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Não deixe de ler o Conto: "O Turra Mussolé", publicado no dia 7 de Setembro de 2008, o qual, ao cabo de 34 anos da chamada "Revolução dos Cravos" sofreu CENSURA por parte do Ministério da Defesa Nacional, levando-me a deixar de escrever no Jornal da APOIAR - Associação de Apoio aos Ex-Combatentes Vítimas de Stresse de Guerra.

"MENINA DOS OLHOS TRISTES" CANTADO POR ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA

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terça-feira, 24 de novembro de 2009

A MOBILIZAÇÃO

Encontrava-me a prestar serviço, já como Operador de Cripto, na Escola Prática de Engenharia, em Tancos. O Centro de Cripto ficava situado no mato, muito perto da Estação de Caminhos de Ferro de Almourol. Decorria o mês de Dezembro de 1970 e eu rezava a todos os meus santinhos para que, a ser mobilizado, isso apenas viesse a acontecer a partir do mês de Janeiro de 1971. A gastrite e todas as outras disfunções originadas pela certeza da mobilização (Angola, Guiné ou Moçambique ?), agravaram-se ao tomar conhecimento da data inadiável do embarque. Dever-me-ia apresentar no Regimento de Artilharia Pesada (RAP-2), em Vila Nova de Gaia, a fim de receber toda a documentação tida como necessária ao embarque para Angola, como militar de recompletamento. No dia 21 de Dezembro (faltavam três dias para o Natal) entrei naquela monstruosa mas bela máquina navegante chamada Príncipe Perfeito.
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Chegado a Luanda, ao fim de oito dias de baloiçar incessante, fui conduzido até ao Regimento de Infantaria 20, onde se encontravam instalados os militares na minha situação (CMR 113). Daí segui para Nova Lisboa, a linda capital do Huambo. Dois dias depois viajei de comboio até ao Luso (capital do Moxico) onde comecei a ter a percepção de me encontrar já num ambiente bélico. Aí aguardei pelo chamado MVL (Movimento Logístico) e lá parti, na caixa de carga dum camião civil carregado de mantimentos e refrigerantes, entre tantos outros, escoltados por várias viaturas militares, a maior parte das quais carregando sacos de areia, pois o percurso a efectuar era de cento e vinte quilómetros e duração de três dias, sempre em picadas mais ou menos sulcadas e eventualmente minadas.
Finalmente em Cangamba, onde se encontrava aquele que ficou conhecido como Batalhão Ás de Espadas, dirigi-me ao sargento-de-dia da Companhia Independente que me havia requisitado. Alguns dias depois haveriamos de montar as tendas junto a uma sanzala numa localidade um pouco mais ao sul chamada Cangombe.
Já não me recordo qual deles : o Bila Noba (de Gaia), o Ermesinde, o Rio Tinto ou o Pasteleira, quando soube que eu era natural de Lisboa, deu-me uma forte palmada no ombro, perguntando-me : - Olha lá, oh alfacinha, sabes qual é a melhor coisa que há em Lisboa ? É Sant’ Apolónia, porque de lá é que abala o comboio p’ ra Campanhã, carago !
Pude constatar, entre 10 de Janeiro e 5 de Outubro de 1971, como foi fácil fazer amigos entre aqueles rapazes lá das bandas da cidade “Inbicta”. Não costumo ter o hábito de dizer que tenho saudades do passado, mas a verdade é que jamais deixei de pensar naqueles camaradas da CART 2574 – os “Bravos e Sempre Leais” – sobretudo nos que lá tombaram em combate e naqueles que feridos gravemente foram obrigatoriamente evacuados para a Metrópole. Não poderia deixar de prestar, neste breve conto, a minha homenagem àqueles que lá deram a vida pela "Pátria" e cujo nome está dignamente inscrito na enorme lápide da Praça do Império em Lisboa : o Ângelo R. Sousa, o Aníbal A. Ascenção e o Manuel Ferreira.
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Já lá vai o tempo do "Currículo"... Espiritualista (estudioso, mas não fanático). Voluntariado