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Contos da Guerra Colonial

Não deixe de ler o Conto: "O Turra Mussolé", publicado no dia 7 de Setembro de 2008, o qual, ao cabo de 34 anos da chamada "Revolução dos Cravos" sofreu CENSURA por parte do Ministério da Defesa Nacional, levando-me a deixar de escrever no Jornal da APOIAR - Associação de Apoio aos Ex-Combatentes Vítimas de Stresse de Guerra.

"MENINA DOS OLHOS TRISTES" CANTADO POR ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA

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quinta-feira, 24 de Março de 2011

"CONDECORAÇÃO"


Não teria, decerto, para mim – quer acreditem ou não – significado mais importante a atribuição pelo Presidente da República dum qualquer galardão hipócrita, como teve a festa-surpresa no dia do meu aniversário no Café NI KOFFEE, onde, para além dos seus proprietários, tenho vindo a grangear a amizade (palavra na qual já não acreditava) por parte das pessoas que me têm acarinhado tanto. Para não correr o risco de a minha mente cansada esquecer alguém, deixo aqui expressa a minha gratidão na pessoa dum amigo graduado fuzileiro naval, o PAULO TOMÉ, que me “condecorou”, oferecendo-me uma miniatura da boina que representa a sua unidade militar, a qual vai ficar religiosamente guardada junto aos meus pertences simbólicos da Guerra Colonial, na qual participei de 1970 a 1973.

segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

EM JEITO DE PREFÁCIO E OS PRIMEIROS COMENTÁRIOS

Esta publicação, seguida de vários Contos, é dedicada a uma mulher extraordinária que me quer a escrever: cada vez mais e melhor.
Muito obrigado pela força, Maria Isabel Lassuta Monteverde.
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António Pais
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Escreva tudo o que sabe sobre a Guerra Colonial.
Fiquei deslumbrada com as descrições que faz sobre os episódios relatados. O António escreve maravilhosamente em prosa, de forma simples mas cuidada e acessível a todos os níveis culturais. Faz uma descrição exacta, ao pormenor, transmitindo ao leitor uma noção realista das ocorrências, mesmo que nada tenha a ver com a Guerra Colonial. E fá-lo duma forma poética, ao descrever acontecimentos trágicos, porventura chocantes.
Por ser filha de um ex-combatente, Oficial Superior do Exército, e ter herdado do meu pai um espírito militarista; por guardar religiosamente os aerogramas que ele me escrevia em tempos de comissão de serviço; por haver vivido uma infância com o pai sempre ausente e por nunca ter compreendido a razão daquela tão arrastada guerra, só sei que me fazia muita impressão pensar que o meu pai andava no meio da mata e no meio da guerrilha, em combate.
Ao ler o que escreveu sobre algumas das suas experiências relacionadas com a Guerra Colonial pareceu-me encontrar, finalmente, uma luz ao fundo do túnel, ou seja, entender o sem-sentido daquela guerra. Por tudo o que atrás relatei quero incentivá-lo a escrever mais. Continue, assim, a escrever todos os episódios que a sua memória permitiu guardar, da forma maravilhosa como fez com aqueles que, vorazmente, acabei de ler.
É importante que os jovens tomem conhecimento e compreendam minimamente o que foi a Guerra Colonial.
Orgulho-me de ser filha de um ex-combatente, com louvores por acção em combate. Um desses louvores proporcionou-me uma Bolsa de Estudo em qualquer Universidade do País.
Ao meu pai, enquanto Oficial do Exército, não lhe competiam determinadas tarefas, contudo era ele quem variadas vezes ia buscar os pedaços dos seus subordinados que ficavam despedaçados pelas minas e granadas, carregando-os às costas, pois os seus camaradas não tinham coragem. Depois, a tarefa de tentar identificar os pedaços desses corpos, para os compôr e serem, assim, enviados para os seus familiares na Metrópole. Somente os mais idosos lembram com nostalgia a voz do saudoso Adriano Correia de Oliveira quando cantava : “Desta vez o soldadinho / Vem numa caixa de pinho...”
Senti tudo isto retratado nos seus escritos sobre a Guerra Colonial. E este é o meu melhor elogio.

