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Não deixe de ler o Conto: "O Turra Mussolé", publicado no dia 7 de Setembro de 2008, o qual, ao cabo de 34 anos da chamada "Revolução dos Cravos" sofreu CENSURA por parte do Ministério da Defesa Nacional, levando-me a deixar de escrever no Jornal da APOIAR - Associação de Apoio aos Ex-Combatentes Vítimas de Stresse de Guerra.

"MENINA DOS OLHOS TRISTES" CANTADO POR ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA

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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A DESCOBERTA DOS ELEFANTES

Não existindo água potável, o sistema de abastecimento era efectuado do seguinte modo :
Fazíamos deslocar até ao rio uma viatura pesada Berliet com uma cisterna enorme na caixa de carga. O relativamente pequeno percurso era acompanhado de escolta e todos os camaradas que aproveitavam para lá se irem banhar ou apenas refrescar iam armados. Esta regra nem sempre era cumprida, pois embora mesmo para nos deslocarmos ao balneário e sanitários a G-3 nos devesse sempre pesar no ombro, a rotina, por vezes, tentáva-nos a descurar as medidas de protecção e segurança que se impunham. O mesmo acontecia em relação à eventual minagem dos trilhos e picadas sobre as quais nos deslocávamos. Por vezes apelidavam-me de inconsciente ou imprudente, eu sabia que sim, e não discutia. Acabávamos por constatar, contudo, que realmente nenhum ser humano suportaria a pressão psicológica de ter medo durante tanto, tanto tempo de comissão. Por vezes, sentado no banco lateral dum Unimog, com a G-3 entre as pernas, apoiava o queixo no tapa-chamas e com os pés bem fixos acabava por adormecer, durante alguns momentos, claro. Dizia, então, para comigo : - Seja o que Deus quiser !
Chegados à beira do rio, uma mangueira flexível, com um diâmetro de mais ou menos dez centímetros, era colocada no seu leito de águas correntes embora vagarosas, o motor barulhento era accionado e procedia-se assim à sucção da água necessária, ou seja, até ao completo enchimento da cisterna.
O camião tinha o seu local de repouso sempre no mesmo sítio e as suas torneiras forneciam-nos o precioso líquido. Contudo, antes de se proceder à sua utilização o meu amigo Serra levava da tenda a caixinha de madeira que continha o equipamento e os produtos químicos necessários à sua análise e tratamento.
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Os balneários e sanitários haviam sido construídos pelos mais habilidosos, já experimentados em trabalhos similares. Cavaram uma fossa e para lá se dirigiam, através das tubagens, os detritos líquidos e sólidos. Os urinóis eram totalmente feitos com argamassa, com dois pisa-pés e um buraco ao centro.
Apoiados em pilares de madeira, a uma altura de aproximadamente três metros eram colocados vários bidons de duzentos litros, ligados na base entre si, para assim criarem uma energia potencial cinética maior, fazendo jorrar um fluxo de água ideal à sua saída dos chuveiros fixos nas paredes.
Certo dia acordámos com um odor insuportável, o qual se difundia por todo o aquartelamento. Aquele cheiro já nos era, de certa maneira, familiar, só que agora havia-se tornado muito mais intenso. E a nossa memória depressa nos ajudou a descodificar aquele insólito acontecimento. A cisterna já havia suportado dois dias de intenso calor. Sendo a água um líquido insípido e havendo aquela sido analisada e devidamente tratada, logo atribuímos ao analista Serra a culpa por tal facto, pois, no nosso imediato juízo, ele havia trocado os produtos químicos ou exagerado na sua aplicaçao.
À medida que aqueles quilolitros de água foram sendo chupados pela mangueira e derramados naquele chão ligeiramente inclinado, começámos a ver surgir fragmentos que se assemelhavam e cheiravam a palha podre, os quais não eram, de forma alguma, suposto repousarem no fundo da cisterna.
O Serra foi imediatamente investigar o local do rio onde aquela água havia sido sugada. Procurou, às apalpadelas, na pequena profundidade daquele rio de águas frescas, e concluíu de imediato a sua investigação. Trazia nas mãos pedaços enormes de bosta de elefantes e nas margens acabaríamos por detectar as pegadas que indiciavam a passagem recente da manada duma margem para a outra.

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Já lá vai o tempo do "Currículo"... Espiritualista (estudioso, mas não fanático). Voluntariado