediato a transmissão. Entretanto aqueles “turras” (terroristas) foram postos em debandada em consequência da atitude de um rapaz de estrutura forte mas duma ternura muito superior ao seu tamanho: o transmontano Severino. Tinha a especialidade de atirador mas era incapaz de matar uma formiga. Levantou-se bruscamente daquele chão ensanguentado e, já em pé, com a G-3 pela altura da cintura, rodopiou sobre si próprio, sem cessar de disparar de rajada enquanto gritava como um Rambo : - Apareçam, mostrem a cara, filhos da puta ! Seus filhos da puta ! Seus filhos da puta ! E rodopiou, rodopiou, até voltar a atirar-se ao chão com o carregador vazio, pronto para o trocar e voltar a levantar-se e rodopiar, rodopiar.... Não foi preciso, pois jamais se ouviu fogo inimigo e os nossos primeiros camaradas a partir do acampamento começavam a chegar. Depois houve choro sobre aquele indiscritível cenário... O meu amigo João despediu-se de mim apenas com o olhar antes de entrar no helicóptero que na pista já o aguardava. Tinha o peito impressionantemente esburacado e o maxilar inferior havia-se soltado.&lt;br /&gt;Todo aquele cenário de pesadelo : mortos, feridos, heroísmo donde menos se esperava, a solidariedade até para com os camaradas com quem particularmente não se simpatizava – mais uma vez o reflectir durante os dias seguintes – aliás lição para toda a vida – de que ninguém pode dizer que em determinada situação reagiria desta ou daquela maneira. A experiência na guerra mostra-nos essas facetas do ser humano. Conhecem-se calmeirões e bazófias que se urinam com medo e pequenotes e humildes que se destacam em bravura duma forma surpreendente...&lt;br /&gt;O capitão Ferrão pensava até aquele momento que conhecia todos os homens sob o seu comando. Enganou-se. Ficou frustrado. Quedou-se triste. Sentiu-se traído.&lt;br /&gt;O motivo daquela tragédia haveria de ser decifrado ao serem encontradas nas imediações do acampamento algumas cabeças de pretos dependuradas nas árvores. Encontrados foram também papéis pregados nos troncos fazendo ameaças de extermínio da população “turra” naquela região.&lt;br /&gt;Eles estavam sedentos de guerra, geraram-na à revelia do comando e de todos os outros militares e causaram danos irreparáveis nas duas partes :&lt;br /&gt;Três homens conseguiram provocar tanta dor que o capitão sempre tentara, pondo em risco a sua carreira, a todo o custo evitar :&lt;br /&gt;O furriel de Operações Especiais; o furriel de Transmissões e o cabo Enfermeiro haviam sido os responsáveis.&lt;br /&gt;O meu amigo João, o ferido com mais gravidade, foi submetido a várias intervenções cirúrgicas e a operações plásticas, voltando a fazer, anos mais tarde, uma vida normal. Os outros viriam a ter o seu nome inscrito naquela lápide enorme plantada, anos mais tarde, na Praça do Império em Lisboa. E aquela era a última viagem ao mato na última recolha de capim para a última cobertura do último kimbo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwQmJLeVYgI/AAAAAAAACgg/uUxS7oedfpo/s1600/DSC01472.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405487391892136450" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwQmJLeVYgI/AAAAAAAACgg/uUxS7oedfpo/s400/DSC01472.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; (imagem do blogue: &lt;a href="http://joaoemangola.blogspot.com/"&gt;http://joaoemangola.blogspot.com/&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-1811491521499514606?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/1811491521499514606/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=1811491521499514606' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/1811491521499514606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/1811491521499514606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/11/construcao-do-kimbo-no-leste-de-angola.html' title='A CONSTRUÇÃO DO KIMBO (no Leste de Angola)'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwQmPLbW7YI/AAAAAAAACgo/1UOY19XCo_o/s72-c/Imagem+031.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-9184443535717871223</id><published>2009-09-15T10:05:00.000-07:00</published><updated>2009-09-15T14:12:36.554-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>OS CRIMES DE GUERRA SÃO IMPRESCRITÍVEIS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sq_cYZuD6pI/AAAAAAAACCo/nlS2_kyHv2Y/s1600-h/joaquim.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 164px; height: 219px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sq_cYZuD6pI/AAAAAAAACCo/nlS2_kyHv2Y/s400/joaquim.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381762391510084242" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;O JUÍZ PORTUGUÊS  MAIS INTERNACIONAL DE SEMPRE NASCEU EM VISEU&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(153, 51, 153);font-size:130%;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);font-size:180%;"&gt;AVISO:&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O autor deste blogue alerta para o facto de esta publicação não dever ser visualizada por pessoas sensíveis, em virtude da crueza das palavras e das imagens (reais).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(153, 51, 153);font-size:130%;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; font-weight: bold;"&gt;"PARA DIGNIFICAR A MEMÓRIA E O CARÁCTER DOS EX-COMBATENTES HÁ QUE JULGAR OS ASSASSINOS!!! PORQUE NEM TODOS FORAM IGUAIS".&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(do blogue: altoseixo: assassinos entre nós)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;Aviões militares NORATLAS utilizados na Guerra Colonial&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sq_SNn2llEI/AAAAAAAACCA/eaDrbFGK6oM/s1600-h/dondo1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 174px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sq_SNn2llEI/AAAAAAAACCA/eaDrbFGK6oM/s200/dondo1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381751211209102402" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;OS MASSACRES, A UTILIZAÇÃO DE NAPALM E A GUERRA QUÍMICA TAMBÉM FORAM DENUNCIADOS NO PROGRAMA DE JOAQUIM FURTADO:&lt;br /&gt;"A GUERRA"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sq_SDAxH-BI/AAAAAAAACB4/cHExXp1t8WU/s1600-h/tdo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 88px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sq_SDAxH-BI/AAAAAAAACB4/cHExXp1t8WU/s200/tdo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381751028918515730" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sq_Yqf0V5nI/AAAAAAAACCg/p6z-tL27b48/s1600-h/tal.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 88px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sq_Yqf0V5nI/AAAAAAAACCg/p6z-tL27b48/s200/tal.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381758304338175602" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Avioneta DORNIER (DO) e Helicóptero Alouette, meios aéreos utilizados na Guerra Colonial&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;.***********************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FF6666;"&gt;Entrevista publicada no matutino português CORREIO DA MANHÃ em 16 de Agosto de 2009&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FF6666;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FF6666;"&gt;e no blogue Barões da Sé de Viseu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(imagens  do blogue supramencionado e do Google)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;"&gt;Almiro Simões Rodrigues&lt;/span&gt; nasceu em Boaldeia, Viseu, há 59 anos. É licenciado em Direito e em Psicologia. Em Portugal ocupou vários cargos no Ministério Público, tendo chegado a procurador-geral-adjunto. Esteve no TPI e em várias missões de observação para a ONU. Fala seis línguas.