Maria João Machado Aires dos Santos
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Comecei a publicar os meus Contos da Guerra Colonial e, não passando de dois ou três, suspendi essas publicações.
São contraditórias as opiniões dos comentadores. Uns diziam-me que deveria continuar a publicar; outros, opinavam que devia esquecer, eliminá-los da minha memória. Mas como, se estive lá? Como, se contraí doenças psicossomáticas? Como, se a minha saudosa mãe me contava que, ela e o meu pai, com dois filhos na guerra, à hora da refeição, ficavam a olhar para os pratos e sentiam um nó na garganta enquanto as lágrimas, teimosas e salgadas lhes escorriam, misturando-se com os alimentos... E os camaradas mortos e feridos em combate ou acidentalmente?
Uma comentadora chamou-me a atenção - com alguma razão - para o facto de a nossa História do Estado Novo e da Guerra Colonial que a eles serviu - só poder ser contada daqui a uns cinquenta anos. Porquê? Porque passámos por tanta privação e provação em consequência daqueles - alguns nossos camaradas - que tiraram partido da situação. Roubaram-nos descaradamente. E ainda estão vivos os outros que cometeram ou participaram em massacres e, como é sabido, os crimes de guerra são imprescritíveis?
Foi muito, muito complexa, a minha luta interior para tomar esta decisão. E, se os incentivos continuarem a surgir gostaria imenso de partir para o "romance de guerra", de forma mais elaborada, contra tudo e contra todos.
Para uns e para outros (respeito todas as opiniões) o meu agradecimento. Porque não me satisfaz apenas o facto de relatar contos duma forma aligeirada, mas que reconheçam que o sei fazer.
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COMENTÁRIOS:
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Antonio, meu caro, a riqueza da sua criação é tão grande, que este blog, por exemplo, eu nem conhecia.Vou começar a freqüentá-lo, bem como aos outros, pois há muito o que se aprender por aqui.Abraços sinceros do seu admirador.
Não sou jornalista nem escritor. Se quer escrevo bem. Sou aposentado. Meu imposto de renda é retido na fonte pelo INSS. Já nosso querido apedeuta tem sua receita de INSS como anistiado político acima do teto do INSS livre de IR.Minha forma de lutar contra os desmandados implantados por este governo corrupto no Brasil é através de um blog .Gostaria de contar com a presença e dos comentários das pessoas de bem que não se conformam com a desonestidade, a falta de ética e a corrupção em nosso governo.Um grande abraço
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Bom dia.Por favor, não suspenda o blogue. Necessitamos que sejam contadas estas e outras histórias, reais ou parcialmente ficcionadas. Não sei se a ficção será assim tão grande... que se passaram verdadeiras atrocidades nessa altura é bem verdade... o pior é que hoje em dia continuam a passar-se e ficam impunes. Os grandes "comandantes" controlam e amordassam os "soldados rasos". A escrita será sempre um meio de liberdade de expressão. Os "putos" que não viveram essa realidade precisam de saber o que se passou na Guerra Colonial que será o mesmo que dizer... em todas as guerras. Isso da guerra cirúrgica é só "tretas". Eu próprio já nasci com a liberdade (uma semana depois!) mas tive pais que me despertaram e ensinaram a nossa história.
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Olá António.obrigada pela dedicatória.Não me admirei por esta história ter sido censurada. Muitas vezes (ou a maioria das vezes) a ignorância mantém o espírito quieto.Um abraço...
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António,
Voltei. Achei que ainda não tinha dito tudo sobre este conto:Digamos que fiquei chocada sem o ficar. Já conhecia histórias de guerra semelhantes e durante a tese construi à minha volta uma "capa" que me defende psicologicamente destas descrições (tive que a construir de outra maneira não conseguiria ser isenta), mas fazem-nos questionar sempre o bom e o mau que há em todos nós. Fazem-nos questionar em que momentos é que cada um deles se revelam. Em que momentos é que eu serei boa. Em que momentos é que eu serei má...e será que existe meio-termo?Um abraço.
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Olá António,Este seu post é fortíssimo! É do conhecimento geral que em tempo de guerra se passaram muitas atrocidades mas as coisas descritas desta forma, por alguém que viveu e assistiu a tudo, falando de pessoas concretas, torna tudo mais cruel. Entende-se porque foi sensurada! Admiro a sua coragem e discernimento para a conseguir escrever apesar da loucura que se vivia. Doi-me só imaginar as situações e é degrandante perceber o que o homem pode fazer ao seu semelhante.O nativo de Peixes é um eterno sonhador e um sofredor também, sofre por si e pelos outros. Espero que tenha conseguido aprender a viver com todas estas memórias e acho que faz muito bem em deitar tudo cá para fora.Um abraço,.Olá AntónioAinda não tinha vindo a este seu lugar das realidades mais desumanas em tempo de guerra. O pior de tudo é que estas atrocidades continuam presentes no nosso século. Não sei se em situação normal estes seres serão capazes de proceder com tanta falta de humanidade, mas o mal não se desculpa, não tem perdão. As consciências destes energúmenos ninguém as pode ler. Eu acredito que quem mata, seja quem for, com esse sangue frio sabe muito bem que está a praticar o mal e matar uma criança ou violar uma mulher merece...nem quero dizer mais porque sou contra a pena de morte, mas fico tão empaticamente ligada ao sofrimento que a revolta é inevitável..Não vejo motivos para censuras.Um abraço.
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Poderia muito escrever
No papel vago da desolação,
Poderia meu pensamento submeter
À lei da evasão
E por momentos ver
Os desígnios da ocasião.
Mas não o faço por temer
