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Não deixe de ler o Conto: "O Turra Mussolé", publicado no dia 7 de Setembro de 2008, o qual, ao cabo de 34 anos da chamada "Revolução dos Cravos" sofreu CENSURA por parte do Ministério da Defesa Nacional, levando-me a deixar de escrever no Jornal da APOIAR - Associação de Apoio aos Ex-Combatentes Vítimas de Stresse de Guerra.

"MENINA DOS OLHOS TRISTES" CANTADO POR ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA

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terça-feira, 24 de novembro de 2009

O "FILHO DE PAPÁ"

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Sempre foi assim, continua mais do que nunca a sê-lo e acredito que sempre assim será.
Assentei praça em Janeiro de 1970 numa unidade militar onde, por ocasião da minha incorporação, foi inaugurada uma caserna em alvenaria, composta por dois pisos. Anteriormente apenas ali existiam, para albergarem os recrutas, instalações vulgarmente denominadas por meio-bidão, ou seja : uma construção em chapa com a configuração de meio cilindro, exageradamente quente no Verão, gélida no Inverno e na qual a chuva lhe embatia ressoando como um gigantesco tambor. Apesar da inauguração daquele edifício ainda com o cheiro forte a tinta fresca, com beliches e armários novos, colchões de espuma, lençóis e fronhas brancas e cobertores cinzentos lavados e muito bem esticados, ainda restavam duas ou três instalações metálicas, as quais continuariam a albergar uma boa parte da nova população de mancebos. O Comando decidiu o critério de selecção para o alojamento através do número de identificação atribuído a cada novo militar. A mim calhou-me por sorte as instalações a inaugurar.
Depois de já havermos guardado os nossos pertences nos armários e preparados para o recolher nocturno, apagaram-se as luzes mais intensas, mantendo-se apenas acesas as débeis luzes de presença. Inesperadamente, a luz forte do compartimento onde eu me encontrava acendeu-se e à voz de ordem do cabo-de-dia todos nos levantámos, permanecendo na posição de sentido, uns em pijama, outros em cuecas.
A acompanhar o cabo encontravam-se o oficial-de-dia e um mancebo com a sua sacola dependurada no ombro direito. Num tom de voz brusco e autoritário o cabo perguntou : - Quem é que tem o número 352 ? O visado levantou o braço direito, com o dedo indicador apontado para o tecto, identificando-se. Então, o oficial disse ter havido um engano na distribuição do pessoal pela caserna e ordenou ao cabo que acompanhasse o 352 ao lugar onde ele realmente pertencia : a caserna de lata. Aquele rapazote de aspecto humilde e “xaloio”, coitado, lá se vestiu rápida e atabalhoadamente, seguindo o “nosso-cabo”. Entretanto, o oficial ajudou o recruta recém-chegado a instalar-se, despedindo-se dele com um despudorado e amistoso aperto de mão. As luzes voltaram a apagar-se. Somente ao fim de algumas horas o cansaço venceu os meus flagelados pensamentos e adormeci.
No dia seguinte reconheci através da sua voz o nosso camarada a quem o critério “honesto” de selecção havia colocado no meio-bidão, mas que graças à eterna, e neste caso injusta cunha fez deslocar para a cama ali ao lado da minha. Passados dois ou três dias nunca mais aquela cama foi utilizada, pois aquele recruta era um “filho de papá”, e, embora muito novo, eu já o tinha ouvido na locução dum programa da Emissora Nacional.
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NOTA: Locutor muito conhecido no nosso mundo radiofónico, por motivos óbvios não o identifico.
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(Imagens extraídas do blogue radiomocidade.blogspot.com)

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Já lá vai o tempo do "Currículo"... Espiritualista (estudioso, mas não fanático). Voluntariado