&lt;br /&gt;Voltou da Bósnia para gozar a aposentação em Portugal. Mas um convite para integrar o Tribunal Constitucional do Kosovo trocou-lhe as voltas. O juiz português mais internacional de sempre conta-nos a sua experiência.&lt;br /&gt;Esteve no Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex-Jugoslávia, em missões da ONU na Costa do Marfim, foi candidato à presidência do TPI, juiz na Câmara de Crimes de Guerra de Sarajevo, e agora tomou posse como juiz do Tribunal Constitucional do Kosovo. É reconhecido internacionalmente.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Sente-se reconhecido em Portugal?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Tenho a ideia de que o meu trabalho não é reconhecido em Portugal. Sobretudo, não me sinto reconhecido no sentido de que os valores por que luto não são divulgados e não são tidos em consideração. Porque em alguns sectores sei que o meu trabalho é reconhecido, mas não é muito conhecido. Se calhar é culpa minha. No entanto, penso que não me cabe a mim criar essas situações; cabe-me apenas estar disponível. Na minha concepção de magistrado não cabe tomar um papel activo no sentido de fazer a divulgação deste trabalho.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;O Governo acompanhou-o?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A minha candidatura para o TPI para a ex-Jugoslávia e para o TPI foi apoiada pelo Governo. De facto, os candidatos concorrem à eleição individualmente mas são propostos pelo Governo. Nesta fase sim; depois, praticamente se esqueceu, não houve um acompanhamento, a mesma coisa aconteceu noutras circunstâncias.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Quando foi investido no Kosovo não esteve nenhuma representação diplomática portuguesa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Isso é verdade, não houve representação absolutamente nenhuma. Mas também é verdade que a minha ida para o Kosovo é pessoal, não envolve o Governo português.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Mas não deixa de ser um elemento da justiça portuguesa. Não se sente magoado?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Não me sinto magoado porque de alguma forma já estou habituado a funcionar no estrangeiro sem grande apoio das entidades oficiais ou grande visibilidade. Sou apresentado como português pela imprensa estrangeira mas não me causa problema pessoalmente. Sinto algum incómodo só na medida em que &lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;penso que os valores que estão presentes neste tipo de trabalho poderiam e deveriam merecer mais atenção, não só das entidades oficiais como dos próprios media. De facto, &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;os crimes de genocídio, os crimes de guerra, os crimes contra a&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;humanidade, a violação massiva dos direitos humanos deveria ser objecto de mais atenção.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;Posso dizer que até hoje não recebi uma carta de reconhecimento de qualquer entidade oficial. No entanto, não estou nada magoado por causa disso, porque não estou à espera sequer. Nunca trabalhei na minha vida para o reconhecimento. Trabalho porque acredito no que estou a fazer, gosto de o fazer e sei que posso ser útil. Estas são as minhas motivações fundamentais.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;A ONU criou a Câmara de Crimes de Guerra de Sarajevo mediante uma proposta sua. Sente que lá fora reconhecem melhor o seu trabalho?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Não tenho dúvida nenhuma. Posso dizer, até com alguma imodéstia, que, em termos internacionais, não há ninguém com a minha experiência e conhecimento, porque não há nenhum outro juiz que tenha estado no TPI, que tenha trabalhado ao nível da jurisdição nacional e que tenha trabalhado em clara e estreita ligação com a jurisdição internacional. Só eu é que praticamente a experimentei. As pessoas reconhecem que a minha experiência e o meu conhecimento foram decisivos não só para o avanço do TPI para a ex – Jugoslávia e até o TPI, como sobretudo para a Câmara dos Crimes de Guerra. Para além disso, ninguém teve a experiência de campo e de terreno que eu tive. Internacionalmente este conhecimento e esta experiência são claramente reconhecidos e é por isso que recebo convites de todas as partes do mundo não só para conferências e formação mas também para certas acções.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Como é que surgiu o convite para o Tribunal Constitucional do Kosovo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Já tinha regressado a Lisboa para gozar a minha aposentação mas alguém me disse que eu era necessário no Kosovo. Este tribunal é composto por nove juízes: seis são nacionais e três são internacionais. E assim fiz, avancei para este tribunal, que visa implementar uma proposta elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para resolver o estatuto do Kosovo como Estado independente.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;A independência do Kosovo é o objectivo do tribunal?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É objecto do Tribunal Constitucional do Kosovo a independência e o funcionamento regular das instituições que estão estabelecidas na constituição, designadamente a garantia dos direitos e liberdades fundamentais do cidadão, seja ele minoritário ou não. Mas, de alguma forma, tem que ver com isso porque se o estado do Kosovo funcionar segundo as regras internacionais, segundo os parâmetros de um estado civilizado e de direito, é óbvio que o reconhecimento acaba por ser mais fácil por parte dos países que ainda não reconheceram. Em termos de direito internacional o costume e o facto consumado são por vezes fonte de direito. E, portanto, desde que haja uma grande maioria dos estados a reconhecer, mesmo que essa independência tenha sido declarada sem base legal, ela tornar-se-á legal pela força de haver de facto reconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Mas era ilegal?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Do meu ponto de vista, a declaração de independência é ilegal face às regras da ONU e às regras do direito internacional. Mas, como disse o costume é uma fonte de direito internacional, a prática é também de alguma forma um factor de mudança da própria lei internacional, que tem uma dinâmica um pouco diferente dos sistemas jurídicos nacionais. Por outro lado, o direito internacional, como existe hoje, não tem mais nada a ver com o direito internacional clássico, que nós estudámos nas faculdades de direito, assente nos conceitos de soberania, cidadania e fronteira. Estes pilares estão completamente ultrapassados. Basta dizer que cidadania, face às decisões do TPI, não tem mais a ver com o passaporte mas com o sentimento de pertença a um grupo nacional. Face à globalização e à fácil circulação das pessoas, temos que evoluir para um conceito de soberania em que há, não só obrigações de outros estados, mas também os direitos que os estados têm reciprocamente. E, por outro lado, a noção de fronteira não tem mais nada que ver com as barreiras aduaneiras, com o controle. O que é fronteira hoje face aos problemas de Chernobil, de tráfico de seres humanos ou de droga?