Ser muito vaga, sem determinação,
Por não saber o que foi viver
Aqueles dias de guerra e desolação,
Dias que teimaram em ser
Desgraça e violação.
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Forte este texto. Definitivamente, ninguém fica indiferente às frases desenhadas em "O "Turra Mussolé".Cumprimentos poéticos.
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Finalmente leio alguma coisa sua que realmente me toca, fortissimas nao sao as suas palavras, porque palavras sao só palavras, forte é o sentimento que nos devora ao ler esta historia e o facto de ser real, tenho um bom amigo que também combateu na guerra colonial, e por vezes conta pequenos contos a mesa do jantar que nos faz perder o apetite... contudo nao deve ser censurado, pelo contrario ate deveria ser documentado, falado e exposto, porque a realidade dos factos,a miseria que assumbra o continente africano deve se sobretudo a ganancia, ira e desdem do homem branco.
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Eras negra cativa
espaço de deleito e pecado
tua pele santa e tentadora, de mulher.
teu corpo estilhaçado
num colchao de palha tombado
pronto a satisfazer
Tinhas os olhos cerrados
esses diamantes raros,
nunca mais avistaram a luz
tinhas a alma cadavérica,
gritando por libertaçao
enquanto o pensamento voava
tal e qual uma borboleta
junto ao rio pousava
na tua mão de mãe, de filha, de neta
de alguém, na tua mão de menina
Escorriam-te dos olhos as gotas da fobia
suores frios e trémulos, apoderaram-se de ti
tinhas um crucifixo pendente do peito
a boca manchada se sal e fel
enquanto gotas de sangue caiam
das tuas mãos apertadas
da tua boca cerrada
do teu útero de mulher
Vieram do nada, de terras malditas
aqueles seres uivantes, sedentes de desejo
aqueles seres rastejantes, arfado imundície.
esfregando a pele sebosa e dita cristã
roçando testículos cheiro a escremento
ejaculando vermes de desalento
em teu corpo pequenino, em teu corpo indefeso
salivavam nas tuas ancas que nem cães
agarrados a um osso...
puxavam-te os cabelos, arranhavam-te os braços
pendestes no chão...
Teu seio amoroso, rasgado, dentes em lava
teu seio virgem, despedaçado...
olhos semi-cerrados, espumantes de prazer
olhos esbugalhados vertendo delirios
olhos verde água, olhos dum branco...cheio de tesão
olhos dum branco sem escrupulos, nem coração
Sentiste cada movimento, em ventre...
cada brutalidade viril dum macho nojento
tinhas as pernas bambas descaidas
tinhas os braços tombados, ja sem vida
morreste antes da navalha te degulhar
e o sangue quente jorrar
do teu pescoço de gazela...
morreste... e ninguém estava para velar
a tua morte... ninguém quis saber o teu nome
ninguém sabia quem tu eras...
(poema-comentário duma jovem quanto talentosa poetisa madeirense, referindo-se à violação e assassínio duma negra encontrada na mata durante uma operação militar narrada num dos meus Contos)
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Olá António,Eu quero comentar... mas as palavras não me saiem, estou chocada e arrepiada com este relato, algumas frases custaram-me até a ler, como é possível tamanha crueldade?Mas apesar do meu pouco conhecimento sobre o assunto, em duas coisas tenho a certeza:1º Atrocidades como estas não devem ser escondidas do mundo e os seus autores devem ser denunciados e julgados pelos seus crimes.Um blog como este deveria ser traduzido em várias línguas até.2º Estes crimes só foram cometidos, porque os seus autores detinham o poder e a força, e porque a época assim o permitiu.Provavelmente todos os que tiveram conhecimento destes e de outros crimes, das duas uma:- Ou eram uns zé ninguém, e as suas palavras nunca seriam levadas a sério, se é que conseguissem sequer viver para falar,- ou até tinham poder para fazer algo, mas quiçá eram como os criminosos, ou então desculpavam-nos porque os coitados já estavam a sofrer, longe de casa, etc e tal...Pena não terem sido denunciados e julgados, podia ser que depois de uma estadia na cadeia a serem usados umas catorze vezes por dia mudassem as suas mentes cuéis e nojentas.
Simplesmente magnífico! Belo texto. Muito duro de ler e difícil sequer de imaginar certos acontecimentos descritos... Foi pena não dizer, no seu encontro da Rua Augusta, ao ex-cabo enfermeiro que imaginasse a sua mulher ou as suas duas lindas meninas na situação daquela negra brutalmente violada. No entanto, percebo perfeitamente a sua decisão. Os meus sinceros Parabéns.
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Quem esteve na guerra e presenciou as atrocidades, tem que as contar como as sentiu. Beijos.
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Dolorosos tempos, tempos esses que vivi em Moçambique.Um relato muito bem construído,relatando factos verídicos,parabéns..
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Amigo António,não foi fácil,nada fácil mesmo conseguir ler o texto até ao fim, mas consegui, e ,questiono-me em relação à censura!Porquê censurado? porque a vivência que relatou é a VERDADEIRA VERDADE?Saltem muitos cá para fora como este,para que nós que não fomos à guerra, e os jovens de hoje conheçam a VERDADE!Eu, pessoalmente nem numa situação de guerra consigo compreender actos tão BÁRBAROS!Será que estavam loucos?será que a guerra serve de desculpa para que o homem cuspa toda a sua raiva sobre inocentes?É asqueroso, é nojento, é...eu nem sei como classificar esse cabo-enfermeiro!!!!Devia ser julgado, condenado,por todos os crimes de guerra.Será que esse DESGRAÇADO dorme tranquilamente sabendo e tendo consciência do todo o horror que deixou para trás?!Que pena não ter sido eu a cruzar-me com ele na Rua Augusta...naquele momento,mulher e filhas ficavam com a certeza do MONSTRO que as acompanhava...Não tenho capacidade de perdoar esse tipo de...CANALHAS!!!NUNCA!!!!...Essas editoras que mandem mas é cá para fora esse livro.Eu não posso esperar 50 anos...PS:Outra coincidência:Sou natural de Moçambique(Beira)-Distrito de Manica e Sofala...isto foi só para desanuviar um pouco...Beijinhos.
