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Não deixe de ler o Conto: "O Turra Mussolé", publicado no dia 7 de Setembro de 2008, o qual, ao cabo de 34 anos da chamada "Revolução dos Cravos" sofreu CENSURA por parte do Ministério da Defesa Nacional, levando-me a deixar de escrever no Jornal da APOIAR - Associação de Apoio aos Ex-Combatentes Vítimas de Stresse de Guerra.

"MENINA DOS OLHOS TRISTES" CANTADO POR ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA

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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O BO (Bº.OPERÁRIO) E O Bº.MARÇAL (LUANDA)

Mais ou menos bem conhecidos dos militares que passavam pela linda cidade de Luanda, o BO e o MARÇAL eram aglomerados de casas abarracadas, de ruas estreitas e labirínticas. Era um autêntico corropio de militares fardados ou à paisana que ali se deslocavam, uns somente para ver, outros para satisfazerem as suas necessidades fisiológicas de índole sexual. Em cada porta ou janela as prostitutas de raça preta, mulata, mestiça (também conhecidas por cabritas) e até branca, apelavam aos transeuntes através de piscar de olhos, levantar da saia ou com um chamamento com o dedo indicador, do tipo : “anda cá oh crido, chega aqui oh bonitão”, ou o que lhes viesse na altura à cabeça. Havia mulheres altas e magras, baixas e gordas, bonitas, feias, belas ou mal feitas, enfim, para todos os gostos. Acertado o preço do “serviço” ou “serviços” antes da entrada para, regra geral, ser executado num quarto desarrumado e mal iluminado, as meninas, as quarentonas ou mesmo cinquentonas, após satisfazerem os apetites dos seus clientes, entregavam-lhes uma bacia com água, na qual misturavam um líquido que se presumia ser um antiséptico e uma toalha para se limparem por baixo. A Abraço e a Liga Portuguesa Contra a Sida ainda não tinham sido inventadas, por isso o contacto era, quase sempre carne com carne, sem preservativo. Generalizou-se, no entanto, a ideia de que as cabritas eram mais perigosas, ou seja, dado o seu tipo de sangue contraíam e transmitiam doenças venéreas com muita facilidade. A blenorragia, vulgarmente conhecida como “esquentamento”, se tratada oportunamente (infelizmente nem sempre o era) curava-se em pouco tempo e sem deixar resquícios, com injecções de penicilina. A doença mais temida no contacto com as meninas de ocasião era, sem dúvida, a terrível Sífilis.



Uma tarde, encontrando-me em Luanda à espera de transporte para a mata, fiz-me acompanhar de dois camaradas e, na pujança e inconsciência dos meus vinte anitos, também fui conhecer a bacia contendo o tal “antiséptico”. Estávamos de regresso quando nos apercebemos que a Polícia Militar começava a fechar e a identificar os visitantes e as anfitriãs daquele enorme e labiríntico prostíbulo. Depressa viemos a saber o que tinha acontecido.
Um soldado da Companhia Não-Sei-Quantos, forçou a entrada na casota duma bela mulata recusando-se ao pagamento antecipado. Era um indivíduo conflituoso e estava meio-embriagado. Forçou a menina, tentando a violação. Sem saber como, foi apunhalado nas costas e acabou por se esvair, mas em sangue. Debaixo da cama encontrava-se um negro (também lá existiam chulos) que fazia a protecção àquela trabalhadora do sexo, saíndo do seu esconderijo e executando ali mesmo, a sangue frio e pelas costas, o desastrado quanto infeliz violador. A porta dissimulada nas trazeiras permitiu-lhe a fuga...

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Já lá vai o tempo do "Currículo"... Espiritualista (estudioso, mas não fanático). Voluntariado