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Como viu o compasso de espera feito por Portugal para o reconhecimento do Kosovo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Não tenho uma opinião formada sobre isso. A ideia que tenho é que Portugal tinha feito um compasso de espera aguardando o parecer do Tribunal Internacional de Justiça, mas de repente houve uma declaração de reconhecimento por parte do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Seja como for, o facto está consumado, e tenho a impressão de que Portugal fazia bem em ter uma representação diplomática em Pristina [a capital].&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;E é irreversível?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Do meu ponto de vista o processo de independência é irreversível. A própria Rússia tem a sua representação diplomática em Pristina. Como tal, penso que Portugal fazia bem em acompanhar a carruagem. E o estar presente significa que pode influir. Mesmo havendo algum desacordo em relação a algumas coisas, Portugal pode dar alternativas no processo de construção dum novo Estado.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Quanto tempo espera ficar no Kosovo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O meu mandato para já são três anos sujeito a extensão.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Entre 1997 e 2001 esteve no TPI para a ex-Jugoslávia. Julgou várias pessoas acusadas de genocídio, de perseguições religiosas e de extermínio. Qual foi o caso mais complicado que teve nas mãos e que mais o tenha impressionado?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Foram julgados vários sérvios, croatas, e até muçulmanos. Eu, por exemplo, julguei croatas – o general Blaskic, o Aleksovski – e sérvios. Mas o caso mais impressivo e que mais me obrigou a reflectir foi exactamente o caso de genocídio em Srebrenica [na Bósnia-Herzegovina].&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;O que viu chocou-o?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Vi muitas imagens, muitos vídeos, mas o que me chocou mais foi, sobretudo, o que ouvi. Chocou-me profundamente e colocou-me questões muito complicadas, para as quais tentei obter resposta na psicologia, na economia, na sociologia, inclusivamente na psicanálise.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Encontrou as respostas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Não encontrei, o que tenho é provisório. Os relatos que ouvi, de pessoas que escaparam do pelotão de execução, à beira da vala comum, e chegaram ao tribunal para contar a história, são arrepiantes e não deixam de nos interpelar com essa questão que é extremamente difícil de responder: como é que seres humanos fazem isto a outros seres humanos? Esta é a grande questão. A minha resposta é que quem não está preparado para morrer está preparado para matar. Mas há outra coisa que está muito presente na revisão da minha resposta. Acho que as pessoas ainda não estão suficientemente maduras, quer em termos colectivos, quer individuais, para tomarem as suas próprias decisões.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;É muito fácil, de facto, passarmos para a animalidade?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que é fácil passarmos para a animalidade no sentido de rebanho, quer dizer, de seguir alguém sem sentido crítico, de se tomar uma decisão autónoma. Muitas vezes digo a quem reza que devia incluir nas suas orações este pequeno parâmetro: ‘E livrai-nos dos maus líderes’...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Alguma vez se sentiu mais fragilizado por ouvir o que ouviu?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por vezes tive de fazer pausas porque sentia a voz embargada dos intérpretes que, sendo originários da ex-Jugoslávia, viveram e conheciam os acontecimentos em causa. E tive a necessidade de, na altura, organizar actividades desportivas em conjunto com a minha equipa de juízes e assistentes jurídicos, num parque, aonde íamos uma vez por semana, para nos mantermos a um nível capaz de funcionar. Passávamos cinco horas por dia a ouvir relatos, e aquilo era inacreditável, inimaginável, e obviamente que nos tocava muito. É verdade também que a minha formação em Psicologia e a experiência de trabalho com crianças abandonadas e maltratadas me deram a possibilidade de ser capaz de fechar a porta e de fazer a distinção entre aquilo que é o profissional e o que é o pessoal.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Conseguiu ser assim tão estanque?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Consigo fazer um distanciamento pessoal em relação ao objecto do julgamento. É possível darmo-nos conta de que o problema está lá, que existe e que está a bater à porta. Mas não o deixo entrar, para não me invadir e tocar, sob pena de ficar impróprio e incapaz de o resolver. Isto treina-se, eu digo que é possível. Durante este processo de genocídio e outros, como o do campo de concentração, todos eles davam razões para fazer perder o sono e não dormir descansado. Posso dizer que em todo este tempo tive apenas um único pesadelo.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Relativo a algum relato mais duro?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Não sei se pode fazer essa distinção porque todos os relatos eram duros, horríveis mesmo. Uma pessoa com oitenta e tal anos disse na audiência: “Sinto-me como uma árvore seca no meio de uma floresta vazia.” Tinha perdido mulher, filhos, netos, todos os parentes. Estava completamente isolado na vida e tinha levado 25 dias a fugir na floresta porque escapou do momento e local de execução. As metralhadoras disparavam e por vezes uma bala não acertava. Mas havia o efeito-dominó, as pessoas estavam alinhadas e as que estavam atrás caíam sobre as que estavam à frente. E estas sentiam o sangue quente a escorrer pelas costas abaixo e estavam vivas. Os soldados perguntavam: “Alguém está ferido?” Os que respondiam eram abatidos imediatamente. Os que não respondiam enfrentaram uma questão muito mais dura. Ao ouvirem o barulho das retroescavadoras que iam enterrar os cadáveres na vala comum, tiveram de fazer a opção entre serem enterradas vivas ou tentar escapar. Muitos tentaram escapar e foram abatidos. Outros conseguiram escapar e chegar ao tribunal para contar toda esta história. É evidente que ninguém é intocável a este relato. Isto interpela-nos enormemente.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Como é que é possível que situações destas ainda aconteçam? Temos o caso, por exemplo, do Darfur.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A mudança de atitude que preconizo em termos individuais tem de alcançar também as instâncias e as organizações internacionais. O que verifico da minha experiência é que a ONU é uma estrutura burocrática que demora muito tempo a reagir e quando reage é tarde. Todos sabemos que o genocídio do Ruanda foi possível porque a comunidade internacional demorou a reagir. O genocídio de Srebrenica existiu porque a comunidade internacional nunca acreditou que fosse possível. Srebrenica era uma zona protegida das Nações Unidas. Mais, as comunicações que foram feitas por quem lá estava a tomar conta da ONU só à quarta vez é que chegaram à sede em Nova Iorque. Isso significa que alguma coisa tem que mudar, a todos os níveis. Mais, o que por vezes verifico no campo é que Organizações Não Governamentais (ONG) estabelecem mecanismos de competição entre elas e não mecanismos de cooperação. E a dignidade da pessoa humana não pode depender da burocracia da ONU ou das competições das ONG.