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Vim ao seu blog, depois de andar por aí...Cheguei ao seu conto, quis ver porque teria sido censurado...É um relato muito forte. De tal modo bem escrito e descrito que me transportou ao local, ao cheiro, à cor, às vozes...Parabéns! Continue a escrever! Eu virei ler com tempo e atenção, porque o merece!Abraço terno
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Por um acaso, descobri o seu fantástico blogue.São actos como os praticados por esse cabo-enfermeiro que envergonham e enlameiam todo um exército. Estava a ler o seu (belo e terrível) relato sobre essa bela negra e ansiava que no fim tudo fosse diferente. Mas não. Angustiante...Vou ler todos os seus contos.Abraço!
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António,apesar de saber tantas histórias que se passaram, esta contada por ti que as vivenciaste, que lidaste com esta gente, chocou-me muito.Era muito importante que toda a gente pudesse ler o que realmente se passou para puder entender o sentimento de quem viveu aquela guerra.Tomara que algum dia consigas publicar o livro. As verdades são para ser ditas!Fazes bem em evidenciar as diferenças entre os militares que estiveram na guerra colonial. Esse homem é um sádico e um assassino. Não consigo desculpabilizar também os que participaram em violações por mais perturbados que estivessem.Guerra é lutar com armas contra pessoas armadas!Um beijo grande.
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Gosto muito da forma como escreve.
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Ainda não tinha lido este seu poema:Quando a dor é assim tão grande não há vontade de regressar, mas o regresso quando acontece traz muito para dar.Grande beijo, muito grande
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Nem sei porque parei aqui.A sua guerra foi em Angola e a minha na Guiné.Desperou-me uma curiosidade muito grande juntamente com o desejo de saber porque fomos nós os mártires desta guerra sem nome nem rosto.Depois o seu estilo leve e ao mesmo tempo misterioso fez-me seguir em frente e acabar por conhecer o sofrimento alheio.Não consigo entender.Não quero perceber nem tão pouco continuar neste sofrimento.Sofreram os pretos e sofremos nós.Afinal a quem aproveitaram todas as vidas destruidas e humilhadas...?
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Parece-me que já tinhas feito esta publicação ou então eu já a havia lido por aqui. Sim recordo-me desta guerra fria e surda. Cega e vil.Tantas coisas que nunca foram ditas e que a maioria dos portugueses nem sonha o que por lá sofremos
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Continue as escrever as suas memórias de guerra, os jovens devem saber do passado mais próximo, tanto quanto do mais distante, pois estes Contos parecem ter ainda o cheiro dos cadáveres e o medo dos homens que para lá mandavam, estupidamente para nada - minto - para morrerem, para matarem, para sofrerem depois as sequelas dessa estúpida "missão": ANGOLA É NOSSA!
Com muita amizade
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António Pais
Fui algumas vezes a Nambuangongo, em colunas de abastecimento. O meu Esquadrão substituíu uma Companhia do lendário Tenente-Coronel Maçanita, que retomara Nambuangongo. No meu blog está uma série de artigos, cujos créditos, são devidos ao diário que elaborei, durante a Comissão, publicados no "Jornal da Amadora" e já proposto a Editoras. Mas como não é mediático!...
Gostei muito do seu texto, aquilo a que chamo livro estará pior, é diferente, digamos que é autobiográfico, pretende retratar realidades de praças na caserna e a partir da...
Tem apresentação dum catedrático, a leccionar em Madrid.
Um abraço
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Amigo António, estou a começar a ler os seus Contos da Guerra Colonial, essa guerra estúpida sem qualquer sentido, que apenas serviu para destruir a vida de muitos "meninos", muitos que partiam sem tão pouco perceberem o que iam defender, apenas cumpriam ordens!!!
Quantos lhe teriam aparecido pela frente e ficarem admirados com a imensidão do mar aquando da ida para a dita missão???
Afinal quantos foram com a perfeita convicção do que iriam defender? Quantos tinham preparação para política para entender o porquê de tal ordem?
Não era preciso claro, até porque quanto mais "ceguinhos" melhor, muito melhor para moldar ao belo jeito fascista!...
Tanto jovem sofrido e afinal para quê?!!!
ANGOLA É NOSSA...o TANAS!!!
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Quer um conselho?Esqueça a Guerra Colonial recordá-la faz mal pode crer.
Fique bem e o que lá vai lá vai
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Boa noite
Também malhei com os costados na Guiné em 73/74.
Aprendi a comer manga, mandioca e tudo o que conseguíssemos apanhar.
Muitos dias com medo de emboscadas nem conseguia dormir.
Havia soldados naturais a viver connosco e só pensava que um dia eram eles que nos limpavam com as catanas.
Como alguém aqui disse: "Será melhor nem reviver esses dias e procurar outros pensamentos"
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Caríssimo, como os demais colegas estou ansioso de ler os teus contos sobre as guerras coloniais.
Tenho alguns amigos Coronéis em Portugal que já me descreveram as suas versões guerreiras, ou pontos de vista, possuo vários livros deles sobre a matéria, poderia ter sido um dos heróis ou mártires dessas guerras sem nome, por sorte ou azar caí em Timor, minha segunda ou terceira terra...
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REITERO OS MEUS AGRADECIMENTOS ÀS MINHAS AMIZADES DA BLOGOSFERA.
Beijinhos e abraços
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António Pais

NAPALM E LANÇA-ROCKETS


Os governos isolacionistas de Salazar e do seu continuador Marcelo Caetano teimavam em jurar a pés juntos perante a comunidade internacional que jamais haviam utilizado substâncias tóxicas (hoje conhecidas por armas químicas) ou outras, proibidas pela Convenção de Genebra.
Porém, os militares mais esclarecidos sabiam que tais afirmações constituíam uma mentira.
Aqueles que tiveram o arrojo de as denunciar estavam exilados e a suas palavras careciam de provas, as quais, obviamente, só poderiam ser obtidas no cenário da guerra.
Os que se encontravam nas matas manuseando-as e aplicando-as ou os que assistiam aos seus efeitos, em tempos da chamada guerra de acção psicológica não viam, não ouviam e calavam, pois corriam o sério e inevitável risco de serem sumariamente abatidos pela Polícia Política.
Os lança-rockets encontravam-se entre o equipamento bélico considerado proibido e também a sua utilização era categoricamente desmentida.
Foi com alguma imprudência, talvez traduzida pela inconsciência dos vinte anos de idade que eu e o Carlos Barros, munidos de uma máquina fotográfica, bem escondida no vestuário, nos deslocámos à pista de terra batida em Quicua (distrito do Uíge) com o objectivo de captar as imagens interditas. Aproveitámos a hora da refeição e tão rápida quanto furtivamente tirámos, sem que ninguém se houvesse apercebido, algumas fotografias a uma avioneta militar : uma DO (Dornier) suportando por debaixo de cada asa aquelas armas altamente destruidoras, as quais os nossos governantes escondiam ao mundo.