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Em julgamento qual foi a reacção dos réus perante a acusação?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Com o andamento do processo estas pessoas começam a dar conta de que podem ser culpadas, isto é, começam a dar conta que entraram na tal dinâmica de grupo. O grande problema é que eles são extraídos da dinâmica de grupo para serem julgados individualmente. No início esta é uma realidade completamente diferente para eles. Mas gradualmente vão-se dando conta de que são culpados. O que é interessante é verificar que este confronto acontece entre o início do processo e o momento da leitura da sentença.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Há uma mudança?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;No momento da leitura da sentença, as pessoas parecem aceitar o que compreenderam ao longo do processo: que de facto cometeram crimes, que de facto o seu comportamento foi censurável, e aceitam. Eu recordo perfeitamente, quer o general Blaskic, quer o general Krstic, este um dos responsáveis pelo genocídio de Srebrenica, quer os comandantes dos campos de concentração dos casos que eu tive, no fim aceitaram e com uma dignidade incrível que a mim próprio surpreendeu.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Vive nos Balcãs, cruza-se com as pessoas na rua. Considera possível um novo conflito na região?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Gostava de dizer que não mas tenho alguns receios. E os meus receios vêm do facto de sentir que as diferenças étnicas não estão completamente ultrapassadas.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Acredita na detenção de Mladic?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Durante algum tempo não acreditei que fosse possível deter Radovan Karadzic e neste momento mantenho a mesma atitude em relação a Mladic. A grande questão são as relações entre a diplomacia internacional e justiça penal internacional. A diplomacia criou a justiça penal internacional, de alguma forma, para resolver um problema que ela não conseguia resolver e para calar as consciências da comunidade internacional. A diplomacia nunca acreditou que o TPI funcionasse. Só que houve uns pára-quedistas que caíram lá e que de facto levaram aquilo a sério e puseram aquilo a funcionar. A partir desse momento foi impossível recuar. A justiça penal internacional tornou-se extremamente incómoda para a diplomacia internacional. Esta, a determinada altura viu-se ultrapassada por uma criança completamente irreverente e autónoma que não seguia as orientações da diplomacia. E neste momento há ainda essa relação de tensão. Mas acredito que é possível. Agora depende da atitude e dos movimentos da diplomacia internacional.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Acredita que a justiça que foi feita pode compensar o drama humano que existiu?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A resposta é, claramente, não, mas é muito mais do que não haver justiça. O que tínhamos antes era uma situação de total impunidade. Os líderes mundiais, os chefes militares, faziam o que lhes apetecia e não eram chamados à responsabilidade. Creio que nem o próprio Milosevic acreditou que alguma vez fosse possível ir a tribunal. Acredito que a justiça é decisiva porque o ouvi da boca das vitimas. Imensa gente disse-me: “eu sofri imenso para chegar aqui, eu reservei esta história para ser contada aqui, porque é aqui, é na justiça que este problema tem que ser resolvido”. Portanto as pessoas acreditam efectivamente em termos internacionais que a justiça é decisiva.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Os crimes relacionados com direitos humanos prescrevem?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Os crimes de guerra, os crimes de genocídio e os crimes contra a Humanidade são &lt;span style="font-size:180%;"&gt;imprescritíveis&lt;/span&gt;. Mesmo os responsáveis políticos não têm consciência de que crimes cometidos há 30, 40 e mais anos podem ainda hoje ser julgados. Ou seja, do ponto de vista prático, crimes que aconteceram na Guerra Colonial podem ser sujeitos a julgamento hoje. Eu sei como, do ponto de vista processual. Se é possível julgá-los, digo ‘sim’, claramente. De outro ponto de vista já não respondo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Há responsáveis militares e políticos portugueses que ainda podem vir a ser julgados?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista jurídico, a resposta é, claramente, sim. Isto é, &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);font-size:180%;"&gt;os crimes são imprescritíveis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Pensa que isso deveria ser feito?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Prefiro não me pronunciar. Sou muito a favor dos processos de transição, pois visam resolver as consequências de um conflito. A justiça é apenas uma parte desse processo. Portanto, não me compete a mim apreciar do ponto de vista político e da oportunidade. Juridicamente, é possível, e se fosse encarregado de o fazer encontraria uma solução.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Mas quem faria os julgamentos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É possível os tribunais portugueses, angolanos ou moçambicanos julgarem. É possível a criação de um tribunal ad-hoc. Mas isto implica, obviamente, uma decisão política, uma solução do ponto de vista processual, para estabelecer e dizer qual é o tribunal competente. Agora, qualquer procurador pode começar uma investigação e pode levar o caso a tribunal.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Se lhe encomendassem esse trabalho fá-lo-ia?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Fá-lo-ia porque seria minha obrigação. Como jurista com algum conhecimento e experiência neste domínio sei como fazê-lo. Mas ninguém me pediu até hoje e também não me ofereço.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Isso poderia levantar um grande reboliço na sociedade portuguesa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Penso que sim. Mas também acho uma outra coisa: os reboliços por vezes trazem esclarecimentos que são úteis ao desenvolvimento mais sereno e mais calmo. Não estou a dizer com isto que o reboliço tem que existir.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Portanto há aqui uma questão que ainda pode vir a ser pegada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Há uma questão que não é questão, porque as pessoas nunca tiveram consciência de que os crimes são imprescritíveis.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Porque decidiu sair, o País era demasiado pequeno para si?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Havia coisas que eu gostava fazer neste pais e que senti que não podia fazer e por isso pensei que podia fazer fora.