O TREINO PSICOLÓGICO

Ali em pé, ao balcão daquele restaurante que eu havia escolhido para comer uma sandes acompanhada dum refrigerante, pois o excesso de trabalho obrigava-me a uma refeição rápida, acabei por me demorar muito mais do que o inicialmente previsto. Despertou-me a atenção uma conversa do indivíduo na faixa etária dos sessenta que se encontrava mesmo ao meu lado e que relatava, com a boca cheia, a forma como tinha decorrido a cerimónia do Domingo anterior a que ele havia ido assistir com a sua esposa : o juramento de bandeira dum seu afilhado, agora paraquedista. A determinada altura contava ele ao seu companheiro algumas peripécias impressionantes relacionadas com a dura instrução a que o seu afilhado agora boina verde havia sido sujeito. Repentinamente, levou um guardanapo de papel à boca, num esforço visível e incontrolado para conter o vómito iminente. Relatava naquele momento como terminavam os testes de apuramento daquela futura tropa de elite. Cada militar, para ganhar a boina, tinha de matar uma galinha à dentada !!!
Paraquedistas, Comandos, Operações Especiais, Fuzileiros e Rangers eram tropas alta e duramente preparadas para a guerrilha que haviam de enfrentar em terras de África.
Lembro-me dum amigo da adolescência a quem o cabelo caíu em peladas dispersas e o seu rosto ficou coberto de crostas em virtude da enorme pressão psicológica durante o decorrer dos treinos de especialização. Certa noite foi abruptamente acordado por volta das três horas, conduzido pelo cabo-de-dia ao Comando e aí foi-lhe friamente anunciada a morte do seu pai. O “choque psicológico” estava dado ! Alguns minutos mais tarde o oficial e o cabo de serviço transmitiram-lhe a contra-informação. Era mentira ! Aquela encenação fazia parte dos planos de treino. Os treinos psicolígicos não se ficavam por aqui, mas eram, sem dúvida, os mais marcantes para a preparação das forças de elite. Caminhar pelos esgotos, submersos até ao pescoço com todo aquele líquido imundo e a merda a tocar-lhes na boca, tudo isso não passava duma brincadeira se comparados com os outros treinos que me repugnam descrever. Visavam transformar um pacato, quiçá mimado e sempre perfumado rapaz, numa máquina de guerra apta a enfrentar todas as dificuldades com as quais decerto haveriam de se confrontar no cenário de guerra.
Partiam da Metrópole convencidos da sua intensa e apurada preparação física e psicológica, desejosos de entrar em combate. Contudo, por vezes, quando subiam e actuavam no real palco da guerra, esqueciam ou descuravam aquilo que com tanta insistência lhes havia sido ensinado. Durante a instrução os monitores não se cansavam de repetir que “suor derramado na instrução era sangue poupado em combate” !
Do soldado Comando Belmiro nunca mais tive notícias desde que veio evacuado para a Metrópole. Durante uma operação foi transportado, juntamente com outros camaradas, num helicóptero Puma até ao local onde era suposto irem defrontar-se com o inimigo.
Estes bem preparados “Rambos” manifestavam inquietação : uns benziam-se, outros rezavam, esforçando-se por abafarem e travarem os movimentos quase incontroláveis do bater acelerado dos maxilares. – Ânimo, meus bravos ! Vocês são os melhores ! – assim gritava, superando o ruído envolvente, um superior, enquanto os ia empurrando da altura a que se encontrava aquela máquina voadora, a qual por ali pairava sobre a mata verde apenas durante alguns segundos. Depois afastava-se, veloz, desaparecendo dos seus campos de visão.
A dura experiência adquirida nos treinos traíu o soldado Belmiro na altura do salto. Trinchou a própria língua, ficando metade dela sepultada ou devorada pelas formigas naquele minúsculo pedaço da tão extensa terra angolana.

EXTRACTO DOS MEUS CONTOS: "HISTÓRIA DUM CARTEIRO À MODA ANTIGA DURANTE A GUERRA COLONIAL"

Este texto é uma súmula de histórias mais ou menos longas e que relatam uma parte da vida profissional do meu saudoso pai como Carteiro. Curiosamente, durante a minha especialização militar, estudei uma disciplina relacionada com esta actividade muito complexa (SPM-Serviço Postal Militar).
Após o 25 de Abril quem era interpelado na rua por um Carteiro retraía-se quase sempre em virtude do seu difícil reconhecimento. De cabelos grandes e despenteados, barba desgrenhada, calças de ganga e calçado de ténis sujos e rotos. Apenas o monte de cartas na mão nos permitia a sua identificação. Outrora o Carteiro tinha a obrigatoriedade de apresentar-se à sociedade tal como os restantes funcionários públicos, sobretudo fardados, ou seja : bonito por fora, não importando a desarrumação interior... Assim, o cabelo deveria estar bem aparado, a barba muito bem escanhoada, as unhas dos dedos das mãos curtas e limpas, os sapatos pretos muito bem engraxados, os metais do boné, lapela do casaco e botões areados até reluzirem e um sorriso sempre patente para oferecer aos “destinatários”.
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Lá vem o Carteiro ! Lá vem o Sr. Mário !