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Que coisas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, ao nível da reorganização da justiça, ao nível da formação dos magistrados, ao nível de criar mecanismos de proximidade com o cidadão, ao nível de melhorar a comunicação com o público, com as partes. Havia muita coisa que gostaria de fazer e que tive oportunidade de fazer lá fora.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Fala-se de um descrédito cada vez maior da justiça portuguesa. Preocupa-o isto?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quando observo a justiça de um ponto de vista exterior, o meu primeiro sentimento é de tristeza porque vejo que há coisas que são simples de fazer e que não são feitas. Há reformas que deveriam ser feitas e não são, mas, sobretudo, vejo que as reformas a fazer não podem ser feitas contra os cidadãos, mas a favor e com os cidadãos. E há um princípio que tenho presente e que é: a mudança tem que ser preparada, não pode ser imposta. Acho que há muito para melhorar sobretudo do ponto de vista de credibilizar a justiça. Em todo o caso, penso que o descrédito está num ponto que é recuperável, sobretudo com uma melhor atitude e comportamento dos diferentes actores que intervêm na justiça. Estes devem manter uma ligação especial com o público. É necessário que tudo isto seja feito em nome da transparência, não pode haver justiça oculta.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Isto é algo que se passa apenas em Portugal ou há comparação a nível internacional?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que há comparação a nível europeu. Tenho impressão que a justiça tem alguma dificuldade em se adaptar aos movimentos e mudanças sociais aceleradas.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Tendo como pano de fundo o processo Casa Pia, como é possível que seja feita justiça ainda?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eu não quero mencionar nenhum caso em concreto. Há duas ou três coisas que eu gostava que fossem introduzidas ao nível do sistema português. Uma, e que eu não sei como traduzir em português, poderá ser algo como conferências de preparação e acompanhamento do julgamento. E outra seria a ‘guilty plea’: um processo para quem se declare culpado e outro para quem se declare não culpado. Ou até um processo que entrasse um pouco pela via da mediação. A mediação é vista hoje numa perspectiva de aceleração da justiça, em termos de dar à justiça os casos pesados e os outros poderem entrar numa via de mediação. Se ficarem resolvidos esse nível está resolvido. Se não forem resolvidos, estão pelo menos instruídos para serem julgados sem necessitarem de mais nenhum tipo de preparação. A conferência de preparação do julgamento em casos de grande complexidade provou que é possível definir com exactidão as matérias de direito e as matérias de facto. A partir do momento em que definimos com as partes este núcleo duro é possível quantificar e trazer a prova, discutir se são cinco testemunhas ou duas apenas, discutir se os documentos são todos necessários ou não. Porque na selecção dos documentos, segundo este sistema que experimentei, só são de considerar os documentos que, primeiro, são relevantes e, segundo, são autênticos. Não se discute o valor probatório porque esse só é verificado no final. O que acontece é que, por vezes, entram documentos no processo que aumentam o volume e a complexidade, que obrigam as pessoas a ler e a verificar que não é importante quando à partida isso não devia ter entrado. É possível a partir daqui estabilizar a prova que vai ser produzida em audiência, o que significa que é possível calendarizar o processo, isto é, estabelecer a data de início e a data do fim. Mais, é possível dizer a cada uma das partes quantos dias é que tem. Mais ainda, estes casos complicados não podem funcionar só com um juiz ou com um procurador, tem que haver uma equipa. Para esta equipa, é a minha terceira proposta, deviam entrar e ser criados os assessores jurídicos. O juiz faz todo um trabalho burocrático e todo um trabalho de investigação ao qual devia ser poupado. Ele devia ficar reservado para o trabalho jurisdicional. A mesma coisa com o procurador. Estes assessores, que podiam ser recém-licenciados, seriam uma base de recrutamento fantástica para a formação. Em vez de recrutar mais juízes porque não recrutar mais assessores? Nos quatro anos de mandato do TPI trabalhei e concluí cinco processos, e enormes. Mas isto só foi possível porque tive uma assistente jurídica, um jurista de câmara e tinha uma secretária.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;A independência dos juízes existe realmente?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;É algo que pode chocar muita gente, se disser que da minha observação em geral não são independentes. Eu explico. A independência do juiz tem duas vertentes para ser uma independência a sério: a primeira é objectiva e a segunda é subjectiva. A primeira tem que ver com a pessoa que é independente mesmo, em si é independente. Mas é necessário que ela pareça ser independente, isto é, ninguém é independente se não for representado pelo público como tal. E, quando vemos que há juízes que, pelo público são associados a partidos políticos, a clubes de futebol ou a outro tipo de organizações, por mais que as pessoas sejam independentes, e até acredito que sejam do ponto de vista de si próprios, nunca mais serão independentes pois nunca mais serão percebidos como tal. Eu vou mais longe, por vezes as pessoas parecem independentes mas não são independentes. Diz-se que, para o juiz ser independente, tem de decidir segundo a lei e a sua consciência. Decidir segundo a lei é um parâmetro técnico. Decidir segundo a sua consciência é decidir livre de quaisquer pressões do passado, incluindo o passado e história pessoal, e ainda livre de quaisquer projecções sobre as consequências futuras. Ou seja, o juiz tem que ser capaz de se isolar no agora, que é o nível máximo de consciência. Quantos juízes serão capazes de o fazer? De qualquer forma, ser e parecer independente são condições sine qua non de independência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;Fez o último ano do curso de Direito em Coimbra. Porquê? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante o PREC (Processo Revolucionário em Curso), por causa do MRPP, tive que ir para Coimbra porque fui considerado traidor da classe operária em Lisboa. Em Coimbra fui aclamado como herói da classe operária.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Explique-me lá isso melhor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sem querer entrar em detalhes, era trabalhador-estudante. Fui professor do ciclo preparatório, do liceu e fui contabilista, ao mesmo tempo que tirava o curso de Direito. Quando se discutia proletariado ia aos arames porque as pessoas não faziam a mínima ideia do que era o proletariado. Cheguei a fazer a experiência de ir trabalhar numa fábrica de cortiça no Seixal porque na altura andava muito metido nas discussões sociais. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Determinadas pessoas apresentavam-se em público a discutir proletariado quando tinham a mesada do papá e tinham todo o apoio. Eu não concordava. Fui mal interpretado, declarado traidor da classe operária e proibido de entrar nas instalações da Faculdade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Tendo em conta tudo o que já viu, e julgou casos terríveis, algum momento perdeu a fé na Humanidade?