Ouvi-lo chegar agora
Já não tem o mesmo sabor
Nem dá p’ ra haver amizade

Chega lesto e vai embora
Sobre rodas e a motor
Perdeu de todo a vaidade
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Após muitos anos – nunca se sabia quantos – com a categoria de Carteiro de Reserva, pois enquanto nessa condição todo o tipo de serviço tinha de ser cumprido e o giro (zona de distribuição da correspondência) nunca era certo. Se quisesse progredir na carreira teria de submeter-se a um curso que o obrigava a muito trabalho e estudo para depois enfrentar um concurso e a consequente, embora nem sempre isenta, avaliação profissional. O meu pai lá foi promovido a Carteiro de 3ª, alguns anos mais tarde a 2ª, até atingir a categoria de 1ª, acabando reformado com uma que nem sequer chegou a exercer : a de Monitor.
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Farda/Fardo

Aquela farda envergando
E grande honra tendo nela
A vida-fardo carregando
E sempre achando-a tão bela !
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Foi um percurso muito duro, repleto de histórias às quais os mais novos não têm acesso e quando têm dificilmente compreendem e nem sequer acreditam.
O país estava embrenhado na Guerra Colonial e os mancebos eram recrutados por todo o lado, independentemente das suas capacidades psíquicas ou físicas.
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As relações sociais num aglomerado populacional predominantemente rural não eram, como ainda não o são, obviamente, iguais aquelas dos condomínios convencionais nas grandes cidades, nos quais mesmo que os prédios só possuam um elevador a servir dois ou três pisos, os condóminos quando se encontram a viajar nele apertados, pele contra pele, não se cumprimentam, ignorando-se entre si enquanto aquele caixote sobe ou desce, uns esforçando-se por olharem para o tecto, outros baloiçando as chaves do carro enquanto vão mirando a barguilha, outros, os “agarradinhos do celular”, enviando ou procurando mensagens e outros, até, aproveitando despudoradamente para coçarem os tomates. Na maior parte das vezes nem sequer manifestando uma cortesia, mesmo que hipócrita, de segurarem a porta quando o vizinho ou a vizinha vão a entrar ou a sair... Curiosamente podem encontrar-se algumas destas pessoas na missa dominical cumprimentando-se efusivamente, “saudando-se na paz do Senhor”, com muita fé (...)
O Carteiro, por demais carregado com tanta notícia de riso e choro, surgia cada vez mais perto em virtude das suas passadas sempre muito largas, enfrentando finalmente o primeiro aglomerado ruidoso e inquieto : os seus destinatários que diariamente ali, sensivelmente no mesmo horário, aguardavam notícias dos seus netos, filhos, maridos, pais, namorados ou simplesmente vizinhos e amigos. Aqueles aerogramas, cartas ou postais haviam sido escritos há pelo menos dois dias, as notícias que relatavam poderiam, entretanto, de alguma maneira, haver sido drasticamente alteradas. Mas não ! Quem se atreveria a pensar assim ? O ritual da abertura da correspondência era sempre o mesmo : rasgava-se apressadamente o aerograma ou a carta como se do seu interior se esperasse ver saltar milagrosamente, de braços bem abertos, o ente querido.
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Carteiro e Conselheiro

Quase todas as famílias portuguesas
Tinham no Carteiro um elo muito amigo
Que os ligava da Guiné até Timor

Trazia cartas / ”aeros” d’ incertezas
- O seu menino não corre qualquer perigo !
(Sorria sempre escondendo a sua dor...)
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Àquele Carteiro foram também levados para a guerra dois dos seus três filhos. Com o coração bem apertado pelas amarras da angústia, lá ia distribuindo as notícias, por vezes com a dificuldade dos atropelos das pequenas multidões ansiosas, mas mantendo sempre patente no seu rosto suado um sorriso autêntico enquanto da sua veia poética iam brotando simultaneamente palavras de ânimo, esperança, fé, embora educadamente fosse avançando sempre, porque ainda havia muita correspondência para distribuir e também desejoso estava ele de chegar a casa e saber dos seus...




LAURA

Tela de Neves de Sousa(imagem do blogue: http://coresepalavras.blogspot.com)
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Enquanto permaneci instalado no Batalhão de Sanza Pombo, aguardando transporte para Quicua, acabei por ser requisitado para aí prestar serviço da minha especialidade durante uns quinze dias, substituíndo um camarada em férias.
Durante uma folga fui convidado por outro Operador de Cripto a fazer uma visita à enorme sanzala que aí tinha vindo a crescer. O objectivo era, naturalmente, procurar umas negrinhas e passar um bom bocado na sua companhia. Encontradas duas amigas que passeavam juntas, metemos conversa, tendo o meu camarada a egoística atitude de se lançar àquela que, aparentemente, era a mais boazona. Puro engano o seu ! Contou-me posteriormente que deu-lhe algum dinheiro (não havia ali preço previamente estabelecido) e foi-se logo embora, desiludido. Enquanto praticava o “acto” ela arrotou e ele foi obrigado a desviar a cara. Ela pediu-lhe desculpa e continuaram. Porém, aquela negrinha bonita e boazona, fã dum cantor brasileiro muito pequenino, mas em voga : Nelson Ned, começou a cantar : “receba flores que lhe dou...”. O rapaz, num gesto brusco, levantou-se, vestiu-se e dali fugiu a sete pés.
A minha Laura, uma rapariga baixa, franzina, frágil, manifestou uma ternura incrível para uma situação de ocasião como aquela. Descobrimos quase instantaneamente que existia empatia entre nós. Era uma rapariga muito educada, com conversas interessantes. Só voltei à Unidade para jantar, saíndo novamente para dormir (ou melhor, passar a noite) com ela. De manhã encontrava-me tão esgotado que nem a Miss Mundo me convenceria...
Namorámos, ou melhor, fomos amantes, durante cerca de seis meses. Sempre que me surgia uma oportunidade lá ia eu, mais ou menos clandestinamente, até Sanza Pombo, uma viagem de ida e volta efectuada em picada e com várias horas de percurso. Mas sabia-me bem. Chorámos na despedida e deixei-lhe como recordação um rádio transistorizado. Já na Metrópole ainda trocámos correspondência. Deu-se o 25 de Abril, seguido da guerra civil em Angola. Nunca mais tive notícias da minha amiga Laura Manuel.

A DESCOBERTA DOS ELEFANTES

Não existindo água potável, o sistema de abastecimento era efectuado do seguinte modo :
Fazíamos deslocar até ao rio uma viatura pesada Berliet com uma cisterna enorme na caixa de carga. O relativamente pequeno percurso era acompanhado de escolta e todos os camaradas que aproveitavam para lá se irem banhar ou apenas refrescar iam armados. Esta regra nem sempre era cumprida, pois embora mesmo para nos deslocarmos ao balneário e sanitários a G-3 nos devesse sempre pesar no ombro, a rotina, por vezes, tentáva-nos a descurar as medidas de protecção e segurança que se impunham. O mesmo acontecia em relação à eventual minagem dos trilhos e picadas sobre as quais nos deslocávamos. Por vezes apelidavam-me de inconsciente ou imprudente, eu sabia que sim, e não discutia. Acabávamos por constatar, contudo, que realmente nenhum ser humano suportaria a pressão psicológica de ter medo durante tanto, tanto tempo de comissão. Por vezes, sentado no banco lateral dum Unimog, com a G-3 entre as pernas, apoiava o queixo no tapa-chamas e com os pés bem fixos acabava por adormecer, durante alguns momentos, claro. Dizia, então, para comigo : - Seja o que Deus quiser !
Chegados à beira do rio, uma mangueira flexível, com um diâmetro de mais ou menos dez centímetros, era colocada no seu leito de águas correntes embora vagarosas, o motor barulhento era accionado e procedia-se assim à sucção da água necessária, ou seja, até ao completo enchimento da cisterna.
O camião tinha o seu local de repouso sempre no mesmo sítio e as suas torneiras forneciam-nos o precioso líquido. Contudo, antes de se proceder à sua utilização o meu amigo Serra levava da tenda a caixinha de madeira que continha o equipamento e os produtos químicos necessários à sua análise e tratamento.
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Os balneários e sanitários haviam sido construídos pelos mais habilidosos, já experimentados em trabalhos similares. Cavaram uma fossa e para lá se dirigiam, através das tubagens, os detritos líquidos e sólidos. Os urinóis eram totalmente feitos com argamassa, com dois pisa-pés e um buraco ao centro.
Apoiados em pilares de madeira, a uma altura de aproximadamente três metros eram colocados vários bidons de duzentos litros, ligados na base entre si, para assim criarem uma energia potencial cinética maior, fazendo jorrar um fluxo de água ideal à sua saída dos chuveiros fixos nas paredes.
Certo dia acordámos com um odor insuportável, o qual se difundia por todo o aquartelamento. Aquele cheiro já nos era, de certa maneira, familiar, só que agora havia-se tornado muito mais intenso. E a nossa memória depressa nos ajudou a descodificar aquele insólito acontecimento. A cisterna já havia suportado dois dias de intenso calor. Sendo a água um líquido insípido e havendo aquela sido analisada e devidamente tratada, logo atribuímos ao analista Serra a culpa por tal facto, pois, no nosso imediato juízo, ele havia trocado os produtos químicos ou exagerado na sua aplicaçao.
À medida que aqueles quilolitros de água foram sendo chupados pela mangueira e derramados naquele chão ligeiramente inclinado, começámos a ver surgir fragmentos que se assemelhavam e cheiravam a palha podre, os quais não eram, de forma alguma, suposto repousarem no fundo da cisterna.
O Serra foi imediatamente investigar o local do rio onde aquela água havia sido sugada. Procurou, às apalpadelas, na pequena profundidade daquele rio de águas frescas, e concluíu de imediato a sua investigação. Trazia nas mãos pedaços enormes de bosta de elefantes e nas margens acabaríamos por detectar as pegadas que indiciavam a passagem recente da manada duma margem para a outra.

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Já lá vai o tempo do "Currículo"... Espiritualista (estudioso, mas não fanático). Voluntariado