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Tive dúvidas, porque muitas vezes fiquei chocado e baralhado. &lt;span style="font-weight: bold;font-size:130%;"&gt;Mas não perdi a fé.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sq_UsAL_ndI/AAAAAAAACCY/EgaSUiuFfDg/s1600-h/cabecas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 111px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sq_UsAL_ndI/AAAAAAAACCY/EgaSUiuFfDg/s200/cabecas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381753932160671186" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-9184443535717871223?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/9184443535717871223/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=9184443535717871223' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/9184443535717871223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/9184443535717871223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2009/09/os-crimes-de-guerra-sao-imprescritiveis.html' title='OS CRIMES DE GUERRA SÃO IMPRESCRITÍVEIS'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/Sq_cYZuD6pI/AAAAAAAACCo/nlS2_kyHv2Y/s72-c/joaquim.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-3661557506293529444</id><published>2008-10-05T08:05:00.000-07:00</published><updated>2008-10-05T08:11:09.591-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>Contos da Guerra Colonial</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt;A toda(o)s aquela(e)s que fazem o favor de me privilegiarem com as suas visitas informo que as novas publicações encontram-se no blogue:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contos da Guerra Colonial II&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;beijos&lt;br /&gt;abraços&lt;br /&gt;saudações bloguistas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-3661557506293529444?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/3661557506293529444/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=3661557506293529444' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/3661557506293529444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/3661557506293529444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2008/10/contos-da-guerra-colonial.html' title='Contos da Guerra Colonial'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-3638050645452684803</id><published>2008-09-16T10:47:00.000-07:00</published><updated>2008-09-16T10:52:41.551-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>ENCERRADO PARA OBRAS</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial; font-style: italic; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;ESTE ESPAÇO ENCONTRA-SE TEMPORARIAMENTE SUSPENSO.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-style: italic; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;OBRIGADO PELA VISITA.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-style: italic; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;SAUDAÇÕES BLOGUISTAS.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-3638050645452684803?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/3638050645452684803/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=3638050645452684803' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/3638050645452684803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/3638050645452684803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2008/09/encerrado-para-obras.html' title='ENCERRADO PARA OBRAS'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-7779392146214882899</id><published>2008-09-07T08:07:00.000-07:00</published><updated>2012-01-20T15:36:43.403-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>O "TURRA MUSSOLÉ"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Este conto é dedicado a uma colega da blogosfera, pessoa que, não conhecendo pessoalmente, já me merece a maior estima e admiração: a &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family:arial;" &gt;Susana B. (blogue: Palavras que me tocam).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family:arial;" &gt;&lt;/span&gt;Foi o meu segundo trabalho literário &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;censurado&lt;/span&gt; após a "Revolução dos Cravos", desta vez não a lápis azul (prática da polícia política PIDE-DGS) mas a caneta de feltro amarelo fluorescente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family:arial;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O "TURRA MUSSOLÉ"&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family:arial;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family:arial;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family:arial;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family:arial;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Mussolé era um nome temido tanto pelas tropas portuguesas como pela população nativa que, obrigatoriamente, lhe dava abrigo. Havia pertencido a um grupo de combate integrado no nosso exército como GE (Grupos Especiais), porque, não combatendo por idealismo, o seu lugar era junto daqueles que lhe proporcionavam mais regalias. Integrava, dado o seu prestígio junto das populações, um grupo de guerrilheiros, havendo-lhe sido atribuído um cargo de ch&lt;/span&gt;efia. O comandante supremo do seu destacamento nómada naquela zona do leste de Angola era um português, ex-alferes miliciano e com ele movimentavam-se dois ou três cubanos e um chinês. Paradoxalmente, ou talvez não - aquela guerra também se sustentava assim - o senhor alferes, pertencente a uma família abastada, havia-se passado para o outro lado e, pasmem-se os mais incrédulos, recebia e emitia a sua correspondência para a Metrópole através da PIDE-DGS !?...&lt;br /&gt;Certo dia assisti a um recrutamento e selecção desses GE's. Foi colocada uma mesa rectangular ao ar livre junto à tenda do Comando, ficando sentado ao centro o alferes-médico, ladeado por um enfermeiro e pelo cabo escriturário. Os nativos aguardavam ansiosos, de pé, em fila indiana e iam sendo submetidos a um interrogatório e inspecção médica sumários. Daquele colectivo quem decidia quanto à aptidão ou não era o médico. Chegada a vez do interrogatório a um negro de aspecto robusto e convencido, e mesmo antes de preenchidos os quesitos pelo cabo escriturário, o alferes-médico olhou-o muito fixamente, estranhando o facto dele usar uns óculos de armação dourada tipo Ray-Ban com lentes de vidro translúcidas mas visivelmente sem graduação. O médico, já experimentado com situações análogas, conteve o sorriso e, já prevendo a resposta, perguntou-lhe de forma inquisitória:&lt;br /&gt;- O teu nome? Quem é que receitou esses óculos ao meu amigo? Essas lentes são graduadas?&lt;br /&gt;O negro sorriu e respondeu timidamente:&lt;br /&gt;- Chamô-me Zé, sinhor dotori. Os óculis são p' a dar catagoria!&lt;br /&gt;A resposta provocou uma risada por parte daqueles que assistiam à selecção. À semelhança do que acontecia com Mussolé, também neste negro estava arreigada a convicção de que serem militares ou guerrilheiros, ostentarem uns óculos, possuírem uma bicicleta e um rádio transistorizado eram sinais exteriores de riqueza e de promoção social, tornando-os, assim, alvo da preferência de muitas mulheres e prestigiados junto das outras pessoas.&lt;br /&gt;Um dia, Mussolé foi denunciado por um marido traído, informando os militares da presença do perigoso terrorista na sua cabana, "comendo mulher e comendo a comida". Foi imediatamente emboscado e feito prisioneiro juntamente com outro camarada de deserção. Foram amarrados com cordas à volta dos pulsos e das pernas e arrastados para um cubículo contíguo à enfermaria do aquartelamento. Alí aguardariam a chegada do senhor inspector da PIDE, o qual se encontrava no gozo dumas curtas férias em Luanda. Era a ele que competia interrogar, torturar, mandar matar, enfim, decidir da sorte daqueles dois guerrilheiros terroristas. Sabia-se, contudo, que o mais certo seria a libertação, dada a ligação existente entre eles e o tal grupo misto.&lt;br /&gt;Não era necessário ser-se muito inteligente para se perceber que qualquer polícia, mesmo a tenebrosa, omnipotente e omnipresente polícia política, obtinha os seus frutos ao nível da investigação, a troco de algumas facilidades concedidas aos seus informadores...&lt;br /&gt;O cabo enfermeiro sabia-o perfeitamente. Mas tinha "um pó desgraçado" aos terroristas e custava-lhe aceitar que tal acontecesse. Era conhecido pelo seu sadismo, pelas suas práticas cirúrgicas a sangue-frio realizadas de forma artesanal mesmo aos seus camaradas quando feridos. Tinha no seu currículo um vasto rol de atrocidades cometidas ao inimigo. E o inimigo, no seu ignorante entendimento, eram todos aqueles de raça negra, os quais considerava como animais selvagens, sem alma, independentemente do sexo ou idade.&lt;br /&gt;Durante uma operação em que detectaram um aglomerado populacional, os próprios camaradas ficaram chocados com a sua crueldade, e eu ainda guardo uma fotografia do cadáver duma menina com aproximadamente dez anos de idade que, prostrada de joelhos, lhe implorava, chorando:&lt;br /&gt;- Shindel (branco) não mata! Shindel não mata!&lt;br /&gt;O cabo Miranda, de pé, com a G-3 apontada àquela criança indefesa e suplicando por misericórdia, arregalou os seus olhos verdes de felino enraivecido, esboçou na sua boca imunda um sorriso do tamanho dum cano de esgoto, e gozou à brava com aquele orgasmo pedófilo, ejaculando balas de 7,62 milímetros naquele corpinho virgem e desprotegido.&lt;br /&gt;Numa outra operação em que foram dizimadas todas as criaturas encontradas, sugeriu ao comandante do pelotão (coitado, era um banana e temia-o) que preservasse uma negra alta e com um rosto e um corpo lindos, pois tinha um plano em mente que decerto iria ser do contentamento geral. Eram, salvo erro, catorze homens cansados, mal alimentados e suados, mas também perturbados. Contudo, restavam-lhes ainda forças para misturarem a sujidade mental à promiscuidade do acto que ninguém hesitou praticar. Aquela mulher negra e bela ali ficou deitada, nua, de barriga para o ar, com as pernas bem abertas e flectidas. Apenas lhe restava esperar. Fechou os olhos e voltou a cabeça para o lado. Duvido que tenha sentido a penetração dos treze monstros saltitantes. O décimo quarto e último foi o cabo enfermeiro, o qual iria desferir o golpe de misericórdia, libertando aquela bela fêmea negra do sofrimento causado pela bárbara violação colectiva.&lt;br /&gt;Com a mente tão ranhosa quanto o seu membro viril, atirou-se para cima dela e "carinhosamente" manteve inerte a sua faca de mato sustentando-a com o punho contra o seu peito enquanto a ponta afiada se comprimia entre os enormes e bem machucados seios viscosos da vítima. Tombou arfando sobre ela, ejaculou a imundície contida nos seus testículos e deliciou-se enquanto se foi esfregando no sangue quente que ia jorrando e escorrendo entre os dois corpos.&lt;br /&gt;No dia seguinte ao do aprisionamento de Mussolé e do seu companheiro tivemos conhecimento de que o inspector Brotas estaria de regresso. Durante o arrastamento dos prisioneiros até ao cubículo, um deles havia espetado um pedaço de madeira nas costas e foi pedido ao cabo Miranda que o tratasse. Foi para ele um prazer efectuar tal operação. Com o auxílio da faca de mato, sem qualquer anestésico, retirou-lhe o objecto estranho, provocando-lhe uma hemorragia. Aplicou-lhe uma compressa embebida em urina e um trapo bem apertado à volta do tronco. Nessa noite, o cabo Miranda, em conluio com outro soldado racista, arquitectou um maquiavélico estratagema para livrarem definitivamente da dor o Mussolé e o seu companheiro. E preservarem, sobretudo, os terroristas da proximidade com o malvado inspector da PIDE, que estava de regresso. O tempo urgia. Deixaram a porta do cubículo ligeiramente aberta, fingindo esquecimento, enquanto aguardaram impacientes o desenrolar dos acontecimentos. Tal como haviam previsto, os prisioneiros, ao darem conta da imprudente distracção dos carcereiros, abriram a porta lenta e cautelosamente, espreitaram para o exterior e intentaram a fuga. Não estava ninguém por perto. Era a hora de os oficiais e sargentos estarem a jogar e a beber, o mesmo acontecendo com os restantes militares. A fuga apresentava-se fácil. Saíram vagarosamente na direcção da sanzala. As rajadas inopinadas assustaram-nos. Todos os militares acorreram ao local, abandonando o jogo e as bebidas em cima das mesas. Cá fora, também o jogo do gato e do rato havia terminado. Obviamente, com a exterminação dos últimos em consequência da emboscada montada pelos caçadores furtivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: Os nomes relatados neste texto são fictícios.&lt;br /&gt;         Certo dia, na Rua Augusta, em Lisboa, deparei com o ex-cabo enfermeiro, acompanhado da&lt;br /&gt;presumível esposa e ladeados por duas lindas crianças louras. Ele reconheceu-me mas eu afastei-me para o outro lado da rua, ignorando-o.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-7779392146214882899?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/7779392146214882899/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=7779392146214882899' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/7779392146214882899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/7779392146214882899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2008/09/o-turra-mussol.html' title='O &quot;TURRA MUSSOLÉ&quot;'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551235944616170894.post-5057305752729281848</id><published>2008-09-01T09:49:00.000-07:00</published><updated>2009-11-18T07:55:12.278-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos da Guerra Colonial'/><title type='text'>...a caminho sabia-se lá do quê !</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwQXtLP3mkI/AAAAAAAACgY/XCNrgfkUM4c/s1600/CCF11112009_00000.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 288px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405471517632338498" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwQXtLP3mkI/AAAAAAAACgY/XCNrgfkUM4c/s400/CCF11112009_00000.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwQXd0Zi9UI/AAAAAAAACgQ/d1edFHe6q1I/s1600/CCF11112009_00001.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 288px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405471253800875330" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwQXd0Zi9UI/AAAAAAAACgQ/d1edFHe6q1I/s400/CCF11112009_00001.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Comovo-me sempre que assisto, através da televisão, à despedida daqueles rapazes que partem para integrarem forças militares internacionais em missão de paz num qualquer ponto do globo em guerra. Contudo, constato que as suas comissões de serviço são extremamente curtas e bem remuneradas. Além disso, possuem sofisticado equipamento electrónico, o que lhes permite falar e ver, à distância, os seus entes mais queridos, os seus amigos... E tornou-se numa moda o acompanhamento por parte de psicólogos (!!!)&lt;br /&gt;No meu tempo a duração das comissões de serviço nas ex-colónias era, no mínimo, de &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;dois&lt;/span&gt; longos e penosos anos. Correspondência só uma vez por semana, com notícias já ultrapassadas e por vezes mentirosas, a fim de evitarem ainda mais sofrimento...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto que abaixo transcrevo foi gentilmente publicado pela Sra Dra Laurinda Alves, na altura directora da Revista XIS-ideias para mudar (suplemento do Correio da Manhã).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;...a caminho sabia-se lá do quê !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;21 de Dezembro (faltam apenas três dias para o Natal)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17 horas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a bordo do paquete Príncipe Perfeito e agarrado fortemente com a mão esquerda ao varão daquela imensa varanda navegante ia agitando no ar, com a mão direita, um lenço branco até me faltarem as forças nos membros e os olhos se encharcarem, acabando por deixar de ver aqueles que me eram mais queridos e lá ficaram, naquele cais de incertezas, apoiados uns nos outros, num sofrimento para o qual nunca haverá letras que consigam descrever...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22 horas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a rápida refeição - trajando já à civil os cerca de oitenta militares que comigo embarcaram - a generalidade agrupou-se junto ao balcão do bar e uns beberam cerveja pelo gargalo da garrafa, depois de terem, com gesto premeditadamente rude, empurrado os copos com as costas da mão, outros despejaram raivosamente no esófago uísque com ou sem gelo, não importava, o que se pretendia era sentir rapidamente o efeito anestésico do acto... Até eu, que nunca bebia, acabei por me inebriar com alguns copos de uísque (lembro-me tão bem que se pagava apenas nove escudos e era do bom !). Depois, as alterações ao comportamento normalmente associadas a quem bebe demais surpreenderam-me: cada um se isolou a seu modo, apenas algumas lágrimas a escorrerem por entre as mãos que ocultavam as caras da dor. Foi nesse momento que saí, apressado, pensando estupidamente que podia voltar atrás, mas não... Transpor aquela porta levou-me apenas à parte exterior do navio, e dali avistei a proa que se mantinha num incessante baloiçar enquanto rasgava as águas a caminho sabia-se lá do quê !&lt;br /&gt;Depois, um olhar desinteressado por aquele espectáculo a que assistia pela primeira vez:: a abóbada celeste completamente cravejada de estrelas, o reconhecer de que afinal a Terra sempre é como uma laranja, a julgar por aquele mar ali à volta, constantemente tão redondo...&lt;br /&gt;Aquele permanente balançar; aquele ruído novo e estranho: a máquina, o mar e o vento misturavam-se - na primeira e inesquecível noite a bordo - com a música ambiente audível por toda a embarcação. Foi integralmente passada a 5ª. Sinfonia de Beethoven, logo seguida de um fado, provocando uma tal reacção psicológica a que nem o efeito do uísque havia de conter o choro: era, como por ironia, o fado que a minha saudosa avó Maria do Céu, a muito querida tia Margarida e a mais-que-tudo minha mãe cantavam baixinho enquanto me embalavam para adormecer. Da voz de Amália Rodrigues, envolvida no éter pelos gemidos de guitarras e violas ouvia-se: "Ai Mouraria / Da velha Rua da Palma / Onde eu um dia / Deixei presa a minha alma..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;Hoje, remexendo os trapos velhos,&lt;br /&gt;achei no meu baú, empoeirados,&lt;br /&gt;papéis de mel e fel: aerogramas.&lt;br /&gt;Fiquei a tarde toda de joelhos&lt;br /&gt;sonhando com aqueles tempos passados:&lt;br /&gt;corações, corpos, sanzalas em chamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;Navio lançando grito estridente&lt;br /&gt;solidário com pai / mãe / namorada&lt;br /&gt;/ mulher / filhos, todos os mais queridos;&lt;br /&gt;um esvoaçar de lenços tão fremente&lt;br /&gt;a barra que começa a ser passada&lt;br /&gt;espuma de mar tragando tempos idos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cai do céu a noite, o mar é breu&lt;br /&gt;e entra-me Beethoven pela alma&lt;br /&gt;e oiço a voz de Amália, que saudade !&lt;br /&gt;Já dorme no convés aquele que bebeu&lt;br /&gt;com ar sereno, aparente calma&lt;br /&gt;não querendo despertar p' ra realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegados a África, terra querida,&lt;br /&gt;que em nada contribuiu para o terror&lt;br /&gt;lá imposto não se sabe bem por quem,&lt;br /&gt;começa-se a sentir aquela ferida&lt;br /&gt;que lateja, purga, infecta em tanta dor&lt;br /&gt;e a Morte a embrulhar o Zé-Ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A notícia tomba abrupta lá do ar:&lt;br /&gt;a namorada / mulher foi infiel&lt;br /&gt;traíu-o com o melhor companheiro;&lt;br /&gt;é choro, é raiva, vontade de matar&lt;br /&gt;fugir do acampamento ou do quartel&lt;br /&gt;e deixar-se morrer prisioneiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda pior sina tem aquele&lt;br /&gt;que através da notícia semanal&lt;br /&gt;fica em estado de choque também;&lt;br /&gt;abre o correio, não crê que seja dele&lt;br /&gt;e confirma o recorte do jornal:&lt;br /&gt;um acidente matou-lhe filho e mãe !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VII&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malvados há-os em todos os lados&lt;br /&gt;a ocasião a fazer o vilão.&lt;br /&gt;Chacina poupa preta linda e bela&lt;br /&gt;e o último daqueles soldados&lt;br /&gt;sacia a sua fome apontando então&lt;br /&gt;a faca entre o peito dele e dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VIII&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele calendário tão comprido&lt;br /&gt;de oitocentos dias, talvez mais&lt;br /&gt;riscado com punho forte, devagar&lt;br /&gt;acaba finalmente preenchido&lt;br /&gt;e os distúrbios na mente são tais&lt;br /&gt;que deixou de haver pressa em regressar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551235944616170894-5057305752729281848?l=contosdaguerracolonial.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/feeds/5057305752729281848/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551235944616170894&amp;postID=5057305752729281848' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/5057305752729281848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551235944616170894/posts/default/5057305752729281848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdaguerracolonial.blogspot.com/2008/09/caminho-sabia-se-l-do-qu.html' title='...a caminho sabia-se lá do quê !'/><author><name>Tentativas Poemáticas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13746120205460428329</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/TMiiqGEhjqI/AAAAAAAADFc/ZvuNNS-ihWs/S220/n1686964061_4947.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_VlwD3cDJrN8/SwQXtLP3mkI/AAAAAAAACgY/XCNrgfkUM4c/s72-c/CCF11112009_00000.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
